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quinta-feira, 8 de junho de 2017

União Europeia e o multiculturalismo na construção do poder global*

Por Crístian Derosa*

Richard Nikolaus Graf Coudenhove-Kalergi
16 nov. 1894 - 27 jul. 1972
Em 1922, Richard Coudenhove Kalergi criou o movimento “Pan-Europeu”, uma das origens da versão europeia da Nova Ordem Mundial. Ele foi o iniciador das ideias de “integração da Europa”, embrião da União Europeia e do que hoje chamamos de multiculturalismo. Após a publicação de seu Manifesto Pan-Europeu, e graças aos seus contatos pelo mundo da diplomacia, Kalergi teve ajuda dos maiores intelectuais e banqueiros do mundo. Entre seus objetivos estava a unificação das raças do mundo em uma única etnia, o que possibilitaria o controle mundial a partir de uma única autoridade.

Hoje muitas de suas ideias aparecem sob disfarces retóricos como o ambientalismo, o feminismo e demais ideologias. O controle populacional sempre esteve entre os muitos objetivos da elite global. Mas se trata de um controle seletivo, pois implica em um projeto de seleção artificial. “Uma população crescente significa maior pressão ambiental. A solução poderia estar nos direitos das mulheres”, diz Jessica Prois, em artigo para o site do Laboratório de Demografia e Estudos Populacionais da Universidade de Juiz de Fora (RJ). O disfarce feminista utiliza, hoje, de uma retórica ambiental. Mas mesmo o feminismo faz parte de outra sub-retórica muito anterior: o plano de integrar povos tão diversos e de crenças, costumes, tão díspares que só uma autoridade central poderia arbitrar seus inevitáveis conflitos.

A crença de fundo está no evolucionismo ou darwinismo social, baseado na ideia de uma involução ou degradação da raça humana por meio da miscigenação, algo contra o qual os movimentos nacionalistas europeus da metade do século tentaram se contrapor. De fato, o movimento de Kalergi silenciou-se após o advento dos violentos regimes fascistas e nazistas. Resistência um tanto quanto desastrada aos movimentos pan-europeus, o nazismo acabou por servir aos planos globais ao criar um arquétipo nacionalista negativo e possibilitar a criminalização ou ao menos a demonização pública de qualquer resistência ao multiculturalismo. Tendo testemunhado a destruição causada pelos rampantes nacionalismos da Alemanha e da Itália, os vitoriosos aliados começaram a buscar uma solução de longa data para impedir que tal desastre ocorresse novamente.

A ideologia do multiculturalismo, no entanto, é imposta a todos os países conjuntamente com as ideologias legitimadoras de determinados povos, tendo-os como vítimas de catástrofes históricas, clamando a necessidade de uma reparação social que acaba por povos contra povos, gerando um permanente conflito. Essa relação conflituosa se torna o paradigma da diversidade e só um governo ou autoridade central pode, do alto de seu arbítrio político, controlar os estímulos positivos e negativos que controlariam a dinâmica eterna entre paz e guerra.

A ideologia do pacifismo nada mais é do que o controle de onde e quando será a guerra. De quem contra quem será o conflito, quando necessário ou inevitável. O controle e o monopólio da violência e das armas é um passo importante, na visão dos centralistas globais, para o avanço da utopia administrativa, da gestão total e da governança. O upgrade da política está no conceito de governança, que pode ser resumido como sendo a arte de governar governos, o que só pode ser feito em uma perspectiva centralista e global.

A utopia da criação de uma única raça, criada politicamente por meio do controle de natalidade seletivo e de programas de política migratórias, só será possível com o suporte de uma ideologia integradora que torne o multiculturalismo um valor absoluto, onde não há espaço para o contraditório ou a diversidade. Paradoxalmente, o multiculturalismo é a ideologia da uniformização global, generalização dos conflitos e das arbitragens centrais.

No entanto, não é preciso acreditar em um tipo de inferioridade racial, já que o aparato global construído por essa nova ordem, já incapacita aos poucos os indivíduos para o julgamento do que é liberdade ou escravidão. Escravizam-se voluntariamente acreditando lutarem por liberdade.

O funcionamento do sistema global

O pacifismo (controle da guerra) só pode ser possível após o controle dos elementos que causam ou atenuam conflitos, como o controle dos recursos e territórios (ambientalismo) e a reprodução humana (feminismo, ideologia de gênero). Para isso, é necessário construir um sistema de fundamentação e justificativas, que não pode vir a funcionar sem o suporte de toda uma classe científica crente nas mesmas utopias. Do mesmo modo, o suporte de uma burocracia que filtre os acessos e controle as ações só pode existir tendo à mando uma elite política submetida a um sistema de credibilidade científica e intelectual. A classe intelectual, por fim, é gerada e alimentada por todo o sistema de favorecimentos baseados em crenças que podem ser absolutamente irracionais, já que toda a população obedecerá aos sentimentos de benevolência como critério de normalidade e sanidade, enquanto os maiores absurdos vão se tornando regras e ditames morais. Os intelectuais serão cada vez mais relativistas e imorais e, por este motivo, defenderão com unhas e dentes as utopias mais irracionais, desde que sirvam para o deleite de suas realizações psíquicas e emocionais, o que se torna critério máximo de felicidade.

domingo, 9 de outubro de 2016

Nova direita passa a ocupar espaço nas universidades*

Professores do ensino superior que se identificam com o pensamento conservador começam a aparecer no meio acadêmico

Por Augusto Diniz*

É comum ouvir em con­versas de amigos, discussões ou na internet que o meio acadêmico é tomado pelo pensamento de esquerda, na sua definição política e filosófica. Chega a ser corriqueiro ver gente na internet e na mesa de bar dizer que se perde muito tempo da formação universitária com estudos de pensadores como o alemão Karl Marx, autor de livros como “O Manifesto Co­mu­nista” (1848) e “O Capital” (1867).

Essas pessoas, na maioria das vezes, preferiam não se manifestar demais para não serem tachadas de criadoras de caso ou polemizadoras de plantão. Mas, com a popularização da internet, que tem ampliado o número de usuários no Brasil, e a era das opiniões nas redes sociais, em que as pessoas têm buscado mais informação e tempo em discussões sobre todos os assuntos, essa nova direita começou a se manifestar e encontrar em diversos cantos do Brasil simpatizantes de suas ideias e pensamentos.

Outro ponto que facilitou com que os que se consideram conservadores liberais, na direita brasileira, ganhassem mais voz e espaço foi a derrocada da aceitação do Partido dos Tra­balhadores (PT) junto à sociedade a partir dos governos federais de Luiz Inácio Lula da Silva, que em sua quarta eleição para o cargo de presidente da República chegou ao comando da União por duas vezes, entre 2003 e 2010, e sua sucessora, a ex-ministra-chefe da Casa Civil Dilma Rousseff, que foi eleita em 2010 e 2014 para o cargo.

A consolidação do processo de impeachment no dia 31 de agosto de Dilma, com o julgamento final pelo Senado, deu voz à direita, que ganhou força nas eleições municipais de 2016. Um desses exemplos é a votação que recebeu o deputado estadual Flávio Bolsonaro, do Partido Social Cristão, que terminou em quarto lugar na disputa pelo cargo de prefeito com 424.307 votos, 14% da votação válida na capital fluminense.

O Rio de Janeiro, inclusive, deu maior votação no primeiro turno a um pastor da Igreja Universal do Reino de Deus, o senador Marcelo Crivella (PRB), que chegou a 842.201 votos. Ele disputará o segundo turno com um candidato da esquerda carioca, o deputado estadual Marcelo Freixo (PSol), que obteve 553.424 votos.

Para entender esse momento de crescimento da direita na sociedade, o Jornal Opção conversou com professores universitários que se posicionam com identificação ao pensamento conservador e que defendem o liberalismo na economia.

Divisão da direita

Profª. Cláudia Helena Gomes
Faculdade de Direito/UFG
Mestre em Direito na área de Ciências Penais, a professora Cláudia Helena Gomes, da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Goiás (UFG), diz é preciso dividir bem as duas linhas de pensamento da direita para que não haja confusão. Identificada com a linha conservadora liberal, que valoriza o conservadorismo nos costumes e defende a economia liberal, Cláudia Helena explica que nem toda a direita atual é assim. “Há também os libertários, que também são liberais na economia, mas defendem uma sociedade livre da figura do Estado.”

Na definição entre a direita conservadora e a direita libertária, Cláudia Helena acredita que um dia a direita libertária enxergará que o conservadorismo pode ser o melhor caminho para o mundo. Para ela, o problema ao estudar pensadores de direita é que não se vê muito essa discussão enquanto estudante, quando se passa rapidamente pelos estudos do escocês Adam Smith e perde-se muito tempo dedicado ao pensamento de Karl Marx, por exemplo.

“Há sempre o estigma de que o liberal, que defende a livre iniciativa de mercado, não se importa com os pobres. O socialismo, onde todo mundo trabalha para o Estado, é o modelo mais explorador. É o exemplo dos cubanos que participam do Mais Médicos, que recebem salários mais baixos e são praticamente escravos, enquanto outros profissionais da mesma área ganham mais pelo mesmo serviço.”

Cláudia Helena cita que a prática de uma sociedade em torno de um senhor feudal, como acontecia na Idade Média, ganha sua continuidade em uma ditadura de esquerda, como a cubana, com a figura central representada em Fidel Castro, com toda uma sociedade a serviço de suas ordens.

O pensamento de direita, seja ele libertário ou conservador, tem ganhado espaço na academia. Tanto que na Faculdade de Direito da UFG já existe o Clube Bastiat, que reúne estudantes das duas alas do pensamento de direita. O nome do grupo de estudos homenageia o economista liberal francês Frédéric Bastiat, que defendia a liberdade da pessoa contra qualquer autoridade, entre elas a representada pelo controle estatal na sociedade.

Desencanto com a esquerda

A professora confessa que já foi de esquerda. “Eu não conheço ex-direitista, mas conheço ex-esquerdista”, observa. Cláudia Helena diz que já se sentiu atraída pelo discurso da luta pela redução das desigualdades sociais. “Não dá para pensar à esquerda depois de começar a ler autores de direita”, considera.

Ela afirma que o momento em que vivemos, de insatisfação com modelos carcomidos de governar, tem possibilitado o surgimento de uma leva de pessoas que têm “rompido esse bloqueio” que o pensamento de esquerda coloca sobre o meio acadêmico. “Eu corro o risco de ser tachada de rótulos como direitista, ser xingada ou usarem certas palavras-gatilho para simplesmente ofender quem pensa de forma diferente.”

Ao mesmo tempo que a professora entende que se estuda muito pouco Adam Smith e o francês Alexis de Tocqueville, logo se dedica bastante tempo a um dos principais pensadores anarquistas, o filósofo francês Denis Diderot. Mas Cláudia Helena afirma que reduzir a discussão intelectual a uma divisão entre direita e esquerda chega a ser muito simplista. Ela defende que o correto hoje seria pensar em quem defende uma economia liberal, com menos controle do Estado sobre a regulação do mercado e os que querem ser tutelados a vida inteira pela figura dos detentores do poder.

Mesmo ao considerar que os li­ber­tários liberais são bastante utópicos ao compreender como possível uma sociedade sem qualquer participação do Estado, a professora descreve que o governo precisa existir, mas em condições e com um tamanho bem menor do que é hoje. “Desde o século 18, na Revolução Francesa, a intenção da esquerda foi a de derrubar o poder existente e suplantar esse controle com um poder ainda maior do que o anterior.”

Ela cita exemplos de diferenças existentes entre o que era praticado na França durante a monarquia e a partir da queda do rei, como a novidade do alistamento obrigatório, pois antes o monarca precisava pagar pelos serviços de combatentes contratados em momentos de guerra. “Hoje se o Brasil entrar em guerra você não tem como fugir, você é obrigado a ir lutar, não há escolha, é uma ordem”, descreve.

Conservadorismo é marca de acadêmicos

Outro momento histórico utilizado por Cláudia Helena para pontuar sua insatisfação com o controle muito amplo do Estado sobre a vida do cidadão é a Inconfidência Mineira. “A revolta de parte da sociedade era pela cobrança de um quarto (1/4) que era roubado pela Coroa. Hoje o estado leva 40% de quem tem rendimento mais alto.”

Para a professora, a presença do Estado na vida das pessoas é tão forte atualmente que muitas vezes o cidadão nem percebe essa atuação em forma de controle. “Uma amiga pagou outro dia pela escrituração de um imóvel de 72 metros quadrados R$ 12 mil. Quem deu esse direito para o Estado? Que contrato social é esse?”, questiona.

Essa atitude governamental — que para ela não seria um erro apenas do PT, mas uma política que acompanhou todos os governos desde a redemocratização com José Sarney (PMDB) —, de mostrar uma “sanha controladora”, aponta como o Brasil é governado por burocratas. “Quando houve o impeachment da Dilma, nós nos perguntamos quem são essas pessoas que representam o povo brasileiro. O País é comandado por pessoas que você nem sabe quem são.”

Para Cláudia Helena, Dilma não foi eleita por ser mulher ou sofreu o processo de impeachment por ser mulher. “Ela foi eleita duas vezes e não teve nada de misógino, por que agora sua destituição é considerada misógina? Ela foi deposta porque é incompetente mesmo. Esse discurso é parte da dialética do Hegel, que muda o discurso de acordo com a necessidade.”

Volta aos costumes

É aí que a direita conservadora defende a busca pelos costumes tradicionais, sejam eles pautados pela moral judaico-cristã, pelos valores da família tradicional ou pelo conhecimento erudito construído ao longo de séculos pela humanidade, desde a filosofia, a economia, as artes e a religião. “É alguém que reconhece que existiram milhares de pessoas antes dela e que não sou eu que vou achar que vou ter uma ideia brilhante que vai ser melhor para todo mundo.”

A ideia geral, na visão de Cláudia Helena, é dar continuidade ao que já deu certo na história da humanidade, ser a ânsia de ser fazer revolução, de buscar uma ruptura drástica. “Nos anos 60 você tinha a esquerda revolucionária e a esquerda moderada. As duas tinham o mesmo objetivo, que era chegar à revolução socialista”, critica.

“Nós nunca tivemos uma experiência de capitalismo de fato no Brasil. O que nós sempre tivemos, desde as capitanias hereditárias, foi um capitalismo de compadrio. No capitalismo de verdade os competentes sobrevivem e quem não é competente não tem espaço.” Essa descrição é baseada no exemplo do fortalecimento econômico dos Estados Unidos, que apostaram no livre mercado, como explica Cláudia Helena.

Prof. Murilo Resende Ferreira
Faculdade Esup
Para o doutor em Economia pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e professor da Faculdade Esup, Murilo Resende Ferreira, a importância da liberdade de mercado é a busca pelo desenvolvimento aliada ao conservadorismo. “Só progride quem conserva”, afirma.

Preservação da cultura

De acordo com Murilo, pensar o conservadorismo apenas pelo viés da moral é algo muito pequeno, já que essa linha de pensamento se define pela preservação da arte, literatura, filosofia e do conhecimento considerado mais elevado. “A sociedade moderna está brincado com coisas que ela não conhece direito.”

Murilo defende que o conhecimento pressupõe uma estruturação definida, com base na motivação espiritual, desde a filosofia grega. “A preservação da religião de um povo também se faz importante”, define. Ele vê o momento que vivemos como de perda do simbolismo em todas as representações da sociedade.

“Não existe uma grande civilização sem religião”, diz o doutor em Economia. De acordo com Murilo, quando na Europa o laicismo começou a barrar a religião em qualquer forma de ensino começou o processo que coloca a humanidade “à beira de se autoaniquilar”. “A cultura para se manter forte precisa ser preservada.”

No Brasil, Murilo aponta que o primeiro erro foi a busca pela centralização do país ao transferir a capital para Brasília. “Descentralizar o poder beneficia a população. Um dos exemplos de derrocada é essa necessidade errada do Estado de tentar controlar o porte de arma na sociedade. Desarmar a população e desvalorizar a força das famílias reunidas ameaçam o desenvolvimento.”

Murilo cita o exemplo americano do livre armamento da população como uma prova da menor interferência do Estado na sociedade. “Um erro no pensamento político moderno foi acreditar que o Estado centralizador poderia garantir uma sociedade melhor”, critica. Para ele, o poder ab­so­luto do Estado produziu líderes to­talitaristas como Lenin, Stalin e Hitler.

Prof. Jean-Marie Lambert
PUC-GO
Pós-doutor em Ciência da Reli­gião, doutor em Direito Inter­nacional e professor da Pontifícia Univer­sidade Católica de Goiás (PUC-GO), o belga Jean-Marie Lambert assume que, em grande parte de sua carreira acadêmica, “equivocadamente” passou uma visão de esquerda do mundo aos seus alunos. “Não se fala mais na contrapartida dos deveres, a pessoa já nasce querendo saber dos seus direitos apenas.”

O resgate defendido por Jean-Marie é do conhecimento, que foge do pensamento mágico, anterior ao pensamento científico, do qual, na visão dele, o mundo passou a caminhar novamente, a passos largos no obscurantismo. “Com toda evolução você vê uma negação de tudo, desde o conceito de família com protetora da cidadania.”

Aborto

Jean-Marie, Cláudia e Murilo condenam o aborto como um crime contra a vida. “É uma pessoa”, defendem os três. Sobre a frase “meu corpo minhas regras”, o pensamento é parecido, de que não se trata da vida das pessoas que defendem a liberdade de decisão sobre o que fazer com a própria vida, mas a existência de outra pessoa a partir da fecundação do óvulo.

“Esse feto, no direito, já tem a proteção na discussão da herança. Como ele não é vida, mas tem direitos? Se trata sim de uma pessoa”, defende Cláudia Helena. De acordo com Murilo, os seres mais frágeis devem ser protegidos. “Pela questão moral, não se deve permitir o aborto para se respeitar a valorização da vida.” Para ele, aprovar o aborto seria uma forma de colocar a sociedade em declínio.

Homossexualidade

Para Cláudia Helena, uma pessoa que segue a doutrina da igreja, de acordo com a moral judaico-cristã, ama o pecador, mas não defende o seu pecado, quando o assunto é a homossexualidade. Ela cita Jean-Jacques Rousseau para criticar a ideia de que o homem nasce bom, mas a sociedade o corrompe. “Um homem que teve vários filhos com a lavadeira e botou todos no orfanato diz isso. Eu peco, eu erro, eu tenho que melhorar todo santo dia. A gente chega pecador e busca a salvação.” Ela explica que gosta da pessoa, mas não aprova o crime que ela comete.

Murilo defende que a sociedade não pode institucionalizar e igualar o casamento e adoção de crianças para casais gays pela justificativa do amor entre duas pessoas. “A família gay nunca foi adotada com algo sistemático. Será como impor algo de cima para baixo.” Ele diz que a perpetuação da espécie, com a produção de filhos, vem da formação de um casal entre homem e mulher.

Na visão de Murilo, a abertura no sistema jurídico para permitir o casamento entre dois homens, por exemplo, pode se estender um dia à aceitação da poligamia na lei. No caso da adoção, ele afirma que a maior parte dos abusos sexuais é cometida por homens e que “isso também tem um viés homossexual”. “Um casamento de dois homens duplica a chance de abuso infantil no caso desse casal adotar uma criança. Chamam isso de arranjo familiar, o próximo passo é discutir a pedofilia como algo natural.”

Retorno ao eixo

Jean-Marie avalia que o pêndulo da liberdade se tornou libertinagem. “Esse conservadorismo é a volta do bom senso. É preciso de gente que bata o pé no chão. Quem sabe com a queda do PT isso não aconteça e gente pare de ver a sociedade sair do controle.”

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Iris Rezende ou Vanderlan Cardoso: para onde irão os partidos gramscistas?*

Por Orley José da Silva*

Íris Rezende Machado X Vanderlan Cardoso
Disputa pelo 2ª Turno - Eleições 2016
Goiânia, Goiás
No segundo turno das eleições para a prefeitura de Goiânia, qual será o candidato a ser apoiado pelos partidos gramscistas PT, PC do B, Psol e Rede? Certamente esses partidos ou seus prepostos não se omitirão de se posicionar nesta disputa, com o objetivo de preservarem pelo menos uma parte do capital político conseguido nos últimos anos. Não participar da futura administração municipal poderá lhes custar o desmantelamento da máquina de revolução cultural montada no município, cuja operação se dá livremente em vieses ideológicos próprios de políticas públicas e sociais.

Essa atuação revolucionária ocorre em lugares estratégicos de contato do poder público com a população: educação, cultura, direitos humanos, assistência social,conselhos de educação e conselhos de cultura. Porque a militância dessa insurreição criou um consenso discursivo que somente ela é capaz de, legitimamente, cuidar de determinadas políticas públicas. E o discurso tem tamanha força de convencimento que alguns políticos ideologicamente contrários tendem a acreditar nele. E é assim que uma nova hegemonia cultural vai ganhando força na sociedade, mesmo quando não está majoritariamente no poder.

A paciência de trilhar a longa marcha pelas instituições proposta por Antonio Gramsci até a plena transformação da sociedade em seus moldes, é característica dessa força revolucionária que é suprapartidária e múltipla em sua maneira de agir. Nesse percurso, a ocupação de espaços nas decisões de poder quase sempre exige eficiência na infiltração e acomodação no interior de sistemas políticos inimigos. Um dos métodos utilizados para essa aproximação vale-se da sua capacidade de controle e mobilização dos movimentos sociais, estudantis e sindicais de esquerda. Ao oferecer ao chefe do executivo a garantia de pacificação com essas entidades sociais e de classe durante o seu mandato, a força revolucionária garante o espaço necessário para continuar com o trabalho formativo e de manipulação da mente coletiva.

É possível que o pragmatismo político de Iris e Vanderlan para as alianças eleitorais não leve em consideração o projeto de nova hegemonia política e cultural levantada por essa reflexão. O Iris mesmo contribuiu para que esse projeto se aperfeiçoasse no município, ao aliar-se com esses agentes políticos nas duas últimas eleições. Não se compreende a complexidade e as consequências futuras desse tipo de acordo sem conhecer com profundidade as intenções e a formação histórica e ideológica tanto do PT, quanto dos seus partidos auxiliares e também do Foro de São Paulo.


* Orley José da Silva, é professor em Goiânia, Goiás,
Brasil, mestre em letras e linguística (UFG) e
mestrando em estudos teológicos (SPRBC).


segunda-feira, 3 de outubro de 2016

8 passos importantes para desintoxicar-se do Marxismo Cultural*

Por Ricardo Bordin*

Na esteira do artigo publicado por Rodrigo Constantino na Revista Istoé desta semana, no qual ele narra duas histórias fictícias em que Liberais e Conservadores perdem a vergonha de assumirem suas convicções (relatos do gênero, na vida real, estão se tornando bastante comuns), proponho debater o caminho que precisa ser trilhado por um Esquerdista no esforço de clarear sua mente e livrar-se do jugo do politicamente correto, do ideário “progressista” e da cultura de dependência do Estado. Tal atividade consiste em traçar um “caminho da servidão” às avessas, através do qual o outrora inocente útil logrará livrar-se dessa ideologia que está mais para uma patologia – como bem explicado por Tom Martins.

Parcela significativa de minhas sugestões parte da experiência própria (fui “isentão” por bastante tempo), de maneira que posso atestar sua eficácia. E prestar auxílio aos afetados por essa esquizofrenia é tarefa que ganha relevo na medida em que, desde a revolução cultural de maio de 1968, a população inteira do país consome os princípios desta doutrina sem nem mesmo dar-se conta, de forma congênere e na mesma proporção com que ingere Iodo no sal de cozinha – precisamente como almejava Antonio Gramsci.

Novelas, filmes, seriados, livros de ficção, aulas de História, de Geografia (e mais recentemente Filosofia e Sociologia), músicas, tudo sempre esteve carregado pelo marxismo cultural e sua subversão aos valores que constituem a base da sociedade ocidental, como a família, a religião, a prosperidade, e, inclusive, a arte e o bom gosto estético.

Momento mais propício para esta expurgação do que o atual nunca houve, considerando-se que a Internet propiciou a disseminação dos princípios contrários ao propagandeados pelo jornalismo como um todo (categoria profissional das mais contaminadas pelo vírus esquerdista).

Vamos, então, ao roteiro que pode ser denominado de “oito passos do membro do CA (comunas anônimos)”, e o primeiro cobaia será ZÉ COMUNA, o qual é usuário deste entorpecente há 10 anos e ofereceu-se para participar do programa, com especial incentivo de seus pais e demais familiares:

1. Procurar voluntariamente o tratamento: Zé Comuna não pode, simplesmente, ser conduzido pelo colarinho até uma aula sobre a teoria dos ciclos econômicos de Mises, sob o risco de ele levantar-se durante a preleção do instrutor e gritar “Fora, Temer”, com direito à cusparada nos colegas. É necessário, com calma e persistência, mostrar-lhe as contradições da Esquerda, as incongruências do Feminismo, a situação dos pobres nos países com governos socialistas (se possível, leve-o para um passeio em Caracas, mas procure levar marmita de casa), a condição dos “pobres” nas nações com economias liberalizadas, enfim, jogue diante dos seus olhos as evidências, e direcione suas preces para que ele recobre os sentidos. Se tudo der certo, Zé Comuna irá experimentar uma epifania, e partirá para o segundo passo;

2. Admitir o problema: Não há como estabelecer algo mais básico neste processo de depuração: encarar a realidade e reconhecer que enveredou pela direção errada. Enquanto o indivíduo seguir buscando formas de justificar suas atrofiadas crenças em detrimento dos fatos que observa (ou, pior ainda, desprezando os fatos), prosseguirá achando que Hitler era um extrema-direita, que Che Guevara é um herói da humanidade, que Stalin só queria melhorar a vida do proletariado russo. Zé Comuna, então, em sua primeira sessão no grupo de apoio, deve levantar-se em meio a todos, dizer seu nome, e declarar: “eu sou um idiota útil da Esquerda”, ao que todos os presentes devem responder: “bem-vindo, Zé Comuna”;

3. “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará (João 8:32)”: Após interromper o deslocamento à Esquerda, nada mais natural que o peregrino passe a rumar em direção ao Conservadorismo e ao Liberalismo Clássico, no intuito de recuperar o tempo perdido no DCE (e demais antros do gênero) e nos protestos com a galera do PSOL. E, nesta empreitada, é fundamental que ele procure preencher todos os vácuos deixados por seus professores e pela mídia durante sua vida inteira.

Zé Comuna deve perguntar-se por que ele nunca havia ouvido falar que o Comunismo deixou um rastro de mais de 100 milhões de mortos por onde passou; por que ele achava que a crise financeira de 2008 foi causada pelo Capitalismo, e não pela intervenção indevida dos bancos centrais na economia; por que lhe disseram que a igualdade total era o objetivo primeiro a ser buscado em um país; por que havia se deixado convencer que o sexo do indivíduo é determinado pela sociedade?

Zé Comuna, neste período, precisa receber ajuda externa, pois não é moleza encontrar fontes de informação esterilizadas e com garantia de procedência conservadora ou liberal – momento em que ganha especial relevância o trabalho de todos aqueles comunicadores da grande rede, protagonistas em websites, canais do Youtube e podcasts, bem como de escritores da nova geração, que difundem o contraponto a tudo aquilo que ele considerava como verdadeiros dogmas até então;

4. A Busca deve ser Racional, e não Emocional: Que tristeza ver tanta injustiça com os pobres trabalhadores retratados no livro “OS Miseráveis”, de Vitor Hugo; que tocante ver Adam Sandler morrer dizendo que se arrepende de ter trabalhado tanto e construído a maior empresa de construção civil do país, no filme “Click”; que empolgante cantar, ao final de “Faroeste Caboclo”, que João de Santo Cristo só queria pedir para o Presidente ajudar os sofredores; e que divertido deixar a vida nos levar, como sugere Zeca Pagodinho.

Mas chega de emoções por hoje, né, Zé Comuna? A partir de agora, busque sentido no que lê, assiste e escuta. Empregados da revolução industrial trabalhavam como burros de carga? Sim, mas somente aqueles que escaparam da inanição e da altíssima mortalidade anteriores a esse período; a empresa de Michael Newman empregaria milhares de pessoas, não fosse apenas um filme de comédia; João de Santo Cristo não era vítima do “injusto” sistema capitalista, como Renato Russo (filhinho de papai entediado) te quis fazer crer, mas sim um traficante vagabundo – não tivesse saído da carpintaria, quem sabe ainda estivesse vivo e com netos; e não deixe o acaso determinar seus rumos em hipótese alguma, pois o planejamento vai fazer toda a diferença na sua vida. Enfim, Zé Comuna: fuja da armadilha sentimentalóide, respire fundo e não deixe a mensagem subliminar entrar. E, neste intuito, dois minutos raciocinando de forma honesta são suficientes;

5. Tenha Paciência consigo mesmo: O processo de descompressão pós-esquerdismo é lento e, por vezes, dolorido. Olhar para trás e perceber a quantidade de disparates repetidos à exaustão e a estultícia da maioria dos posicionamentos outrora adotados pode mexer com a autoestima facilmente. Extrair um tumor maligno costuma ser bastante traumático. Por isso, Zé comuna não pode ter pressa. É um dia depois do outro, como bem sabem os dependentes de narcóticos que frequentam clínicas de reabilitação. A cada novo encontro no grupo, ele precisa relatar cada pequena vitória e as dificuldades enfrentadas. Quando ele completar um ano sem dizer “não vai ter golpe”, deve ser agraciado com aquelas medalhinhas comemorativas. E assim ele vai em direção à cura, mas sem perder de vista que jamais estará 100% livre da ameaça: qualquer relaxamento e a tentação de posar de bom moço anticapitalista para compensar problemas emotivos, sentir-se benquisto pelos professores ou pegar aquela colega de faculdade bicho-grilo pode bater forte. Cochilou, o cachimbo cai – e a foice e o martelo sobem;

6. Pratique os novos aprendizados: Nada trará mais ânimo para Zé Comuna em sua saga do que constatar, em sua própria vida, quão benéficas serão as transformações por ele sofridas. A pessoa mais rica da cidade tem 500 vezes mais dinheiro que ele? Certamente este Tio Patinhas não ingere 500 vezes mais calorias, ou atinge uma longevidade 500 vezes maior; sem problema então, desde que sua fortuna tenha sido erigida honestamente – neste caso, ele gerou valor para todos ao seu redor. Seu pai chamou-lhe a atenção porque não está estudando o suficiente? Não se trata de um patriarca opressor que deseja vê-lo inserido em um sistema cruel, mas sim alguém preocupado com seu futuro. Tomou bronca do chefe que lhe pediu mais esforço? Nada de pedir indenização por assédio moral na Justiça; partiu mostrar serviço. A língua inglesa está em todo lugar? Nada de chamar britânicos e americanos de “malditos imperialistas”, e sim agradecê-los por nos terem fornecido uma linguagem universal, coisa que a humanidade tentou implantar por muito tempo sem sucesso (vide o fracassado Esperanto). Que coisa boa ver o ressentimento e a inveja esvaecerem, né, Zé Comuna? Dizem que é bom até para a pele;

7. Substitua sua Fé no Igualitarismo por Outra: Abandonar uma “religião secular” como a Esquerda pode provocar no aluno do programa de desintoxicação ideológica uma perigosa sensação de abstinência. Afinal, era com muita paixão que Zé Comuna devotava seu tempo à missão de “construir um mundo melhor” – antes de arrumar o próprio quarto, claro. É necessário, portanto, que sua energia outrora voltada para eleger Luciana Genro seja canalizada para outras direções, tais como um culto religioso, um esporte, uma nova profissão, uma atividade filantrópica, uma esposa, um filho, um cachorro. Enfim, o importante é ele trocar o anseio por “mudar a humanidade” (para o lamento de Pol Pot e Cia) e passar a buscar, justamente em outros seres humanos, até mesmo em suas imperfeições e falhas, motivações para acordar todo dia e seguir em sua jornada diária;

8. Não abandone os círculos de amizade: Após tanto tempo convivendo com os mais diversos estereótipos da Esquerda, desde os veganos inveterados, passando pelos pichadores do Monumento às Bandeiras, até os ditos socialistas que curtem tomar café na Champs Elysées, Zé Comuna ficará sem nenhum amigo caso simplesmente dê as costas a seus antigos “camaradas”. Ao invés de desdenhar daqueles que não tiveram a mesma sorte, ele deve procurar direcioná-los para o mesmo caminho por ele trilhado – mas sem esquecer-se do 1º passo, ou ele será simplesmente ejetado dessas turmas (tratamento destinado a todo coxinha/fascista/nazista/machista/homofóbico).

Se tudo tiver dado certo, Zé Comuna precisará de um novo apelido após concluído o programa. Mas acredito que seus pais, irmãos e amigos resolverão este problema facilmente, radiantes de poder contar com uma pessoa totalmente renovada em seu cotidiano. Hélio bicudo (um dos fundadores do PT e subscritor do pedido de Impeachment de Dilma Rousseff) e o cantor Lobão (que chegou a pedir votos para Lula ao vivo no Faustão e hoje apoio o livre mercado e a redução do tamanho do Estado) são casos bem sucedidos desta aconselhável transmutação do caráter do indivíduo.

Não se pode perder de vista que a intenção da maioria dessas pessoas comprometidas pelo esquerdismo é louvável. Certa feita um amigo meu, capturado ainda na década de 1990, perguntou-me: “caso Liberais clássicos e Conservadores passem a ser maioria no país, quem irá cuidar da escumalha(sic)?”. Naquele momento, percebi que sua preocupação era digna de elogio, mas suas ações esbarravam no eterno monopólio da virtude, o qual o leva a crer que, se há desamparados, a culpa é da Direita, e só quem pode resgatá-los é a Esquerda. Não se discute que os fins são nobres, mas o debate sobre os meios para alcançá-los precisa acontecer. Se os farrapos da cracolândia merecem nossa solidariedade, também os esquerdistas fazem jus ao nosso apoio e suporte – até mesmo porque nenhum deles pediu para estar em tal situação degradante. Foram abduzidos desavisadamente, e não sairão dessa sem nosso amparo.

Em uma parábola do livro de Mateus, os fariseus indignam-se porque Jesus Cristo mostra misericórdia aos cobradores de impostos e pecadores. Ele demonstra, em verdade, ser capaz de ajudar todos os que estão doentes em sentido espiritual. Eis aí um ótimo exemplo do pretendido com o programa de oito passos do CA: em vez de cortar relações com “progressistas”, mostre-lhes de onde vem o verdadeiro progresso da humanidade.

Um abraço a todos, independente de suas concepções ideológicas, mesmo para os Leninistas, Frankfurtianos e Fabianos – e, claro, para aqueles que nem sabem do que estou falando, mas sustentam a tese de que “empregado não vota em patrão”. Talvez possamos compartilhar os mesmos pontos de vista em um futuro próximo, e quem sabe hoje não seja um bom dia para aderir ao 1º passo do programa, não é? A não ser, claro, que você seja daqueles que ganham muito dinheiro bancando o defensor dos fracos e oprimidos, ou desempenhando papel de guru da Esquerda. Esses vão é remar contra a recuperação do Zé Comuna.

Opa, Zé Comuna não. Agora ele prefere ser chamado por seu verdadeiro nome. Respeitemos sua vontade, pois atravessar uma selva de volta à civilização foi tarefa árdua. Ademais, ninguém está livre: você pode ainda ver um filho ou outro ente querido passar por este calvário, e precisará saber como guiá-lo até a luz. Desejemos muita força para quem está passando por esta situação neste exato momento…

sábado, 6 de agosto de 2016

A cultura marxista da cerimônia de abertura da Rio 2016*

Brasil deveria sentir vergonha de sua pobreza, não glamorizá-la.

Por Gabriel de Arruda Castro*
Tradução: Ana Mônica Jaremenko

A cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016, apesar do previsto, não foi prejudicada por terroristas, bandos de criminosos ou por um ataque maciço de mosquitos transmissores do vírus Zika, foi razoavelmente divertida. A simbologia que o Brasil escolheu para se apresentar ao mundo, no entanto, foi equivocada.

O show apresentado na noite de sexta-feira (5) começou com uma representação em movimento da história do país desde a chegada dos Portugueses. Mas, logo depois ficou claro que, para os organizadores, este foi apenas um preâmbulo para o que consideravam a apoteose do show: meninos da favela que executaram uma versão terceiro-mundista de break dance e um dueto de rapper's - um deles de apenas doze anos falando sobre 'poder feminino'.

Isto não é nenhuma surpresa. Um dos cérebros por trás da cerimônia foi Fernando Meirelles, o cineasta responsável pelo filme Cidade de Deus (2002), aclamado pela crítica como a joia da estética das favelas.

Os intelectuais cariocas são fascinados pela própria pobreza da cidade, como se as favelas fossem algo de que o Brasil deveria sentir orgulho ao invés de vergonha. Imagine se os Jogos Olímpicos de Atenas tivessem destacado a corrupção da Grécia contemporânea em vez da mitologia do país, ou se Pequim decidisse mostrar a sua poluição do ar em vez de a grandeza da China.

A pobreza não representa o Brasil. Nossa esperança é que não haja nem pobreza nem favelas no Brasil do futuro. Mas qual a fonte em que os marxistas culturais tropicais obtêm sua "mitologia"? Assim como a violência contra os negros (reais ou imaginários) é parte integrante da narrativa cultural contínua para a esquerda nos EUA, do mesmo modo a pobreza desempenha um papel semelhante para a esquerda no Brasil.

Não é por acaso que a cerimônia realizada para a Rio 2016 não faça nenhuma referência a qualquer coisa que possa ser visto como erudita ou de alguma forma ligada à tradição europeia (por exemplo, a magnífica arquitetura de Aleijadinho, as óperas de Carlos Gomes, ou a música clássica moderna de Heitor Villa- Lobos).

Os discípulos brasileiros da Escola de Frankfurt só conhecem duas leis:
  • O único tipo de cultura que importa é a cultura popular.
  • A única cultura popular que importa é o que se encaixa na luta ideológica de construção de um "novo mundo".

É por isso que, na cerimônia de abertura, o mais popular tipo de música no Brasil foi completamente ignorado. O sertanejo, que nasceu nas áreas rurais e ainda é a única forma de música apreciada em todas as regiões desse país continental, sem distinção.

Cultura e Tradição de Bela Vista
Arte Naif, de Helena Vasconcelos¹.
Goiás, Brasil.
Apesar de ter sido adulterada pela indústria da música nos últimos anos, a música sertaneja ainda é a melhor representação da alma do povo brasileiro: pessoas trabalhadoras que valorizam a família e a tradição cristã. Desculpe, mas o brasileiro médio não é um boêmio que vive a beber uma caipirinha em Copacabana.

A cerimônia poderia ter apresentado, por exemplo, um dos cantores sertanejos mais populares, Sergio Reis, que canta sobre um pobre pai que criou sete filhos, sendo um deles adotivo. Nos dias finais do pai, o filho adotivo acaba por ser o único que se preocupa mais sobre ele:
"Meu Deus protejaos meus seis filhos queridosMas foi meu filho adotivoque a este velho amparou."
Poderia também ter destacado "Romaria", uma canção popular de Renato Teixeira que retrata a devoção espiritual profunda do homem católico comum.
"Me disseram, porém, que eu viesse aquiPra pedir em romaria e precePaz nos desaventosComo eu não sei rezar, só queria mostrarMeu olhar, meu olhar, meu olhar."
Em vez disso, o que o mundo viu esta sexta-feira foram performances de um apologista da maconha conhecido (Marcelo D2), a falsa Beyoncé cujas canções raramente falam de algo além de sexo (Anitta), e uma antiga escola de esquerda (Gilberto Gil, que pelo menos tem algum talento).

Adicione-se a isso alguma pregação de mudança climática, e a noite estava completa.

Após o aquecimento global no show, o comentarista brasileiro anunciou orgulhosamente que a pira olímpica da Rio 2016 é "a menor na história, por isso vai causar o menor impacto ambiental possível".

Enquanto isso, no mundo real, as autoridades locais não conseguiram nem mesmo despoluir as águas da Baía de Guanabara para torná-la razoavelmente mais seguro para os atletas que irão competir nela.

E adivinha? As favelas, que os esquerdistas querem ter certeza de permanecer favelas sempre, são a principal razão para isso, uma vez que é impossível oferecer saneamento decente nessas condições.

Os marxistas culturais do Terceiro Mundo querem certificar-se de que o Brasil nunca será grande.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Prova de concurso público em Goiânia é mais um caso de estupro coletivo*

Sandra Lima de Vasconcelos Ramos*

Como professora de Universidade Federal do Curso de Pedagogia, tendo sido por dez anos professora do Ensino Fundamental na rede municipal de Teresina (PI), por minha experiência docente de 35 anos, tendo vivido o privilégio de lecionar em TODOS os níveis, da pré-escola à pós-graduação, me sinto ENVERGONHADA com os rumos da Educação no Brasil!

O que me envergonha? A deslavada doutrinação ideológica que vem sendo implantada em nosso país. Uma tentativa escancarada e INCANSÁVEL de aliciar os brasileiros para redefinir conceitos e concepções tradicionais! Um verdadeiro estupro ideológico!

Ao ler as prova do Concurso Público da Secretaria Municipal de Educação e Esporte, Profissional da Educação II, da Prefeitura de Goiânia, aplicada ontem (19/06/2016), fiquei estarrecida com algumas questões das provas! Questões de explícita doutrinação ideológica! Afinal, se eu não responder o que o GABARITO ideológico prevê, sou REPROVADO!

Estupro de nossas liberdades de pensamento e de consciência! Estupro de nossas concepções e valores! Não se trata de uma relação “consensual” em que eu me sinto LIVRE para aceitar ou repudiar esses novos conceitos. Trata-se de um ato de violência, em que eu, pra ser avaliado em um processo seletivo, sou OBRIGADO a responder conforme o gabarito desses ideólogos sem escrúpulos.

Para um melhor entendimento do objeto da minha indignação, comentarei algumas questões do Caderno de Língua Portuguesa, para Pedagogo (minha área de formação).

Logo no primeiro texto (figura 1) “Objetivo de princesas da Disney não é mais o casamento, revela estudo” encontramos a “ideologia de gênero” e sua tentativa de convencer a sociedade que o fato da Disney está reconduzindo sua abordagem sobre conceitos de família, casamento, papel da mulher, feminilidade e masculinidade estes devem ser aceitos pela sociedade como EVOLUÇÃO (o que na verdade é DOUTRINAÇÃO) e para dar o tom de respaldo científico, apresenta o texto de uma pesquisa tendenciosa, publicada em um site da internet que sequer informa suas fontes bibliográficas.

Figura 1

No texto abaixo (figura 2) podemos identificar a defesa da “Teoria Queer”, defendida pelos grupos LGBT, que afirma que nascemos sem gênero. Segundo essa teoria, o sexo biológico não é determinante, e que nós não nascemos Homem ou Mulher, mas, é a sociedade quem define o que somos. Essa teoria que se diz científica, convenientemente, renega os contributos das ciências naturais como a biologia ou a genética, por exemplo.

Figura 2

O Texto 3 (figura 3) “Teoria, ideologia e a urgente necessidade de pensar contra a má-fé” é acintoso! Difunde uma cultura de ódio pelos que eles chamam de “fundamentalistas” (leia-se cristãos!). O texto conclama à guerra contra os que pensam diferente, sem perguntar a sociedade se ACEITAMOS essa nova visão que está sendo IMPOSTA, inclusive pelos meios de seleção em concurso público! Uma atitude muito mais vergonhosa do que reprovar mulheres em entrevista de emprego simplesmente por serem mulheres! Trata-se de LEGITIMAR a seleção preconceituosa através de Concurso Público! Aonde vamos parar?

Figura 3

O próximo recorte (figura 4) fala por si mesmo. Quem está usando de MÁ FÉ, quem está se utilizando da máquina estatal, de um instrumento legítimo de entrada democrática no mercado de trabalho, para SELECIONAR quem pensa como eles e EXCLUIR aqueles que pensam de forma diferente, defensores dos valores tradicionais, do bom senso e da decência? Quem está usando de MÁ FÉ?

Figura 4

E as provas estão todas assim: impregnadas de doutrinação ideológica!

Povo goianiense, não permita esse estupro coletivo de suas liberdades de pensamento! Exija a ANULAÇÃO desse concurso. A guerra contra vocês que defendem a família tradicional e cristã foi declarada! Ergam-se contra essa massiva doutrinação ideológica! Devemos defender a educação brasileira desse crime contra a liberdade!

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