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segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Que Deus livre a Igreja brasileira de continuar contribuindo com a Revolução Gramsciana*

Por Orley José da Silva*

É extremamente angustiante perceber como a estratégia de Gramsci tem funcionado na relação Igrejas/Política/Governos. Por ingenuidade ou falta de esclarecimento das lideranças, é muito triste perceber que as igrejas (Com não muitas exceções. Algumas em menor grau; outras em maior) têm contribuído para a implantação das pautas da revolução gramsciana na sociedade.

O mais triste é quando as lideranças, hipnotizadas pelo engano, não dão ouvidos e fecham os olhos para os membros que, academicamente enxergam e denunciam esse envolvimento. Mas o processo gramsciano de contaminação já está em fase tão adiantada (com a colaboração ingênua e indireta das Igrejas) que não sei se há mais tempo e condições para a reversão do quadro.

Queridos LÍDERES CRISTÃOS que não conhecem Antonio Gramsci e não sabem nada acerca da Revolução Gramsciana, esta é uma tarefa de casa que precisa ser feita bem feita e com urgência. Com a mesma atenção que se estuda Paulo, Pedro ou Tiago, é necessário estudar esse teórico italiano que planejou cuidadosamente a corrosão da Igreja e da sociedade ocidental.

Não é exagero dizer que a maioria das igrejas, (acredito mesmo que seja pela ausência de malícia motivada pela falta de esclarecimento) está contribuindo para que essa agenda revolucionária se entranhe na sociedade e, por consequência, nelas mesmas.

Chegará um dia, quando esse período de anestesia tiver passado, que os líderes cristãos obrigatoriamente se atentarão para esse tema, empurrados pelo ferrão da perseguição que eles mesmos ajudaram involuntariamente a construir.

* Orley José da Silva, é professor em Goiânia, Goiás,
Brasil, mestre em letras e linguística (UFG) e
mestrando em estudos teológicos (SPRBC).


quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Goiás: governo impõe ideologia de gênero por decreto*

Por Orley José da Silva*

Marconi Perillo
Governador do Estado de Goiás
2015-2018
O governador Marconi Perillo (PSDB, foto), no dia 4 deste mês [ago. 2016], tomou a decisão de assinar o Decreto nº 8.716/2016 que autoriza a utilização do nome social por pessoas travestis e transexuais em quaisquer serviços públicos ofertados pela administração direta e indireta do Poder Executivo, que inclui os serviços conveniados. Sim, um decreto. Nada de encaminhar a matéria para ser discutida e votada pela Assembleia Legislativa.

Esta seria a maneira democrática de tratar de um tema que embora tenha aparência de simples, é complexo e não consensual porque insere uma cunha na estrutura da cultura tradicional da sociedade. Além do mais, essa medida menor tem a função estratégica de abrir fendas por onde outras demandas que fazem parte do elenco de propostas da revolução cultural empreendida pelos estudos de gênero líquido venham a ser, finalmente, implementadas na sociedade por através de políticas públicas.

O decreto do governo goiano é similar ao Decreto Presidencial nº 8.727/2016, assinado no dia 28 de abril pela presidente Dilma Rousseff, num de seus últimos atos na Presidência da República. A própria presidente, que nos dois mandatos teve como uma de suas principais bandeiras justamente a implementação das políticas do gênero múltiplo, guardou enquanto pôde esse decreto na gaveta para não minar ainda mais sua frágil sustentação política. 

Depois de publicado, o decreto de Dilma causou muita contrariedade nas lideranças católicas e evangélicas do país e motivou o pedido de revogação do mesmo através da Câmara dos Deputados. Para atender a esse interesse, o deputado João Campos (PRB-GO) encabeçou a assinatura do decreto legislativo (PDC 395/2016), subscrito por 28 deputados católicos e evangélicos de 10 partidos políticos. Resta saber se há deputados estaduais goianos, com a mesma motivação, dispostos a tomarem a mesma iniciativa de revogação do decreto do governador.

Decreto nº 8.716, de 04 de agosto de 2016.
Clique na imagem para ampliar.
Propostas similares de decreto, patrocinadas pelo fortíssimo lobby dos movimentos de militância em gênero, têm sido oferecidas aos estados e às prefeituras, principalmente capitais e cidades de grande e médio porte. Mas a adesão é baixíssima porque governadores e prefeitos se recusam a interferir, por decreto, nos majoritários interesses do substrato cultural cristão. Marconi Perillo (PSDB) é apenas o terceiro governador do país que decidiu adotar essa mesma política de gênero, depois de Tarso Genro (PT), em 2012, no Rio Grande do Sul e Simão Jatene (PSDB), em 2013, no Pará.

A estratégia da militância de gênero de fazer com que o Executivo decrete suas pautas políticas, visa fugir do trâmite regimental das casas legislativas onde suas demandas nunca prosperam. Isto porque os parlamentares tendem a reproduzir o conservadorismo predominante na sociedade. Essas políticas somente avançam com o favor das estruturas de governo que as beneficiam por meio de decretos, portarias, resoluções e pareceres. Contam também com o favorecimento de decisões judiciais.

O fato de ter conseguido emplacar esse decreto num estado conservador como é o caso de Goiás, representa além de vitória simbólica, uma extraordinária arma de propaganda para a militância de gênero. Justamente porque Goiás é reconhecido como um dos estados do país com maior percentual de evangélicos e também de católicos praticantes, conforme atesta o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No estado, estão sediadas algumas das principais igrejas e missões brasileiras que estendem suas congregações pelo país e pelo mundo. Em Trindade, inclusive, acontece anualmente a segunda maior festa religiosa católica do país e uma das maiores do mundo.

De posse desse importante trunfo propagandístico, o lobby de gênero certamente potencializará seus argumentos para convencer prefeitos do interior de Goiás a replicarem nos municípios a decisão do governo estadual, além de usar o exemplo daqui para quebrar a resistência dos outros governadores. Cada vez mais será defendida a tese segundo a qual o que não se consegue em votação num legislativo conservador, impõe-se pela canetada do executivo.

Mas Goiás tem já uma tradição de pioneirismo no apoio às demandas de gênero. Em 2008 o governador Alcides Rodrigues assinou o decreto 6.855/2008, que fez de Goiás o primeiro estado a criar um Conselho Estadual LGBTTT. Tanto o decreto de 2008 quanto o de 2016 tiveram o protagonismo da Secretaria Estadual da Mulher, do Desenvolvimento Social, da Igualdade Racial, dos Direitos Humanos e do Trabalho (Secretaria Cidadã).

Esta é a mais importante secretaria estadual para o desenvolvimento das políticas sociais do governo. Por outro lado, a Secretaria Cidadã cumpre a função política de apaziguar, beneficiar e aproximar o governo estadual de sindicatos, grupos LGBTTT, Feminista, Afro, e organizações afins. Para tanto, esses grupos influenciam diretamente em boa parte das políticas sociais da pasta. Também, durante os governos Lula e Dilma, a secretaria serviu para Goiás estabelecer parcerias com o Governo Federal que aproveitou para financiar e aprofundar as políticas culturais e sociais do seu interesse.

Um dos efeitos dessa parceria é a quase regular realização de cursos gratuitos de capacitação nas teorias de gênero para servidores públicos do estado e dos municípios. Esses cursos, além de quebrar a resistência social sobre o assunto, têm a finalidade de fazer multiplicadores e treinar os servidores para o atendimento à população de acordo com a perspectiva da ideologia de gênero e dos movimentos sociais.

Um dos cursos teve a duração de 180 horas e foi realizado em 15 encontros aos sábados, de 8:00h às 17:00h, entre os dias 22 de agosto e 28 de novembro de 2015. Foram treinadas em gênero somente nesta etapa 2.500 pessoas (enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, advogados, professores, administradores, políticos, policiais, além de conselheiros tutelares) em 10 cidades polo: Campos Belos, Catalão, Goiânia, Goiás, Itumbiara, Jataí, Luziânia, Posse, Porangatu e Uruaçú.

Perspectiva de gênero adotada em curso da
Secretaria de Cidadania do Estado de Goiás.
Clique na imagem para ampliar.
O avanço da aplicação na sociedade das ideologias relativas ao gênero não binário encontra oposição na resistência cristã não somente no Brasil mas em outras partes do mundo. Nesse embate, a manipulação da linguagem e do discurso constitui-se em importante estratégia de (re)formação do imaginário coletivo. É nesse contexto que os cristãos têm sido acusados de parciais e preconceituosos ao supostamente servirem de entrave para a emancipação das minorias sexuais e familiares. No entanto, somente compreende os motivos para esse discurso de resistência quem acompanha a emergência e o protagonismo dessa política cultural no mundo. 

A ressignificação do termo gênero (descolando-o do conceito de sexo masculino e feminino e mudando discriminação sexual para discriminação de gênero) foi acatada pela Organização das Nações Unidas (ONU) como política de direitos humanos para as nações a partir das conferências para as mulheres, em Pequim (1995) e Yogyakarta (2006). Desde então, a política de gênero tem sido imposta aos países por meio das agências da ONU para a saúde, cultura, educação e direitos humanos, além de clausulas impositivas em contratos dos bancos de fomento e desenvolvimento para as nações.

A intenção da ONU não é humanitária, no sentido de atender as particularidades das minorias familiares e sexuais. E é lamentável que pessoas sofram e sejam enganadas com políticas que supostamente as beneficiem. Como pode ser constatado nos documentos da própria ONU e também nos depoimentos, entrevistas, livros e teses dos principais defensores dessa causa no mundo, a atual política de gênero constitui-se em importante ferramenta para a premeditada corrosão, por dentro, da sociedade ocidental. A existência de um modelo de sociedade fundamentado na moral judaica e cristã não interessa ao propósito de construção da Nova Ordem Mundial que está em curso.

O Brasil foi um dos primeiros países a adotar essa política de gênero da ONU. O decreto presidencial 7.037 assinado por Lula em 21 de dezembro de 2009, criou o Plano Nacional de Direitos Humanos 3 (PNDH-3). Na seção de Ações Programáticas, no Objetivo Estratégico 5, o documento apresenta a seguinte prioridade: “Reconhecer e incluir nos sistemas de informação do serviço público todas as configurações familiares constituídas por lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, com base na desconstrução da heteronormatividade.”

O reconhecimento social das famílias alternativas certamente não seria questionado pelo conjunto dos cristãos, caso a recomendação da ONU e também do PNDH-3 não exigisse a desconstrução da normalidade do sexo masculino e feminino e também do casamento heterossexual. Esse é o ponto de discórdia.

Estamos diante da imposição de uma ação ideológica de gênero que se dá em cadeia hierárquica: a ONU e algumas outras instituições e organismos interdependentes promovem a difusão e o financiamento dessa política às nações; as nações, pela vez delas, veem-se obrigadas a fazem o mesmo com suas unidades administrativas. Portanto, não há como dissociar o decreto do governador e as políticas da Secretaria Cidadã, bem como da Secretaria Estadual de Educação, desse contexto.

Em se tratando da promoção da ideologia de gênero em Goiás, não se pode ignorar a participação ainda mais dedicada e efetiva da Prefeitura de Goiânia, particularidade que esse artigo não se propôs a tratar.

Para concluir, ofereço aos leitores dois apêndices para reflexão: o primeiro, para dizer que os eleitores são reféns da desorganização partidária brasileira. Diferente do modelo predominante nas democracias mais amadurecidas, a maioria dos partidos políticos daqui não têm linha ideológica e/ou doutrinária definida. Em vista disso, os eleitores ficam à mercê do estelionato eleitoral porque nunca têm a garantia de que os políticos não os trairão mudando seus discursos depois de eleitos.

O segundo, é para opinar que o ministro cristão não deveria oferecer apoio irrestrito aos governantes, nem se associar a eles em negócios políticos, ainda mais quando o faz em nome da Igreja. A própria Igreja tem consistentes motivos históricos para desaconselhar essa prática. Além da oração e do aconselhamento sincero e imparcial, sua postura política deveria ser de fiel da balança em favor da justiça social, da austeridade e correção das práticas de governo. Sobretudo, na defesa intransigente e inegociável dos valores éticos e morais da fé cristã. Estes são cuidados necessários para que a Igreja não seja forçada pela conveniência política a relativizar seus valores, abandonar ou negligenciar as prioridades do Reino de Deus, selecionar a mensagem da pregação e silenciar a voz profética que denuncia o erro.


* Orley José da Silva, é professor em Goiânia, Goiás,
Brasil, mestre em letras e linguística (UFG) e
mestrando em estudos teológicos (SPRBC).


sábado, 8 de outubro de 2016

O problema do ensino da ideologia de gênero nas escolas*


Por Orley José da Silva*

O tema da Ideologia de Gênero ganhou notoriedade a partir de 2013 com as discussões promovidas no Congresso Nacional sobre a inclusão ou não deste assunto no Plano Nacional de Educação. Com a recusa de inseri-lo no texto do PNE pela maioria dos deputados e senadores, esta demanda foi transferida no final de 2014 pelo Ministério da Educação para as discussões dos planos educacionais regionais dos estados e municípios.

A maioria dos parlamentos estaduais e municipais, no entanto, seguiram a mesma decisão do Congresso Nacional. Mesmo assim, o MEC, juntamente com universidades e o mercado editorial de livros didáticos e paradidáticos, resolveram bancar a propagação dessa ideologia nas escolas. Hoje, este ensino está presente na Educação Infantil, no Ensino Fundamental e do Ensino Médio, na maioria das escolas brasileiras, não somente públicas, mas também particulares e confessionais.

Vale ressaltar que os atuais estudos de gênero têm o patrocínio das Organizações das Nações Unidas, da Comunidade Europeia e do atual governo dos Estados Unidos, além de agências internacionais de saúde, direitos humanos e educação que se destinam ao financiamento de projetos ligados à mulher, à criança e ao adolescente. O governo brasileiro, nas administrações Lula e Dilma elevaram à implantação da ideologia de gênero no sistema educacional à condição de política de Estado, sobretudo a partir do Plano Nacional de Direitos Humanos 3, (PNDH-3) de 21 de dezembro de 2009.

Esse esforço global, no qual o Brasil se insere como um dos protagonistas, tem pretensões de controle populacional, de reconfiguração do que se pensa acerca de pessoa humana, família, além da mudança de eixo civilizatório. Neste caso, em se tratando de mundo ocidental, para sair do modelo de sociedade construído historicamente pelas culturas judaica e cristã.

A Ideologia de Gênero desconsidera o determinismo biológico e psicológico para quem os seres humanos são diferenciados em dois sexos: masculino e feminino. Para esse campo de estudos, portanto, a genitália trazida ao nascimento não é indicativa de homem ou mulher. Estes seriam conceitos de papeis criados pela cultura, sociedade e momento histórico vivido pela pessoa. Essa ideologia retira do seu vocabulário a palavra sexo (que designa masculino e feminino) para substituí-la por gênero, por se tratar de uma palavra capaz de abarcar algumas dezenas de papeis sociais que uma única pessoa poderia assumir durante a vida.

Em vista disso, as crianças deveriam ser criadas e educadas de forma “neutra” para que elas mesmas escolham ou percebam o(s) gênero(s) no futuro. Inclusive, roupas, cores, brinquedos e banheiro deveriam ser compartilhados igualmente pelas crianças, sem as conhecidas diferenciações sexuais marcadas pela cultura tradicional.

Faz parte desta política de gênero afastar compulsoriamente a família da responsabilidade de educar os filhos, para assumir o seu lugar, por meio da escola. Esta política acredita que a família não é preparada para a orientação sexual e familiar dos filhos. Isto porque não acompanha as mudanças sociais, é portadora de tabus e preconceitos (leia-se valores éticos e morais da fé cristã) arraigados em função da influência que recebe da tradição familiar e religiosa.

Essa ideologia apropriou-se muito bem do discurso politicamente correto ao colocar-se como protetora das mulheres e das minorias sexuais e familiares. Mas este é um discurso falso que esconde a verdadeira intenção encontrada com facilidade em textos acadêmicos de seus teóricos: normalizar na mente das crianças, a partir da mais tenra idade, as diversas possibilidades de ajuntamento familiar e de parcerias sexuais. Ou seja, elas teriam quebradas as barreiras impostas pela cultura heteronormativa e pelo casamento monogâmico e poderiam contribuir para mudar a sociedade do futuro para este novo rumo, em no máximo duas gerações.

Não é à toa que essa ideologia vem recebendo forte oposição de grupos cristãos em diversas partes do mundo, visto que sua intenção é desconstruir a moral sexual e familiar cristã. Na dianteira deste confronto, está a Igreja Católica com a participação de teólogos, leigos e padres. Os dois últimos papas deram o duro tom de oposição a essa ideologia. O papa Francisco afirmou que a Ideologia de Gênero é uma ação diabólica que deve ser combatida com todo rigor pelos pastores do rebanho católico. Já o papa Bento XVI disse que a Ideologia de Gênero tem o objetivo de afrontar ao próprio Deus, porque desconstrói a identidade da pessoa humana (coroa da Criação); o casamento entre homem e mulher (instituído por Deus no Éden) e a Igreja (inaugurada na Cruz).

A igreja evangélica, mesmo fora do país, ainda trata do assunto com timidez. Uma parte desse comportamento pode ser creditada à crescente influência do liberalismo teológico e também à adesão da igreja à doutrina filosófica do politicamente correto. Duas das principais estratégias da academia humanista utilizadas com sucesso para calar a voz profética da Igreja e das suas lideranças. No Brasil, infelizmente, este importante assunto ainda não mereceu a devida atenção dos evangélicos. O principal motivo para esta quase alienação é, certamente, a subestimação por parte das expressivas lideranças evangélicas dos riscos que essa ideologia traz para o futuro da sociedade e da própria Igreja. Ainda são raras as igrejas, os ministérios, as denominações e as lideranças que se dispõem a preparar o rebanho de Cristo para enfrentar adequadamente esse audacioso projeto institucional de revolução sexual e familiar.

É digno de registo que nos últimos anos surgiram pastores e políticos interessados nesta causa, muitas vezes abastecidos pelas pesquisas acadêmicas voluntárias e solitárias, às próprias expensas, de evangélicos psicólogos, médicos, advogados, juízes de direito, procuradores, promotores, cientistas políticos e professores. O sentimento reinante entre eles é que, diante do baixo interesse da poderosa igreja evangélica brasileira por esse tema e da bem estruturada e azeitada agenda de implantação da ideologia nas escolas, é provável que já tenhamos ultrapassado o limite de tempo adequado para a completa superação desse quadro.


* Orley José da Silva, é professor em Goiânia, Goiás,
Brasil, mestre em letras e linguística (UFG) e
mestrando em estudos teológicos (SPRBC).


quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Iris Rezende ou Vanderlan Cardoso: para onde irão os partidos gramscistas?*

Por Orley José da Silva*

Íris Rezende Machado X Vanderlan Cardoso
Disputa pelo 2ª Turno - Eleições 2016
Goiânia, Goiás
No segundo turno das eleições para a prefeitura de Goiânia, qual será o candidato a ser apoiado pelos partidos gramscistas PT, PC do B, Psol e Rede? Certamente esses partidos ou seus prepostos não se omitirão de se posicionar nesta disputa, com o objetivo de preservarem pelo menos uma parte do capital político conseguido nos últimos anos. Não participar da futura administração municipal poderá lhes custar o desmantelamento da máquina de revolução cultural montada no município, cuja operação se dá livremente em vieses ideológicos próprios de políticas públicas e sociais.

Essa atuação revolucionária ocorre em lugares estratégicos de contato do poder público com a população: educação, cultura, direitos humanos, assistência social,conselhos de educação e conselhos de cultura. Porque a militância dessa insurreição criou um consenso discursivo que somente ela é capaz de, legitimamente, cuidar de determinadas políticas públicas. E o discurso tem tamanha força de convencimento que alguns políticos ideologicamente contrários tendem a acreditar nele. E é assim que uma nova hegemonia cultural vai ganhando força na sociedade, mesmo quando não está majoritariamente no poder.

A paciência de trilhar a longa marcha pelas instituições proposta por Antonio Gramsci até a plena transformação da sociedade em seus moldes, é característica dessa força revolucionária que é suprapartidária e múltipla em sua maneira de agir. Nesse percurso, a ocupação de espaços nas decisões de poder quase sempre exige eficiência na infiltração e acomodação no interior de sistemas políticos inimigos. Um dos métodos utilizados para essa aproximação vale-se da sua capacidade de controle e mobilização dos movimentos sociais, estudantis e sindicais de esquerda. Ao oferecer ao chefe do executivo a garantia de pacificação com essas entidades sociais e de classe durante o seu mandato, a força revolucionária garante o espaço necessário para continuar com o trabalho formativo e de manipulação da mente coletiva.

É possível que o pragmatismo político de Iris e Vanderlan para as alianças eleitorais não leve em consideração o projeto de nova hegemonia política e cultural levantada por essa reflexão. O Iris mesmo contribuiu para que esse projeto se aperfeiçoasse no município, ao aliar-se com esses agentes políticos nas duas últimas eleições. Não se compreende a complexidade e as consequências futuras desse tipo de acordo sem conhecer com profundidade as intenções e a formação histórica e ideológica tanto do PT, quanto dos seus partidos auxiliares e também do Foro de São Paulo.


* Orley José da Silva, é professor em Goiânia, Goiás,
Brasil, mestre em letras e linguística (UFG) e
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