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sábado, 29 de julho de 2017

Família, a pedra no sapato do marxismo*

Por Ricardo Roveran*

Quem acredita que o comunismo acabou com a queda do Muro de Berlim, precisa se atualizar, o que afinal estará então ocorrendo na Coreia do Norte e Cuba?!

O comunismo não acontece do dia para a noite, como um passe de mágica em uma varinha de condão, há um processo de passagem do capitalismo para o comunismo, e o nome desse processo é socialismo. É o que está acontecendo hoje em países nos quais o comunismo ainda não aconteceu, mas que está a caminho, como a Venezuela. O foco hoje será o Canadá.

O objetivo central do comunismo é a extinção da propriedade privada, e para alcançar este objetivo, deixou claro Karl Marx em fevereiro de 1848, no segundo capítulo do “Manifesto do Partido Comunista”, que dez metas deveriam ser concretizadas, e que somente após isto o comunismo aconteceria, a 3ª meta é a “Abolição do direito de herança”, pois o direito de herança é um dos pilares do capital, é como a propriedade privada se perpetua, é como ela se mantém viva e atuante: passando dos pais para os filhos.

Mas como a esquerda pretende abolir o direito de herança, sem informar as pessoas que estarão perdendo este direito? Destruindo a família, pois sem família, sem herança, e sem herança, o capital está mais vulnerável.

A família por sua vez, é formada juridicamente à partir de um casamento, e o casamento é um conceito de 3 pilares: gênero, número, e faixa etária.

No pilar do gênero, entende-se por casamento, homem e mulher, pois apenas um homem e uma mulher podem gerar filhos, e na esfera jurídica, família significa herança, pois família significa geração de filhos.

O pilar do número, é limitação para apenas um homem e uma mulher, pois assim a herança fica discernível, de que pai e mãe parte para qual filho.

Já o pilar da faixa etária, considera a potência de geração, falando a grosso modo, uma criança ainda não pode gerar.

Com estes dados é possível perceber que o direito de herança só existe enquanto a definição jurídica de família for sólida, e que a família juridicamente se forma através do casamento, e o casamento por sua vez tem três pilares, o gênero (macho e fêmea), o número (apenas um de cada), e a idade (que não sejam crianças), e que tais pilares sustentam a geração de filhos.

Espero que o raciocínio esteja claro até aqui, pois agora entraremos no campo da estratégia marxista para atacar o direito de herança: a relativização do conceito de família.

Quando um conceito é relativizado, ele perde seu valor.

Suponha que a fruta “banana”, comece a receber outros nomes, nomes de outras coisas, suponha que ela agora passe a se chamar também “pastel”, “laranja”, e “alface”. À primeira vista, é algo aparentemente inofensivo, mas agora imagine que sua mãe te peça para ir à feira e comprar uma “laranja”. O que ela quer que você traga? Uma laranja, ou uma banana? É impossível discernir, uma vez que o conceito foi relativizado, pode ser uma coisa, como pode ser outra coisa, como pode ser qualquer coisa que você ainda desconheça.

Agora imagine que o conceito de família tenha sido relativizado, como defender seu direito de herança, se “família” puder significar qualquer coisa indefinida? Será tão impossível neste caso, quanto no anterior, da fruta com diversos nomes.

Para relativizar o conceito de família, a esquerda investe contra seus pilares.

Contra o pilar do gênero, procuram casamento homossexual, através do movimento LGBT.

Contra o pilar do número, investem na poligamia, através de nomes eufemizados como “poliamor”, que é apenas um nome diferente, menos pesado socialmente, para poligamia.

Contra o pilar da faixa etária, defendem a pedofilia, parece absurdo, mas defendem o pedófilo como mero doente mental, perpetuam o sexo entre crianças através da cultura, como o funk, e demais, que sexualizam crianças.

Atacando os três pilares, o casamento, quando não for mais entre um homem e uma mulher, mas sim entre homens, mulheres, crianças, e de qualquer número, podendo ser dois homens, duas mulheres, um adulto e uma criança, ou ainda uma casa cheia de gente transando, indefinidamente, será quando a palavra família se esvaziará completamente de significado, e com isso, o direito de herança poderá ser abolido pelos comunistas.

Está ficando claro até aqui? Isso é de suma importância, pois não se trata de conquistar direitos e defender minorias, mas sim de perder um direito, o direito de herança.

O psicopata do Marx não se deu por satisfeito no “Manifesto do Partido Comunista”, ele explorou os métodos para destruição da família com o palhaço do Friedrich Engels, no livro “A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado”, publicado em 1884, no qual defende uma sociedade poligâmica (um homem transando com várias mulheres), poliândrica (uma mulher transando com vários homens), e incestuosa (pais transando com os filhos), num modelo que chamou de “horda”, ou seja, a família tal qual conhecemos, sendo substituída pela “horda”; modelo no qual todos são propriedade do estado e ninguém tem direito de herança – recomendo a leitura deste livro.

Uma indiscutível intenção oculta do marxismo é a implantação deste modelo, e para tal, enganam os homossexuais, as crianças, e os tarados de plantão, para que os apoiem, sob a alegação de que seus modelos de casamento sejam reconhecidos juridicamente. Ao reconhecermos estes tipos de união, estaremos abalando o conceito de família, e gradualmente perdendo o direito de herança, até que, no final, percamos também toda e qualquer propriedade privada.

Hoje é possível observar isso de forma gritante nas decisões do esquerdista Justin Trudeau, nas novas leis do Canadá:
  • Lei 13: Escolas públicas obrigadas à realizar alianças com instituições LGBT.
  • Lei C-16: Prisão para quem cometer crimes de ódio contra identidade gênero; na prática significa que se você disser que um gay é gay, você será preso.
  • Lei 28: Remoção dos termos mãe e pai, e possibilitou acordos pré-concepção, ou seja, qualquer um pode ser pai ou mãe, por contrato prévio, sem organização familiar.
  • Lei 77: Menores de idade com crise de identidade sexual, só podem ser tratados psicologicamente pelo estado, proibindo o tratamento particular.
  • Lei 89: Pais que se opuserem à ideologia de gênero perderão a guarda dos filhos, que serão adotados por quem o estado determinar.
O que está havendo no Canadá, é uma curva violenta em direção ao comunismo. A destruição da família está em curso, os comunistas estão batendo forte na esfera social, num socialismo intenso.

Espero que o raciocínio que ofereci, seja útil para discernir as verdadeiras intenções por trás das alegações de “combate à homofobia”, e bandeiras sempre levantadas pela esquerda.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

União Europeia e o multiculturalismo na construção do poder global*

Por Crístian Derosa*

Richard Nikolaus Graf Coudenhove-Kalergi
16 nov. 1894 - †27 jul. 1972
Em 1922, Richard Coudenhove Kalergi criou o movimento “Pan-Europeu”, uma das origens da versão europeia da Nova Ordem Mundial. Ele foi o iniciador das ideias de “integração da Europa”, embrião da União Europeia e do que hoje chamamos de multiculturalismo. Após a publicação de seu Manifesto Pan-Europeu, e graças aos seus contatos pelo mundo da diplomacia, Kalergi teve ajuda dos maiores intelectuais e banqueiros do mundo. Entre seus objetivos estava a unificação das raças do mundo em uma única etnia, o que possibilitaria o controle mundial a partir de uma única autoridade.

Hoje muitas de suas ideias aparecem sob disfarces retóricos como o ambientalismo, o feminismo e demais ideologias. O controle populacional sempre esteve entre os muitos objetivos da elite global. Mas se trata de um controle seletivo, pois implica em um projeto de seleção artificial. “Uma população crescente significa maior pressão ambiental. A solução poderia estar nos direitos das mulheres”, diz Jessica Prois, em artigo para o site do Laboratório de Demografia e Estudos Populacionais da Universidade de Juiz de Fora (RJ). O disfarce feminista utiliza, hoje, de uma retórica ambiental. Mas mesmo o feminismo faz parte de outra sub-retórica muito anterior: o plano de integrar povos tão diversos e de crenças, costumes, tão díspares que só uma autoridade central poderia arbitrar seus inevitáveis conflitos.

A crença de fundo está no evolucionismo ou darwinismo social, baseado na ideia de uma involução ou degradação da raça humana por meio da miscigenação, algo contra o qual os movimentos nacionalistas europeus da metade do século tentaram se contrapor. De fato, o movimento de Kalergi silenciou-se após o advento dos violentos regimes fascistas e nazistas. Resistência um tanto quanto desastrada aos movimentos pan-europeus, o nazismo acabou por servir aos planos globais ao criar um arquétipo nacionalista negativo e possibilitar a criminalização ou ao menos a demonização pública de qualquer resistência ao multiculturalismo. Tendo testemunhado a destruição causada pelos rampantes nacionalismos da Alemanha e da Itália, os vitoriosos aliados começaram a buscar uma solução de longa data para impedir que tal desastre ocorresse novamente.

A ideologia do multiculturalismo, no entanto, é imposta a todos os países conjuntamente com as ideologias legitimadoras de determinados povos, tendo-os como vítimas de catástrofes históricas, clamando a necessidade de uma reparação social que acaba por povos contra povos, gerando um permanente conflito. Essa relação conflituosa se torna o paradigma da diversidade e só um governo ou autoridade central pode, do alto de seu arbítrio político, controlar os estímulos positivos e negativos que controlariam a dinâmica eterna entre paz e guerra.

A ideologia do pacifismo nada mais é do que o controle de onde e quando será a guerra. De quem contra quem será o conflito, quando necessário ou inevitável. O controle e o monopólio da violência e das armas é um passo importante, na visão dos centralistas globais, para o avanço da utopia administrativa, da gestão total e da governança. O upgrade da política está no conceito de governança, que pode ser resumido como sendo a arte de governar governos, o que só pode ser feito em uma perspectiva centralista e global.

A utopia da criação de uma única raça, criada politicamente por meio do controle de natalidade seletivo e de programas de política migratórias, só será possível com o suporte de uma ideologia integradora que torne o multiculturalismo um valor absoluto, onde não há espaço para o contraditório ou a diversidade. Paradoxalmente, o multiculturalismo é a ideologia da uniformização global, generalização dos conflitos e das arbitragens centrais.

No entanto, não é preciso acreditar em um tipo de inferioridade racial, já que o aparato global construído por essa nova ordem, já incapacita aos poucos os indivíduos para o julgamento do que é liberdade ou escravidão. Escravizam-se voluntariamente acreditando lutarem por liberdade.

O funcionamento do sistema global

O pacifismo (controle da guerra) só pode ser possível após o controle dos elementos que causam ou atenuam conflitos, como o controle dos recursos e territórios (ambientalismo) e a reprodução humana (feminismo, ideologia de gênero). Para isso, é necessário construir um sistema de fundamentação e justificativas, que não pode vir a funcionar sem o suporte de toda uma classe científica crente nas mesmas utopias. Do mesmo modo, o suporte de uma burocracia que filtre os acessos e controle as ações só pode existir tendo à mando uma elite política submetida a um sistema de credibilidade científica e intelectual. A classe intelectual, por fim, é gerada e alimentada por todo o sistema de favorecimentos baseados em crenças que podem ser absolutamente irracionais, já que toda a população obedecerá aos sentimentos de benevolência como critério de normalidade e sanidade, enquanto os maiores absurdos vão se tornando regras e ditames morais. Os intelectuais serão cada vez mais relativistas e imorais e, por este motivo, defenderão com unhas e dentes as utopias mais irracionais, desde que sirvam para o deleite de suas realizações psíquicas e emocionais, o que se torna critério máximo de felicidade.

sábado, 13 de maio de 2017

OUT IN THE OPEN - A ONU/UNESCO promovendo a Ideologia de Gênero*

Por Ana Mônica Jaremenko*

Clique AQUI e leia
 OUT IN THE OPEN na íntegra.
Poucas pessoas sabem e muitas não acreditam - MAS É VERDADE! - que a agenda da ideologia de gênero é promovida pela ONU.

A UNESCO publicou, em 2016, um documento intitulado OUT IN THE OPEN, estabelecendo mecanismos de doutrinação LGBT em todas as escolas do mundo, usando como desculpa a violência e o bullying, No documento, a UNESCO mascara o termo Ideologia de Gênero com uma nova definição - Construção Social. Usa de termos como "inclusão social", "educação inclusiva e compreensiva", e outros mais, visando sensibilizar a opinião pública sobre o assunto, induzindo ao engano.

Neste link - https://goo.gl/p5cCtB - o resultado de pesquisa que realizei na própria página da UNESCO para melhor explorar do assunto.

Obs:. Não encontrei as informações em português. somente em inglês, francês, espanhol, russo, chinês e japonês.

Circula na internet uma petição contra esse projeto da ONU/UNESCO. Incentivo todos a assinar.

* Eu sou Ana Mônica Jaremenko, escritora (poeta e cronista), ativista política, blogueira, gestora de mídias sociais e corretora de imóveis. Administradora, dentre outros, do blog Simplesmente Fedora. Fedora é meu heterônimo para assuntos políticos.

Graça e paz!

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Colégio Americano de Pediatria afirma: Ideologia de Gênero é prejudicial às crianças*

Michelle A. Cretella, M.D.¹
Paul McHugh, M.D.²
Quentin Van Meter, M.D.³

O Colégio Americano de Pediatria insta os educadores e legisladores a rejeitarem todas as políticas que condicionam as crianças a aceitarem como normal uma vida de representação química e cirúrgica do sexo oposto. Fatos - não ideologia - determinam a realidade.

1. A sexualidade humana é um traço binário biológico objetivo: "XY" e "XX" são marcadores genéticos de machos e fêmeas, respectivamente - não marcadores genéticos de uma doença.

A norma para a concepção humana é ser masculino ou feminino. A sexualidade humana é originalmente binária, com a finalidade óbvia de garantir a reprodução e a sobrevivência de nossa espécie. Este princípio é auto-evidente. Os distúrbios extremamente raros do desenvolvimento sexual (DSD's), incluindo mas não limitados à feminização testicular e hiperplasia adrenal congênita, são todos desvios medicamente identificáveis ​​da norma binária sexual e são reconhecidos como desordens de formação genética. Indivíduos com DSD's não constituem um terceiro sexo.

2. Ninguém nasce com um gênero. Todo mundo nasce com um sexo biológico. Gênero (uma consciência e sentido de si mesmo como homem ou mulher) é um conceito sociológico e psicológico; não é um conceito biológico.

Ninguém nasce com uma consciência de si mesmo como homem ou mulher; Essa consciência se desenvolve ao longo do tempo e, como todos os processos de desenvolvimento, pode ser provocado pelas percepções subjetivas, relações e experiências adversas da criança desde a infância. As pessoas que se identificam como "sentindo-se como do sexo oposto" ou "em algum lugar entre" não compreendem a um terceiro sexo. Eles permanecem homens ou mulheres, de acordo com o sexo com que foram biologicamente formados.

3. A crença de uma pessoa de que ele ou ela é algo que eles não são é, na melhor das hipóteses, um sinal de pensamento confuso.

Quando um menino biologicamente saudável acredita que é uma "menina", ou uma menina biologicamente saudável acredita que é um "menino", existe um problema psicológico objetivo que está na mente e não no corpo e que deve ser tratado como tal. Essas crianças sofrem de disforia de gênero. A Disforia de Gênero (GD), anteriormente classificada como Transtorno de Identidade de Gênero (GID), é um transtorno mental reconhecido na edição mais recente do Manual de Diagnóstico e Estatística da Associação Americana de Psiquiatria (DSM-V). As teorias psicodinâmicas e sociais de aprendizagem do GD/GID nunca foram refutadas.

4. A puberdade não é uma doença e os hormônios bloqueadores da puberdade podem ser perigosos.

Reversíveis ou não, os hormônios bloqueadores da puberdade induzem um estado de doença - a ausência de puberdade - e inibem o crescimento e a fertilidade em uma criança anteriormente biologicamente saudável.

5. De acordo com o DSM-V, até 98% de meninos e 88% de meninas confusos em relação ao próprio gênero acabam por aceitar o seu sexo biológico depois de passar naturalmente pela puberdade.

6. Crianças que usam bloqueadores da puberdade para personificar o sexo oposto necessitarão usar hormônios sexuais no final da adolescência. Os hormônios sexuais cruzados (testosterona e estrogênio) estão associados a perigosos riscos para a saúde, incluindo mas não se limitando a pressão alta, coágulos de sangue, acidente vascular cerebral e câncer.

7. As taxas de suicídio são vinte vezes maiores entre os adultos que utilizam hormônios sexuais cruzados e submetidos a cirurgia de reatribuição do sexo, mesmo na Suécia, que está entre os países de maior afirmação LGBQT.

Que pessoa compassiva e razoável condenaria as crianças a esse destino sabendo que, após a puberdade, 88% das meninas e 98% dos meninos acabariam por aceitar a realidade e alcançar um estado de saúde mental e física?

8. Condicionar as crianças a acreditarem que uma vida inteira de personificação química e cirúrgica do sexo oposto é normal e saudável é abuso infantil.

Endossar a discordância de gênero como normal via educação pública e políticas legais confundirá crianças e pais, levando mais crianças a procurarem "clínicas de gênero", onde receberão drogas bloqueadoras da puberdade. Isso, por sua vez, garante praticamente que eles "escolherão" uma vida de hormônios sexuais carcinogênicos e tóxicos, e provavelmente considerarão submeterem-se à mutilação cirúrgica desnecessária de suas partes saudáveis ​​do corpo ao chegarem à fase adulta.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

A teoria do pai ausente vai muito além de uma simples brincadeira*

Por Ricardo Bordin*

Tudo começou com uma constatação inequívoca do perfil no Twitter “Editora Humanas”: praticamente toda pessoa que publicava posts manifestando posição contrária ao impeachment de Dilma, criticando os Bolsonaro, pregando o socialismo, tremulando a bandeira do feminismo, pedindo votos em Marcelo Freixo, clamando pela legalização dos entorpecentes (enfim, bancando o idiota útil da Esquerda), já havia, em algum momento de seu passado (ou até na mesma postagem), maldito os próprios pais ou queixando-se de sua ausência em suas vidas, por meio de alguma mídia social. O percentual de casos verificados com esta coincidência foi tão significativo que acabou gerando um “spin-off” daquele perfil, o @meupaiausente. Só que tal ocorrência, infelizmente, não se trata tão somente de uma surpreendente casualidade, mas sim do resultado prático de décadas de doutrinação marxista, a qual, por meio de diversos instrumentos ideológicos, ataca a família tradicional incessantemente. O cenário atual no Brasil não poderia, pois, ser diferente.

Que a ausência dos pais pode comprometer a saúde emocional dos filhos não é novidade alguma. O que impinge aqueles que buscam o agigantamento do aparato estatal a usarem estas pessoas carentes como ferramentas, em busca de seu propósito máximo, é que precisa ser elucidado. Marilena Chauí nos fornece algumas pistas quando assevera que aqueles que defendem a família são “bestas”, e que os pais são “déspotas de sua prole”. Se ela assim afirma, é sinal de que a família representa um obstáculo para o arranjo social que ela gostaria que fosse implantado. Mais do que isso: a estrutura familiar é o último sustentáculo da civilização ocidental, e já não é mais possível prever por mais quanto tempo poderá resistir ao empuxo “progressista”.

O amadurecimento do indivíduo passa, necessariamente, por uma fase de dependência familiar, onde ele ainda não possui maturidade suficiente para fazer escolhas por conta própria. Neste período, portanto, ele não deve dispor da liberdade para traçar os próprios rumos, e deve subordinar-se às decisões tomadas por seus pais, com um grau mínimo de ingerência própria. Com o avanço da idade, é natural que a pessoa, por meio da experimentação e do acúmulo de conhecimento prático, desconecte-se, gradativamente, da “barra da saia” da mãe, passando a assumir as consequências por seus erros e a auferir os louros de suas conquistas.

Quando este processo é interrompido ou sequer tem início, há grande chance de esse indivíduo procurar esta referência paternal em alguma outra figura abstrata ou concreta. E já que o governo não pode ver ninguém sofrendo que já fica alvoroçado, é claro que ele vai se oferecer para “tomar conta” desses pobres coitados, assumindo a função de “babá”. Só que esta pessoa adotada pelo Estado precisa entender que este papai tem muitos outros filhos órfãos sob sua tutela, e, portanto, ela deve submeter-se ao interesse coletivo de todos os demais desamparados recolhidos.

1984, de George Orwell
Ademais, ele não deve almejar sua independência jamais, pois tal ato de rebeldia colocaria em risco a subsistência dos demais maninhos. Caso insista na pirraça, deverá ser castigado, como medida pedagógica, emitindo um aviso aos demais membros da grande família estatal. Assim, todos devem trabalhar em prol da comunidade, sob a orientação do generoso padrasto, permitindo que ele esquadrinhe cada aspecto de sua vida, determinando desde sua alimentação até o que ele vai assistir na TV. Sim, é exatamente o que parece: o totalitarismo encontra forte resistência na família, e a forma mais eficaz de subjugá-la é, na verdade, tomando seu lugar e assumindo suas funções. Não à toa, no livro 1984, de George Orwell, o indivíduo é criado pelo estado, e a família serve apenas para procriação.

Ou seja, a destruição do modelo de família tradicional é o primeiro passo para instalar a desordem social que servirá de base para esta revolução cultural – e isso já está acontecendo bem diante de nossos olhos. Karl Marx, em seu medonho Manifesto Comunista, considera o núcleo da “família burguesa” uma instituição que precisa ser abolida, pois, segundo consta, ela seria baseada somente no capital – homens exploram mulheres, pais exploram crianças. Interessante notar que, vendo a questão por este ângulo, os marxistas simplesmente desconsideram que tais pessoas permanecem ligadas por laços afetivos. Será que Marx também ficaria famoso no @meupaiausente se houvesse twitter aquela época? Bem provável.

Assim sendo, não basta aos revolucionários catarem somente os frutos que caem da árvore; isto é, não é suficiente cooptar para seu exército de desocupados apenas aquelas pessoas que, por motivos de ordem diversa, não possuem vínculos familiares sólidos. Não mesmo. Eles precisam atacar também aquelas que são membros de famílias estáveis e felizes (até então), e voltá-las contra seus irmãos e genitores. Desta forma, o “monopólio da generosidade” fica na mão do Estado.

Entenda: se eu precisar de socorro financeiro, por exemplo, posso recorrer a algum dos meus parentes; mas se eu mal olho na cara deles, quando vier a atravessar uma situação de penúria, precisarei aceitar ajuda estatal (bolsa família, seguro-desemprego, subvenções para cursar faculdades e adquirir moradia, e por aí vai). Extrapolando os efeitos desta lógica para todas as situações da vida em que demandamos auxílio de terceiros, passa a ser aceito com naturalidade que o Estado cresça até níveis insuportáveis pelos pagadores de impostos – sempre em nome do “social”, que nada mais é do que socorrer pessoas em necessidade, como descrito no exemplo. Quando a família não mais pode prover abrigo material e psicológico para seus entes (ou mesmo existir), os camaradas surgem como o último recurso, a mão estendida, o ombro amigo. E pense em um ombro caro.

Como provas do sucesso parcial alcançado por este pessoal “gente boa” que quer prestar serviços terceirizados de caridade, estão aí o aumento do número de divórcios; o avanço dos defensores do assassinato de bebês; o crescente número de idosos abandonados; a ridicularização, em filmes e seriados, do homem ocidental como provedor da família; a ideologia de gênero ganhando terrenX; o feminismo cada vez mais convencendo mulheres de que seus maridos são seus inimigos, que seus filhos (quando são gerados) são estorvos em suas vidas, e que colecionar parceiros sexuais em profusão faz parte da luta pela libertação feminina; os “educadores” estatais declarando descaradamente que cabe a eles decidir o que deve ser ensinado a nossas crianças – e lecionando, claro, tudo o que consta em sua agenda enviesada politicamente; o vício em drogas destruindo famílias como um verdadeiro tsunami.

Roger Scruton
A propagação do relativismo moral e a flexibilização dos sensos de justiça e de honra contribuem para erigir um império de conflito e agitação, propício para aqueles que buscam corromper a ordem natural das coisas e lançar por terra tudo o que tirou a humanidade da barbárie do período pré-civilizatório. Roger Scruton, em artigo recentemente publicado, abordou essa necessidade de desapego do mundo real na busca pelo igualitarismo:
“Dessa forma, para Žižek (stalinista), o pensamento cancela a realidade, quando o pensamento está “à esquerda”. O que você faz importa menos do que o que você pensa estar fazendo, dado que o que você pensa estar fazendo tem o objetivo principal de emancipação – de égaliberté, como colocou o teórico marxista Étienne Balibar. O objetivo não é igualdade ou liberdade no sentido qualificado em que você ou eu entendemos esses termos. É a igualdade absoluta (com um pouquinho de liberdade, se você tiver sorte), que, por sua natureza, só poderá ser atingida por meio de um ato de total destruição. Buscar esse objetivo também pode significar reconhecer sua impossibilidade – não é a isso que equivalem esses projetos “totais”? Não importa. É precisamente a impossibilidade da utopia que nos prende a ela: nada pode macular a pureza absoluta do que jamais será testado”.
Russel Kirk
19 out. 1918 - †29 abr. 1994
Sendo a família considerada a mais importante célula da sociedade, já que através dela que aprendemos a perceber o mundo e a nele nos situarmos, formando nossa identidade e dando início ao processo de socialização do indivíduo, ela não poderia deixar de ser a primeira vítima daqueles que buscam subverter o status quo. Ataque-a, e tudo o mais virá abaixo, facilitando o trabalho dos inimigos dos valores e princípios conservadores. Russell Kirk costumava afirmar que uma sociedade amoral é uma sociedade caótica, e que “independentemente do sistema político vigente, uma sociedade em que homens e mulheres conheçam as normas e respeitem as convicções de “certo” e “errado”, sempre será uma boa sociedade. Entretanto, seres humanos voltados apenas para a “gratificação de seus apetites”, produzirão uma sociedade ruim”.

Adulterar as fases do amadurecimento do indivíduo tem se mostrado, até então, uma das estratégias mais eficientes adotadas com este intuito de convulsionar a sociedade. Expondo crianças ao sexo precoce em sua infância, e privando-lhes, destarte, de uma etapa essencial de seu desenvolvimento emocional, verdadeiro alicerce do ser humano que será formado ali na frente, torna-se improvável que ele venha a reunir condições de constituir uma família.

O resultado que se costuma observar são pessoas buscando eternamente esta etapa perdida de suas vidas, sem conseguir portarem-se como adultos, e, claro, sem demonstrar a estrutura psicológica necessária para responsabilizar-se pelo bem estar de outras pessoas – exatamente em que consiste ser arrimo de família. Adicionem-se neste caldo os filhos de adolescentes (alguns deles gerados dentro da escola – literalmente), advindos dessa mesma deturpação de padrões e costumes, e está pronto o preâmbulo de tantas histórias de “pai ausente” em nosso país. Ainda bem que a “creche estatal” sempre mostra-se solícita em acolher estas eternas crianças que sentem falta dos pais, não é mesmo? Essa indústria de massa de manobra é a única no Brasil que não sofre os efeitos da crise…

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

A Farsa da Ideologia de Gênero*

Programa de TV denuncia falsidade da teoria e obriga Conselho Nórdico de Ministros a cortar fundos para as pesquisas de gênero.
Por Equipe Christo Nihil Praeponere*

Harald Eia
Um golpe devastador para a "Ideologia de Gênero": o Conselho Nórdico de Ministros – uma organização de cooperação interparlamentar entre Noruega, Suécia, Finlândia, Dinamarca e Islândia – decidiu cortar fundos para o Instituto Nórdico de Gênero (NIKK, na sigla sueca). As pesquisas conduzidas pelo NIKK lançaram as bases para as políticas sociais e educacionais que, a partir dos anos 1970, transformaram os países nórdicos nas sociedades com a maior "igualdade de gênero" do mundo.

A decisão foi tomada depois que um documentário norueguês, chamado Hjernevask ("Lavagem Cerebral", em português) expôs a farsa das pesquisas de gênero, em 2010. O sociólogo e humorista Harald Eia estava intrigado com o fato de que, não obstante os constantes esforços de engenharia social para remover os chamados "estereótipos de gênero", mulheres continuavam a optar por profissões tipicamente femininas e homens continuavam atraídos por carreiras masculinas. De fato, ao invés de as políticas de gênero reverterem esse quadro, as diferenças só se tinham acentuado ainda mais.

Harald Eia entrevista
Jørgen Lorentzen, do NIKK
Então, ele se dirigiu à Universidade de Oslo para entrevistar nomes como Cathrine Egeland e Jørgen Lorentzen, ambos "especialistas" do Instituto Nórdico de Gênero. Depois, levou as suas respostas a outros renomados cientistas ao redor do mundo – principalmente nos Estados Unidos e no Reino Unido –, pedindo a eles que comentassem as descobertas de seus colegas noruegueses. Como era de se esperar, as teses provocaram risos e incredulidade na comunidade científica internacional – especialmente porque seus estudos eram baseados em mera teoria, sem base em qualquer pesquisa empírica. Harald filmou as suas reações, voltou à Noruega e mostrou tudo aos pesquisadores do NIKK. Confrontados com a verdade científica, os estudiosos ficaram atônitos, absolutamente incapazes de defender a sua teoria.

A farsa do gênero foi exposta ao ridículo na TV e na Internet, quando o programa em inglês, sob o nome Brainwash, ganhou fama no mundo inteiro. Os cidadãos da Noruega começaram a se perguntar por que era necessário um investimento tão alto – e com dinheiro dos contribuintes – para uma ideologia sem nenhum crédito científico.

Como consequência, o Conselho Nórdico de Ministros cortou mais da metade dos fundos que eram gastos com as pesquisas de gênero, ainda no ano de 2011. Foi determinado também que apenas dois membros permanentes da equipe poderiam receber investimentos do Conselho. O NIKK chegou a ser dissolvido, migrando para a Suécia, onde passou a chamar-se "Informação Nórdica sobre Gênero".

Ainda que os estudiosos e pessoas ligadas à promoção da Teiria de Gênero neguem, o documentário norueguês desempenhou um papel importante no corte de fundos para o NIKK. Em 2010, foram travados vários debates públicos na Noruega, mencionando a influência do programa Brainwash. O político Henning Warloe, do partido conservador norueguês Høyre, chega a afirmar que "as escolas da Noruega hoje têm falhado, não levando em conta as grandes diferenças biológicas existentes entre homens e mulheres, como as pesquisas têm comprovado".

Hjernevask - Lavagem Cerebral
Clique AQUI e assista aos 7 episódios da série.
O primeiro episódio da série apresentada por Harald Eia é bem conhecido e fala justamente sobre o paradoxo da igualdade de gênero.

A Noruega já entendeu a mentira por trás da Teoria de Gênero. Que não demore muito para que o Brasil e o resto do mundo abram os olhos.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Ideologia de Gênero: pensemos acima de tudo nas crianças*

Por João Luiz Mauad*

Antes da mais nada, gostaria de alertar para o fato de que o comentário abaixo não tem nada a ver com liberalismo, conservadorismo ou esquerdismo, mas com psicologia, sociologia, antropologia e biologia. Sim, eu sei que a ideologia de gênero é uma tese abraçada por alguns setores da esquerda, mas não é disso que pretende tratar esse texto.

O UOL publicou ontem [17 out. 2016] uma matéria [leia AQUI] em que destaca um casal e seu filho (ou filhx, como alguns gostam de dizer) de dois anos, criado de acordo com a mais estrita igualdade de gênero. Segundo a matéria,
"Mica tem dois anos e apenas os cuidadores, como os seus pais biológicos preferem ser tratados, sabem o seu sexo. Um dia, a criança sai com um vestido rosa cheio de babados e, no seguinte, com um bermudão azul. Fora o visual, nem mesmo o nome de Mica entrega seu gênero de nascimento, porque a educadora Mariana Vieira Carvalho, 29, escolheu um nome que soasse neutro. 
(…) 
Mariana, ao lado de Raul Almeida Carvalho, 31, decidiu que a neutralidade tinha de vir desde o nome de registro. “Foi difícil porque não há muitas opções contemporâneas. E a gente teve o cuidado de não colocar nenhum nome que pudesse causar um constrangimento futuro.”"
Para dar respaldo à matéria, a reportagem foi buscar a palavra do terapeuta sexual Breno Rosostolato, professor da Faculdade Santa Marcelina, em São Paulo. De acordo com o especialista, nomear uma criança com um termo que não entregue o sexo de nascimento ajuda a criar uma pessoa mais livre dos estereótipos de gênero, mas não é o bastante.
“A criança precisa ter condições de se representar do jeito que ela quiser e principalmente ter essa representação respeitada”.
O terapeuta diz ainda que, aos cinco anos, uma pessoa já tem compreensão de si para se dizer homem ou mulher. “E se a criança cresce em um ambiente que respeita essa expressão dela por um gênero, isso dá forças para enfrentar preconceitos. A criança eventualmente vai sofrer, mas com o apoio dos pais tudo se torna mais fácil”.

Ora, independentemente de qualquer argumento científico e do wishfull thinking dos experts, é inegável que (ainda) vivemos numa sociedade repleta de padrões e vinculada a um sem número de tradições. Viver fora desses padrões ou desrespeitar certas tradições pode ser muito difícil, até doloroso, eu diria, principalmente para as crianças, que ainda não desenvolveram defesas suficientes contra o preconceito – principalmente o preconceito oriundo da convivência com outras crianças, as quais ainda não desenvolveram freios que impeçam a discriminação escancarada.

Portanto, o que os pais daquela criança estão fazendo é uma violência contra seu filho/filha, não importa quão bem intencionados estejam – sim, eu me recuso a pensar que estejam fazendo isso com aquela criança apenas para obter seus 15 minutos de fama, como afirmam alguns.

No mais, pesquisas científicas sérias (não citadas nem de raspão na matéria) comprovam que as escolhas individuais relacionadas a profissões, brincadeiras, etc. são influenciadas principalmente por aspectos biológicos (genéticos e hormonais), além da cultura e da educação. Quem tiver interesse em aprofundar-se no tema, sugiro que comece assistindo a este documentário [assista AQUI], não por acaso produzido na Noruega, pátria mãe da chamada ideologia de gênero. Vale cada minuto.

Ademais, fica aqui o meu apelo: independentemente das suas certezas, pensem no sofrimento que vocês podem impor aos seus pequeninos quando resolverem educá-los muito fora dos padrões e tradições de determinado lugar.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Goiás: governo impõe ideologia de gênero por decreto*

Por Orley José da Silva*

Marconi Perillo
Governador do Estado de Goiás
2015-2018
O governador Marconi Perillo (PSDB, foto), no dia 4 deste mês [ago. 2016], tomou a decisão de assinar o Decreto nº 8.716/2016 que autoriza a utilização do nome social por pessoas travestis e transexuais em quaisquer serviços públicos ofertados pela administração direta e indireta do Poder Executivo, que inclui os serviços conveniados. Sim, um decreto. Nada de encaminhar a matéria para ser discutida e votada pela Assembleia Legislativa.

Esta seria a maneira democrática de tratar de um tema que embora tenha aparência de simples, é complexo e não consensual porque insere uma cunha na estrutura da cultura tradicional da sociedade. Além do mais, essa medida menor tem a função estratégica de abrir fendas por onde outras demandas que fazem parte do elenco de propostas da revolução cultural empreendida pelos estudos de gênero líquido venham a ser, finalmente, implementadas na sociedade por através de políticas públicas.

O decreto do governo goiano é similar ao Decreto Presidencial nº 8.727/2016, assinado no dia 28 de abril pela presidente Dilma Rousseff, num de seus últimos atos na Presidência da República. A própria presidente, que nos dois mandatos teve como uma de suas principais bandeiras justamente a implementação das políticas do gênero múltiplo, guardou enquanto pôde esse decreto na gaveta para não minar ainda mais sua frágil sustentação política. 

Depois de publicado, o decreto de Dilma causou muita contrariedade nas lideranças católicas e evangélicas do país e motivou o pedido de revogação do mesmo através da Câmara dos Deputados. Para atender a esse interesse, o deputado João Campos (PRB-GO) encabeçou a assinatura do decreto legislativo (PDC 395/2016), subscrito por 28 deputados católicos e evangélicos de 10 partidos políticos. Resta saber se há deputados estaduais goianos, com a mesma motivação, dispostos a tomarem a mesma iniciativa de revogação do decreto do governador.

Decreto nº 8.716, de 04 de agosto de 2016.
Clique na imagem para ampliar.
Propostas similares de decreto, patrocinadas pelo fortíssimo lobby dos movimentos de militância em gênero, têm sido oferecidas aos estados e às prefeituras, principalmente capitais e cidades de grande e médio porte. Mas a adesão é baixíssima porque governadores e prefeitos se recusam a interferir, por decreto, nos majoritários interesses do substrato cultural cristão. Marconi Perillo (PSDB) é apenas o terceiro governador do país que decidiu adotar essa mesma política de gênero, depois de Tarso Genro (PT), em 2012, no Rio Grande do Sul e Simão Jatene (PSDB), em 2013, no Pará.

A estratégia da militância de gênero de fazer com que o Executivo decrete suas pautas políticas, visa fugir do trâmite regimental das casas legislativas onde suas demandas nunca prosperam. Isto porque os parlamentares tendem a reproduzir o conservadorismo predominante na sociedade. Essas políticas somente avançam com o favor das estruturas de governo que as beneficiam por meio de decretos, portarias, resoluções e pareceres. Contam também com o favorecimento de decisões judiciais.

O fato de ter conseguido emplacar esse decreto num estado conservador como é o caso de Goiás, representa além de vitória simbólica, uma extraordinária arma de propaganda para a militância de gênero. Justamente porque Goiás é reconhecido como um dos estados do país com maior percentual de evangélicos e também de católicos praticantes, conforme atesta o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No estado, estão sediadas algumas das principais igrejas e missões brasileiras que estendem suas congregações pelo país e pelo mundo. Em Trindade, inclusive, acontece anualmente a segunda maior festa religiosa católica do país e uma das maiores do mundo.

De posse desse importante trunfo propagandístico, o lobby de gênero certamente potencializará seus argumentos para convencer prefeitos do interior de Goiás a replicarem nos municípios a decisão do governo estadual, além de usar o exemplo daqui para quebrar a resistência dos outros governadores. Cada vez mais será defendida a tese segundo a qual o que não se consegue em votação num legislativo conservador, impõe-se pela canetada do executivo.

Mas Goiás tem já uma tradição de pioneirismo no apoio às demandas de gênero. Em 2008 o governador Alcides Rodrigues assinou o decreto 6.855/2008, que fez de Goiás o primeiro estado a criar um Conselho Estadual LGBTTT. Tanto o decreto de 2008 quanto o de 2016 tiveram o protagonismo da Secretaria Estadual da Mulher, do Desenvolvimento Social, da Igualdade Racial, dos Direitos Humanos e do Trabalho (Secretaria Cidadã).

Esta é a mais importante secretaria estadual para o desenvolvimento das políticas sociais do governo. Por outro lado, a Secretaria Cidadã cumpre a função política de apaziguar, beneficiar e aproximar o governo estadual de sindicatos, grupos LGBTTT, Feminista, Afro, e organizações afins. Para tanto, esses grupos influenciam diretamente em boa parte das políticas sociais da pasta. Também, durante os governos Lula e Dilma, a secretaria serviu para Goiás estabelecer parcerias com o Governo Federal que aproveitou para financiar e aprofundar as políticas culturais e sociais do seu interesse.

Um dos efeitos dessa parceria é a quase regular realização de cursos gratuitos de capacitação nas teorias de gênero para servidores públicos do estado e dos municípios. Esses cursos, além de quebrar a resistência social sobre o assunto, têm a finalidade de fazer multiplicadores e treinar os servidores para o atendimento à população de acordo com a perspectiva da ideologia de gênero e dos movimentos sociais.

Um dos cursos teve a duração de 180 horas e foi realizado em 15 encontros aos sábados, de 8:00h às 17:00h, entre os dias 22 de agosto e 28 de novembro de 2015. Foram treinadas em gênero somente nesta etapa 2.500 pessoas (enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, advogados, professores, administradores, políticos, policiais, além de conselheiros tutelares) em 10 cidades polo: Campos Belos, Catalão, Goiânia, Goiás, Itumbiara, Jataí, Luziânia, Posse, Porangatu e Uruaçú.

Perspectiva de gênero adotada em curso da
Secretaria de Cidadania do Estado de Goiás.
Clique na imagem para ampliar.
O avanço da aplicação na sociedade das ideologias relativas ao gênero não binário encontra oposição na resistência cristã não somente no Brasil mas em outras partes do mundo. Nesse embate, a manipulação da linguagem e do discurso constitui-se em importante estratégia de (re)formação do imaginário coletivo. É nesse contexto que os cristãos têm sido acusados de parciais e preconceituosos ao supostamente servirem de entrave para a emancipação das minorias sexuais e familiares. No entanto, somente compreende os motivos para esse discurso de resistência quem acompanha a emergência e o protagonismo dessa política cultural no mundo. 

A ressignificação do termo gênero (descolando-o do conceito de sexo masculino e feminino e mudando discriminação sexual para discriminação de gênero) foi acatada pela Organização das Nações Unidas (ONU) como política de direitos humanos para as nações a partir das conferências para as mulheres, em Pequim (1995) e Yogyakarta (2006). Desde então, a política de gênero tem sido imposta aos países por meio das agências da ONU para a saúde, cultura, educação e direitos humanos, além de clausulas impositivas em contratos dos bancos de fomento e desenvolvimento para as nações.

A intenção da ONU não é humanitária, no sentido de atender as particularidades das minorias familiares e sexuais. E é lamentável que pessoas sofram e sejam enganadas com políticas que supostamente as beneficiem. Como pode ser constatado nos documentos da própria ONU e também nos depoimentos, entrevistas, livros e teses dos principais defensores dessa causa no mundo, a atual política de gênero constitui-se em importante ferramenta para a premeditada corrosão, por dentro, da sociedade ocidental. A existência de um modelo de sociedade fundamentado na moral judaica e cristã não interessa ao propósito de construção da Nova Ordem Mundial que está em curso.

O Brasil foi um dos primeiros países a adotar essa política de gênero da ONU. O decreto presidencial 7.037 assinado por Lula em 21 de dezembro de 2009, criou o Plano Nacional de Direitos Humanos 3 (PNDH-3). Na seção de Ações Programáticas, no Objetivo Estratégico 5, o documento apresenta a seguinte prioridade: “Reconhecer e incluir nos sistemas de informação do serviço público todas as configurações familiares constituídas por lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, com base na desconstrução da heteronormatividade.”

O reconhecimento social das famílias alternativas certamente não seria questionado pelo conjunto dos cristãos, caso a recomendação da ONU e também do PNDH-3 não exigisse a desconstrução da normalidade do sexo masculino e feminino e também do casamento heterossexual. Esse é o ponto de discórdia.

Estamos diante da imposição de uma ação ideológica de gênero que se dá em cadeia hierárquica: a ONU e algumas outras instituições e organismos interdependentes promovem a difusão e o financiamento dessa política às nações; as nações, pela vez delas, veem-se obrigadas a fazem o mesmo com suas unidades administrativas. Portanto, não há como dissociar o decreto do governador e as políticas da Secretaria Cidadã, bem como da Secretaria Estadual de Educação, desse contexto.

Em se tratando da promoção da ideologia de gênero em Goiás, não se pode ignorar a participação ainda mais dedicada e efetiva da Prefeitura de Goiânia, particularidade que esse artigo não se propôs a tratar.

Para concluir, ofereço aos leitores dois apêndices para reflexão: o primeiro, para dizer que os eleitores são reféns da desorganização partidária brasileira. Diferente do modelo predominante nas democracias mais amadurecidas, a maioria dos partidos políticos daqui não têm linha ideológica e/ou doutrinária definida. Em vista disso, os eleitores ficam à mercê do estelionato eleitoral porque nunca têm a garantia de que os políticos não os trairão mudando seus discursos depois de eleitos.

O segundo, é para opinar que o ministro cristão não deveria oferecer apoio irrestrito aos governantes, nem se associar a eles em negócios políticos, ainda mais quando o faz em nome da Igreja. A própria Igreja tem consistentes motivos históricos para desaconselhar essa prática. Além da oração e do aconselhamento sincero e imparcial, sua postura política deveria ser de fiel da balança em favor da justiça social, da austeridade e correção das práticas de governo. Sobretudo, na defesa intransigente e inegociável dos valores éticos e morais da fé cristã. Estes são cuidados necessários para que a Igreja não seja forçada pela conveniência política a relativizar seus valores, abandonar ou negligenciar as prioridades do Reino de Deus, selecionar a mensagem da pregação e silenciar a voz profética que denuncia o erro.


* Orley José da Silva, é professor em Goiânia, Goiás,
Brasil, mestre em letras e linguística (UFG) e
mestrando em estudos teológicos (SPRBC).


sábado, 8 de outubro de 2016

O problema do ensino da ideologia de gênero nas escolas*


Por Orley José da Silva*

O tema da Ideologia de Gênero ganhou notoriedade a partir de 2013 com as discussões promovidas no Congresso Nacional sobre a inclusão ou não deste assunto no Plano Nacional de Educação. Com a recusa de inseri-lo no texto do PNE pela maioria dos deputados e senadores, esta demanda foi transferida no final de 2014 pelo Ministério da Educação para as discussões dos planos educacionais regionais dos estados e municípios.

A maioria dos parlamentos estaduais e municipais, no entanto, seguiram a mesma decisão do Congresso Nacional. Mesmo assim, o MEC, juntamente com universidades e o mercado editorial de livros didáticos e paradidáticos, resolveram bancar a propagação dessa ideologia nas escolas. Hoje, este ensino está presente na Educação Infantil, no Ensino Fundamental e do Ensino Médio, na maioria das escolas brasileiras, não somente públicas, mas também particulares e confessionais.

Vale ressaltar que os atuais estudos de gênero têm o patrocínio das Organizações das Nações Unidas, da Comunidade Europeia e do atual governo dos Estados Unidos, além de agências internacionais de saúde, direitos humanos e educação que se destinam ao financiamento de projetos ligados à mulher, à criança e ao adolescente. O governo brasileiro, nas administrações Lula e Dilma elevaram à implantação da ideologia de gênero no sistema educacional à condição de política de Estado, sobretudo a partir do Plano Nacional de Direitos Humanos 3, (PNDH-3) de 21 de dezembro de 2009.

Esse esforço global, no qual o Brasil se insere como um dos protagonistas, tem pretensões de controle populacional, de reconfiguração do que se pensa acerca de pessoa humana, família, além da mudança de eixo civilizatório. Neste caso, em se tratando de mundo ocidental, para sair do modelo de sociedade construído historicamente pelas culturas judaica e cristã.

A Ideologia de Gênero desconsidera o determinismo biológico e psicológico para quem os seres humanos são diferenciados em dois sexos: masculino e feminino. Para esse campo de estudos, portanto, a genitália trazida ao nascimento não é indicativa de homem ou mulher. Estes seriam conceitos de papeis criados pela cultura, sociedade e momento histórico vivido pela pessoa. Essa ideologia retira do seu vocabulário a palavra sexo (que designa masculino e feminino) para substituí-la por gênero, por se tratar de uma palavra capaz de abarcar algumas dezenas de papeis sociais que uma única pessoa poderia assumir durante a vida.

Em vista disso, as crianças deveriam ser criadas e educadas de forma “neutra” para que elas mesmas escolham ou percebam o(s) gênero(s) no futuro. Inclusive, roupas, cores, brinquedos e banheiro deveriam ser compartilhados igualmente pelas crianças, sem as conhecidas diferenciações sexuais marcadas pela cultura tradicional.

Faz parte desta política de gênero afastar compulsoriamente a família da responsabilidade de educar os filhos, para assumir o seu lugar, por meio da escola. Esta política acredita que a família não é preparada para a orientação sexual e familiar dos filhos. Isto porque não acompanha as mudanças sociais, é portadora de tabus e preconceitos (leia-se valores éticos e morais da fé cristã) arraigados em função da influência que recebe da tradição familiar e religiosa.

Essa ideologia apropriou-se muito bem do discurso politicamente correto ao colocar-se como protetora das mulheres e das minorias sexuais e familiares. Mas este é um discurso falso que esconde a verdadeira intenção encontrada com facilidade em textos acadêmicos de seus teóricos: normalizar na mente das crianças, a partir da mais tenra idade, as diversas possibilidades de ajuntamento familiar e de parcerias sexuais. Ou seja, elas teriam quebradas as barreiras impostas pela cultura heteronormativa e pelo casamento monogâmico e poderiam contribuir para mudar a sociedade do futuro para este novo rumo, em no máximo duas gerações.

Não é à toa que essa ideologia vem recebendo forte oposição de grupos cristãos em diversas partes do mundo, visto que sua intenção é desconstruir a moral sexual e familiar cristã. Na dianteira deste confronto, está a Igreja Católica com a participação de teólogos, leigos e padres. Os dois últimos papas deram o duro tom de oposição a essa ideologia. O papa Francisco afirmou que a Ideologia de Gênero é uma ação diabólica que deve ser combatida com todo rigor pelos pastores do rebanho católico. Já o papa Bento XVI disse que a Ideologia de Gênero tem o objetivo de afrontar ao próprio Deus, porque desconstrói a identidade da pessoa humana (coroa da Criação); o casamento entre homem e mulher (instituído por Deus no Éden) e a Igreja (inaugurada na Cruz).

A igreja evangélica, mesmo fora do país, ainda trata do assunto com timidez. Uma parte desse comportamento pode ser creditada à crescente influência do liberalismo teológico e também à adesão da igreja à doutrina filosófica do politicamente correto. Duas das principais estratégias da academia humanista utilizadas com sucesso para calar a voz profética da Igreja e das suas lideranças. No Brasil, infelizmente, este importante assunto ainda não mereceu a devida atenção dos evangélicos. O principal motivo para esta quase alienação é, certamente, a subestimação por parte das expressivas lideranças evangélicas dos riscos que essa ideologia traz para o futuro da sociedade e da própria Igreja. Ainda são raras as igrejas, os ministérios, as denominações e as lideranças que se dispõem a preparar o rebanho de Cristo para enfrentar adequadamente esse audacioso projeto institucional de revolução sexual e familiar.

É digno de registo que nos últimos anos surgiram pastores e políticos interessados nesta causa, muitas vezes abastecidos pelas pesquisas acadêmicas voluntárias e solitárias, às próprias expensas, de evangélicos psicólogos, médicos, advogados, juízes de direito, procuradores, promotores, cientistas políticos e professores. O sentimento reinante entre eles é que, diante do baixo interesse da poderosa igreja evangélica brasileira por esse tema e da bem estruturada e azeitada agenda de implantação da ideologia nas escolas, é provável que já tenhamos ultrapassado o limite de tempo adequado para a completa superação desse quadro.


* Orley José da Silva, é professor em Goiânia, Goiás,
Brasil, mestre em letras e linguística (UFG) e
mestrando em estudos teológicos (SPRBC).


Os Ideólogos de Gênero*

Por Dale O’Leary*
Tradução de Ana Mônica Jaremenko

Em 1990, eu comecei minha pesquisa sobre a ideologia de gênero. No início, a maioria das pessoas, incluindo amigos e associados, realmente não enxergavam o problema. Tudo parecia muito estranho. Os ideólogos de gênero promoviam a ideia de que todas as diferenças - exceto as diferenças físicas, obviamente - eram construções sociais artificiais e poderiam e deveriam ser eliminadas para que homens e mulheres participassem de todas as atividades na sociedade em números estatisticamente iguais. A realidade biológica de macho e fêmea não deveria ter nenhum reconhecimento social. Quem poderia levar isto a sério? Todos não sabem que homens e mulheres são naturalmente diferentes?

A primeira exigência dos ideólogos de gênero foi a liberação do aborto, uma vez que o peso da gravidez recai apenas sobre as mulheres. Aborto permitiria que mulheres e homens fizessem sexo sem ter a possibilidade de ter que cuidar de uma criança como consequência. Outra exigência era para redefinir o casamento de modo que a diferença entre os sexos não deveria importar e dois homens ou duas mulheres poderiam chamar seus relacionamentos de "casamento". Apesar das evidências contrárias, os ideólogos insistiam que as crianças não precisavam de uma mãe e de um pai. Recentemente, tem havido um esforço para dizer que a biologia deve ser irrelevante e um homem, que pode ou não ter se submetido a uma alteração cirúrgica de sexo, pode decidir que ele é uma "mulher" e usar banheiros ou vestiários femininos. Não espere coerência daqueles que começam por negar a realidade.

Tenho o prazer de ver como as pessoas pró-família estão finalmente reconhecendo que, por trás de vários atentados contra a vida, o casamento e a realidade, há uma ideologia perigosa. Infelizmente, os ideólogos de gênero estão firmemente entrincheirado nas universidades e no governo e, assim, a batalha pelo senso comum é mais difícil do que poderia ter sido se o perigo tivesse sido reconhecido mais cedo.

Ainda assim, é encorajador ver meus escritos divulgados. É emocionante ver a próxima geração de defensores da verdade se levantando para continuar a batalha. Apesar das probabilidades, estou convencida de que, no final, a verdade prevalecerá.

Dale O’Leary é americana, de Rhode Island, autora do livro Gender Agenda: Redefining Equality (Agenda de Gênero – Redefinição da Igualdade); é mãe de quatro filhos e avó de doze netos, dirige a revista de internet The Factls.org, editada em Washington, D.C., que se dedica aos problemas da política social seja nos Estados Unidos, como no mundo. A revista é sustentada pela Fundação da Cultura da Vida (Catholic Family & Human Rights Institute). Publica também em seu blog What does the research really say? ...from the desk of Dale O'Leary. Atualmente vive na Flórida.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

“Gênero”- Uma Nova e Perigosa Ideologia*

Entrevista com Dale O’Leary, especialista em ideologia de gênero*
Por Centro da Família Coração de Jesus*

Dale M. O'Leary
*28 jan. 1941 - atual
O último século foi o período de uma justa luta das mulheres contra os abusos, tratamento injusto e humilhantes estereótipos. Como resultado dessa luta foram as leis, que garantiram às mulheres o status de igualdade. Porém, na década de 70 do século passado, sobre o movimento feminista começaram a exercer uma forte pressão das ideologias radicais que propagavam uma nova e revolucionária visão do homem. Essas ideologias fizeram com que a luta pelos direitos iguais das mulheres se tornassem apenas um pretexto para combater a assim chamada “família tradicional” e a maternidade, e apoiar a promiscuidade sexual. Por isso, as diversas instituições convocadas pelos países, com o propósito de assegurar a igualdade entre homens e mulheres, servem mais à propagação de ideias radicais feministas, do que à defesa dos verdadeiros interesses das mulheres e da sociedade. Uma dessas ideologias e amplamente propagada é a ideologia de gênero (gender).

A AGENDA DE GÊNERO
Redefinindo a Igualdade

Clique AQUI para o download
do livro condensado.
Dale O’Leary é americana, de Rhode Island, autora do livro Gender Agenda: Redefining Equality (Agenda de Gênero – Redefinição da Igualdade); é mãe de quatro filhos e avó de doze netos, dirige a revista de internet The Factls.org, editada em Washington, D.C., que se dedica aos problemas da política social seja nos Estados Unidos, como no mundo. A revista é sustentada pela Fundação da Cultura da Vida (Catholic Family & Human Rights Institute). Publica também em seu blog What does the research really say? ...from the desk of Dale O'Leary. Atualmente vive na Flórida.


A Entrevista

Centro da Família Coração de Jesus - CFCJ.
Dale O'Leary - DL.

CFCJ – Quais foram os objetivos iniciais dos movimentos feministas no Ocidente?
DL – De modo geral, podemos dizer que, na segunda metade do século XX, as sociedades ocidentais lutavam para conciliar a igualdade entre o homem e a mulher, respeitando as suas diferenças biológicas. Nos anos 60, as mulheres protestavam contra as leis e os costumes que faziam com que fossem tratadas de forma diferente dos homens. Em resposta a esses protestos, os governos dos países aprovaram leis que garantiam às mulheres a igualdade. As mulheres sabiam aproveitá-las bem rapidamente – aumentou o número das mulheres estudantes nas instituições de ensino superior, com capacidades profissionais e ocupando altos cargos governamentais.
CFCJ – Por que num certo momento a luta pelos direitos iguais das mulheres se transformou em luta contra os homens e a família?
DL – Nos anos 70, ao movimento feminista juntaram-se os radicais que consideravam as mulheres como protótipo da “classe oprimida” e a família, com a “heterossexualidade obrigatória”- instrumento de opressão. Esse movimento filosófico teve origem em Friedrich Engels e na sua análise do surgimento da família. Em 1884, Engels escrevia: “Na história, como primeiro antagonismo é preciso reconhecer o antagonismo entre o homem e a mulher no matrimônio monogâmico e como principal opressão – opressão da mulher pelo homem”. Shulamith Firestone, no seu livro “The Dialectic of Sex (Dialética do gênero), publicado em 1970, modificando a ideia da luta de classes, convoca à “revolução das classes do gênero” (sex-class revolution): “Para eliminar as classes do gênero, a classe submissa (mulheres) deve revoltar-se e assumir o controle da reprodução." Isto significa que o objetivo da revolução feminista não é somente a eliminação dos privilégios dos homens, o que foi objetivo do movimento feminista, mas a eliminação das diferenças entre os sexos; as diferenças entre os sexos não terão mais nenhuma importância.
CFCJ – Isso explica por que esse novo feminismo se posicionou não somente contra os homens, mas também contra a maternidade?
DL – Segundo Firestone, a essência da opressão da mulher é a maternidade e a educação dos filhos. Os que apoiam essa posição acham que o aborto desejado, a anticoncepção, a total liberdade sexual, o trabalho das mulheres fora de casa e permanências das crianças em creches sustentadas pelo estado são condições necessárias para a libertação das mulheres. Nancy Chodorow no livro “The Reproduction of Mothering” afirma que enquanto as mulheres cumprirem a função educativo-zeladora, as crianças vão crescer percebendo a humanidade dividida em duas classes e – segundo ela – desiguais. Esta seria a causa da tolerância da “opressão de classes”.
CFCJ – Isto significa que as feministas radicais querem que as crianças vivam sem família?
DL – Sim. O novo feminismo quer eliminar a família biológica. Alison Jagger, no livro usado nos cursos para as mulheres, mostra qual deveria ser o resultado desejado da revolução das classes de gênero: a “eliminação da família biológica eliminará também a necessidade da opressão dos sexos. O homossexualismo masculino e feminino, como também as relações sexuais extramatrimoniais, não serão mais vistas na ótica liberal como opções alternativas." A própria “instituição” da convivência sexual, onde a mulher e o homem exercem papéis diferentes, desaparecerá. A humanidade poderá, então, voltar à sua natural, multifacial e perversa sexualidade.
CFCJ – Como surgiu a ideia e a expressão “gênero (gender)”?
DL – O problema diante do qual se encontraram as pessoas que promoviam a revolução contra a família, estava em como eliminar as “classes dos sexos” (sex classes), as quais são condicionadas pelas diferenças biológicas entre a mulher e o homem. A solução deste dilema foram as teses do Dr. Money, da John Hopkins University (Baltimore, EUA). Até os anos 50, a palavra “gender” era um termo gramatical e indicava se uma palavra é de gênero masculino, feminino ou neutro. Dr. Money começou a usá-lo num novo contexto e introduziu o termo “gender identity” – a “identidade do gênero”, para indicar se uma pessoa se sente homem ou mulher. Money achava que a identidade sexual – “gender identity” – depende do fato como a criança é educada, e, às vezes, é distinta da identidade biológica.
CFCJ – De que modo as feministas aproveitaram as teorias do Dr. Money?
DL – Kate Millet, no seu livro de 1969, “Sexual Politics” (Política sexual), escrevia: “Não existe diferença entre os sexos no momento do nascimento. A personalidade psicossexual é, portanto, algo apreendido depois do nascimento". Deste modo, a ideia de sexo (gênero) como uma criação social entrou nas teorias feministas. A ideologia de gênero fez com que a prioridade do movimento feminista deixasse de ser a luta política, que discriminava as mulheres, se tornou uma luta para combater ideias que evidenciavam as diferenças entre a mulher e o homem e acentuavam o principal papel da mulher na esfera educativo-zeladora.
CFCJ – As feministas recorriam frequentemente ao fórum das Nações Unidas para impor ao mundo as suas ideias radicais. Era assim também no caso da ideologia “gender”?
DL – Até 1990, nos documentos da ONU se acentuava a eliminação de todas as formas de discriminação contra as mulheres. Mas, nos anos 90 o problema “gender” ocupou a posição privilegiada. Num folder da agência INSTRAW, da ONU, intitulado “Gender Concepts”, a ideia “gender” é definida como “sistema de papéis e relações entre mulher e homem, que não é determinado biologicamente, mas depende do contexto social, político e econômico. Assim, como o sexo biológico é dado pela natureza, o gênero é um produto”. O grande problema é que, às vezes, as pessoas que usam o termo “gender” não são conscientes das suas raízes ideológicas.
CFCJ – Isso era perceptível durante algumas conferências mundiais da ONU, quando os delegados de vários países assinavam documentos, nos quais recorria o termo “gender”, sem saber o que ele significa exatamente e em que se diferencia do termo “sexo-gênero”.
DL – É verdade. Basta lembrar a Conferência Mundial da ONU dedicada à mulher, que aconteceu em Pequim, em 1995. No texto final, “Platform for Action” (Plataforma da ação), se lê: “Em muitos países, as diferenças entre realizações e ocupações dos homens e das mulheres continuam não sendo reconhecidas como consequências dos papeis de gênero criados pela sociedade, mas de imutáveis diferenças biológicas”.
CFCJ – É evidente que a diferença dos papéis dos homens e das mulheres é consequência das naturais diferenças biológicas! O homem não pode engravidar, não pode alimentar a criança com peito…
DL – É evidente que sim, mas da perspectiva da ideologia de gênero é inaceitável que a mulher possa escolher a maternidade como vocação primordial. Atestam isso as palavras de Simone de Beauvoir. Quando Betty Frieden perguntou a ela se as mulheres poderiam ter o direito de escolher ficar em casa e educar os filhos, a escritora respondeu: “As mulheres não deveriam ter esta possibilidade de escolha, porque, se esta possibilidade existisse realmente, um número demasiado de mulheres recorreriam a tal direito”.
CFCJ – São palavras muito significativas. Voltemos, ainda, à teoria do Dr. Money. Ela foi confirmada cientificamente?
DL – Quando a ideologia de gênero estava se tornando mais popular, as suas motivações teóricas se desfizeram. As teoria do Dr. Money foram desacreditadas pelas pesquisas científicas referentes ao desenvolvimento do cérebro. Os exames pré-natais demonstraram que, ainda antes de nascer, os cérebros do menino e da menina se diferenciam significativamente; isto tem influência no modo diferente de percepção dos movimentos, cores e formas. Isto causa por exemplo que, no menino, há uma “preparação biológica” para usar brinquedos masculinos e, nas meninas, dos brinquedos femininos. As mulheres, a começar pelo ventre materno, são dotadas de uma particular sensibilidade com outras pessoas, que é necessária no desempenho do papel de mãe.
CFCJ – Para que serve isso, se algumas feministas não querem reconhecer o papel especial da mulher na sociedade e ignoram as pesquisas que confirmam isso?
DL – Isso é um grande problema. Os cientistas que pesquisam as etapas iniciais do desenvolvimento da criança e do seu cérebro estão perplexos com o fato de que a importância dos laços entre a mãe e a criança é ignorada por aqueles que gostariam de ver a mulher apenas como força de trabalho, e as crianças nas creches.
CFCJ – A ideologia de gênero é partidária de uma nova definição do matrimônio, que incluiria também os casais do mesmo sexo. Nos últimos anos, apareceram muitas publicações nas quais se sugere que não existe nenhuma diferença significativa entre as crianças educadas pelos casais do mesmo sexo e os casais naturais. Os testes desse tipo merecem credibilidade?
DL – Aqueles que analisaram tais pesquisas consideraram-nas não válidas. Segundo a Prof. Lynna Wardle, “a maioria das pesquisas referentes à genitoriedade dos homossexuais apoia-se na documentação insuficiente do ponto de vista quantitativo, defeituosa quanto à metodologia e a análise (some of little more then anecdotal quality), e, em consequência, na fraca base empírica, para ser decisiva para uma política social”. Por um lado, muitas pesquisas confirmam, que a presença do pai e da mãe aumenta o bem-estar da criança. Patric Fagan da Heritage Foundation recolheu uma grande quantidade de provas que evidenciam a importância de possuir um pai e uma mãe que vivem juntos. Por outro lado, “as crianças criadas pela mãe solteira ou pais separados, são expostas ao maior risco de experiência da pobreza e dos abusos, problemas educacionais e sentimentais”. O futuro da sociedade depende das crianças, por isso, colocar o bem das crianças acima de tudo é o nosso dever.
CFCJ – Qual é a posição da Igreja [Católica] em relação à ideologia de gênero?
DL – A Igreja Católica não pode ser indiferente, quando, em nome do “bem” da mulher se agride a família, o matrimônio, a maternidade, a paternidade, a moral da vida sexual e vidas não nascidas. A Igreja [Católica] decididamente condena o tratamento abusivo das mulheres na família, mas a resposta aos maus-tratos não pode ser combater a família como tal! Quando a sociedade encoraja a convivência sexual fora do matrimônio, o aborto, o divórcio e a mentalidade anticonceptiva, as primeiras vítimas são as mulheres. A contínua luta das "classes de gênero" (sex-class strugle) não vão conduzir à autêntica libertação da mulher. Uma antropologia errada, que nega as diferenças entre os sexos, deixa as mulheres numa situação nada invejável: ou procuram imitar o comportamento masculino, ou perdem energia para transformar os homens em “pseudomulheres”. Grandes somas de dinheiro são gastas para lutar contra os naturais desejos da mulher de ser mãe. É óbvio que a ideologia de gênero conduz a um beco sem saída. A solidariedade entre o marido e a esposa em família, entre o homem e a mulher na sociedade é necessária para agir frutuosamente em prol de todos. Mulher que tem consciência das diferenças do sexo é livre e pode colaborar com os homens, sem risco de perder a própria identidade. O apoio ao matrimônio e à família, à paternidade e à maternidade não constitui, de modo algum, uma ameaça às leis, à dignidade e à fundamental igualdade das mulheres. Contudo, é sempre necessária a proteção da mulher contra os abusos e a injustiça, a distinção entre os sexos e os humilhantes estereótipos como também assegurar o direito das mulheres e dos homens à escolha de ocupações atípicas.
CFCJ – O que a Igreja [Católica] tem a dizer nessa importante disputa?
DL – João Paulo II repetia frequentemente que a alternativa para a luta de classes é a solidariedade. Alguém que é interessado a criar verdadeiramente uma sociedade a favor da mulher, encontrará a linha da atuação no livro “Amor e Responsabilidade”, do Cardeal Karol Wojtyla. A desaprovação por João Paulo II aos comportamentos em que se trata uma pessoa como objeto, com certeza é a favor das mulheres que são as primeiras vítimas do utilitarismo sexual e econômico. Uma colaboração frutífera entre mulheres e homens deve apoiar-se na verdade sobre a pessoa humana. Deus criou mulher e homem como dois sexos, diferentes mas iguais, instituiu o matrimônio e a família, como também as leis que orientam a moral; e Deus não pode ser injusto. Por isso, as mulheres não deveriam ter medo da cultura que sublinha e respeita as diferenças entre mulheres.

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