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terça-feira, 8 de novembro de 2016

Verdade ou Mentira?*

A PEC 55/2016 e a MPV 746/2016
Por Ana Mônica Jaremenko*

Tenho notado que, diante de tantos boatos nas redes sociais e mentiras declaradas voluntariamente por formadores de opinião, a maioria das pessoas têm escolhido acreditar nessas mentiras em vez de investigar, questionar e até ousar contra-argumentar e confrontar as falsas afirmações.

Por que isso acontece? Hoje, essa pergunta está me incomodando. E penso que a resposta é bem simples. A maioria prefere acreditar em mentiras porque essas satisfazem seu próprio ego, justificam sua inércia e hipocrisia. Aparentam se envolver em assuntos polêmicos mas, na verdade, querem distância deles. Em assuntos políticos, escolhem acreditar em mentiras para justificar suas escolhas.

É o caso das propostas enviadas ao Congresso pelo atual governo, mais especificamente a PEC 0055/2016 (ex-PEC 0241/2016 – PEC do Ajuste Fiscal, mais conhecida como a PEC do TETO ou PEC dos Gastos Públicos) e também a MPV 0746/2016 que trata da Reforma do Ensino Médio.

No caso da PEC 0055/2016, os opositores insistem em dizer que ela vai prejudicar a Educação e a Saúde. Ora, se lerem a proposta acompanhada da leitura da Constituição, chegarão à conclusão de que isso não é verdade. Pelo contrário, a PEC 0055/2016 preserva os investimentos nessas áreas garantidas pela própria Constituição.

Clique AQUI e leia a PEC 0055/2016.

Com relação à MPV 0746/2016, os opositores têm espalhado a mentira de que não haverá mais o estudo de Sociologia e Educação Física, chegando ao ponto de dizer que profissionais dessas disciplinas ficarão desempregados. Ora, isso é um absurdo! Eu mesma me debrucei ontem sobre essa medida provisória e comprovei que não é assim. Os opositores dessa proposta se utilizam de um falso argumento levando a uma leitura equivocada dessa medida.

No caso exclusivo da disciplina Educação Física, o texto da medida trás a seguinte redação seguida de linhas pontilhadas:
“Art. 26.

[...]

§ 3º A educação física, integrada à proposta pedagógica da escola, é componente curricular obrigatório da educação infantil e do ensino fundamental, sendo sua prática facultativa ao aluno:

[...]”
Os opositores ardilosamente fazem a interpretação do texto até aí, fazendo com que seus ouvintes entendam equivocadamente que por ser facultativa, os alunos não escolherão essa disciplina e consequentemente seus profissionais correriam o risco de não serem mais aproveitados no mercado de trabalho educacional. ISSO NÃO É VERDADE! As pessoas que dizem isso omitem o significado daquelas linhas pontilhadas no texto da medida. As linhas pontilhadas referem-se ao texto preservado da lei que está sendo alterada. Está sendo preservada a seguinte redação:
“[...]

I – que cumpra jornada de trabalho igual ou superior a seis horas; (Incluído pela Lei nº 10.793, de 1º.12.2003)

II – maior de trinta anos de idade; (Incluído pela Lei nº 10.793, de 1º.12.2003)

III – que estiver prestando serviço militar inicial ou que, em situação similar, estiver obrigado à prática da educação física; (Incluído pela Lei nº 10.793, de 1º.12.2003)

IV – amparado pelo Decreto-Lei no 1.044, de 21 de outubro de 1969; (Incluído pela Lei nº 10.793, de 1º.12.2003)

V – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.793, de 1º.12.2003)

VI – que tenha prole. (Incluído pela Lei nº 10.793, de 1º.12.2003)
[...]”
Isto é, a disciplina de Educação Física será facultativa ao aluno que trabalha mais de seis horas por dia, maior de trinta anos, que estiver prestando o Serviço Militar, que for portador de algum impedimento por questão de saúde, ou que tenha filhos. Essas condições já existem na Lei, sempre foi assim.

Desta forma, podemos constatar a clara má intenção desses opositores desta medida, tentando confundir e enganar a opinião pública.

Clique AQUI e leia a MPV 0746/2016.

Vamos APOIAR essas iniciativas do atual governo desprovidos de paixões partidárias mas movidos unicamente pelo  amor ao Brasil!

#PEC55EuApoio
#PEC241EuApoio
#MPV746EuApoio


* Eu sou Ana Mônica Jaremenko, escritora (poeta e cronista), ativista política, blogueira, gestora de mídias sociais e corretora de imóveis. Administradora, dentre outros, do blog Simplesmente FedoraFedora é meu heterônimo para assuntos políticos.

Graça e paz!

sábado, 8 de outubro de 2016

O problema do ensino da ideologia de gênero nas escolas*


Por Orley José da Silva*

O tema da Ideologia de Gênero ganhou notoriedade a partir de 2013 com as discussões promovidas no Congresso Nacional sobre a inclusão ou não deste assunto no Plano Nacional de Educação. Com a recusa de inseri-lo no texto do PNE pela maioria dos deputados e senadores, esta demanda foi transferida no final de 2014 pelo Ministério da Educação para as discussões dos planos educacionais regionais dos estados e municípios.

A maioria dos parlamentos estaduais e municipais, no entanto, seguiram a mesma decisão do Congresso Nacional. Mesmo assim, o MEC, juntamente com universidades e o mercado editorial de livros didáticos e paradidáticos, resolveram bancar a propagação dessa ideologia nas escolas. Hoje, este ensino está presente na Educação Infantil, no Ensino Fundamental e do Ensino Médio, na maioria das escolas brasileiras, não somente públicas, mas também particulares e confessionais.

Vale ressaltar que os atuais estudos de gênero têm o patrocínio das Organizações das Nações Unidas, da Comunidade Europeia e do atual governo dos Estados Unidos, além de agências internacionais de saúde, direitos humanos e educação que se destinam ao financiamento de projetos ligados à mulher, à criança e ao adolescente. O governo brasileiro, nas administrações Lula e Dilma elevaram à implantação da ideologia de gênero no sistema educacional à condição de política de Estado, sobretudo a partir do Plano Nacional de Direitos Humanos 3, (PNDH-3) de 21 de dezembro de 2009.

Esse esforço global, no qual o Brasil se insere como um dos protagonistas, tem pretensões de controle populacional, de reconfiguração do que se pensa acerca de pessoa humana, família, além da mudança de eixo civilizatório. Neste caso, em se tratando de mundo ocidental, para sair do modelo de sociedade construído historicamente pelas culturas judaica e cristã.

A Ideologia de Gênero desconsidera o determinismo biológico e psicológico para quem os seres humanos são diferenciados em dois sexos: masculino e feminino. Para esse campo de estudos, portanto, a genitália trazida ao nascimento não é indicativa de homem ou mulher. Estes seriam conceitos de papeis criados pela cultura, sociedade e momento histórico vivido pela pessoa. Essa ideologia retira do seu vocabulário a palavra sexo (que designa masculino e feminino) para substituí-la por gênero, por se tratar de uma palavra capaz de abarcar algumas dezenas de papeis sociais que uma única pessoa poderia assumir durante a vida.

Em vista disso, as crianças deveriam ser criadas e educadas de forma “neutra” para que elas mesmas escolham ou percebam o(s) gênero(s) no futuro. Inclusive, roupas, cores, brinquedos e banheiro deveriam ser compartilhados igualmente pelas crianças, sem as conhecidas diferenciações sexuais marcadas pela cultura tradicional.

Faz parte desta política de gênero afastar compulsoriamente a família da responsabilidade de educar os filhos, para assumir o seu lugar, por meio da escola. Esta política acredita que a família não é preparada para a orientação sexual e familiar dos filhos. Isto porque não acompanha as mudanças sociais, é portadora de tabus e preconceitos (leia-se valores éticos e morais da fé cristã) arraigados em função da influência que recebe da tradição familiar e religiosa.

Essa ideologia apropriou-se muito bem do discurso politicamente correto ao colocar-se como protetora das mulheres e das minorias sexuais e familiares. Mas este é um discurso falso que esconde a verdadeira intenção encontrada com facilidade em textos acadêmicos de seus teóricos: normalizar na mente das crianças, a partir da mais tenra idade, as diversas possibilidades de ajuntamento familiar e de parcerias sexuais. Ou seja, elas teriam quebradas as barreiras impostas pela cultura heteronormativa e pelo casamento monogâmico e poderiam contribuir para mudar a sociedade do futuro para este novo rumo, em no máximo duas gerações.

Não é à toa que essa ideologia vem recebendo forte oposição de grupos cristãos em diversas partes do mundo, visto que sua intenção é desconstruir a moral sexual e familiar cristã. Na dianteira deste confronto, está a Igreja Católica com a participação de teólogos, leigos e padres. Os dois últimos papas deram o duro tom de oposição a essa ideologia. O papa Francisco afirmou que a Ideologia de Gênero é uma ação diabólica que deve ser combatida com todo rigor pelos pastores do rebanho católico. Já o papa Bento XVI disse que a Ideologia de Gênero tem o objetivo de afrontar ao próprio Deus, porque desconstrói a identidade da pessoa humana (coroa da Criação); o casamento entre homem e mulher (instituído por Deus no Éden) e a Igreja (inaugurada na Cruz).

A igreja evangélica, mesmo fora do país, ainda trata do assunto com timidez. Uma parte desse comportamento pode ser creditada à crescente influência do liberalismo teológico e também à adesão da igreja à doutrina filosófica do politicamente correto. Duas das principais estratégias da academia humanista utilizadas com sucesso para calar a voz profética da Igreja e das suas lideranças. No Brasil, infelizmente, este importante assunto ainda não mereceu a devida atenção dos evangélicos. O principal motivo para esta quase alienação é, certamente, a subestimação por parte das expressivas lideranças evangélicas dos riscos que essa ideologia traz para o futuro da sociedade e da própria Igreja. Ainda são raras as igrejas, os ministérios, as denominações e as lideranças que se dispõem a preparar o rebanho de Cristo para enfrentar adequadamente esse audacioso projeto institucional de revolução sexual e familiar.

É digno de registo que nos últimos anos surgiram pastores e políticos interessados nesta causa, muitas vezes abastecidos pelas pesquisas acadêmicas voluntárias e solitárias, às próprias expensas, de evangélicos psicólogos, médicos, advogados, juízes de direito, procuradores, promotores, cientistas políticos e professores. O sentimento reinante entre eles é que, diante do baixo interesse da poderosa igreja evangélica brasileira por esse tema e da bem estruturada e azeitada agenda de implantação da ideologia nas escolas, é provável que já tenhamos ultrapassado o limite de tempo adequado para a completa superação desse quadro.


* Orley José da Silva, é professor em Goiânia, Goiás,
Brasil, mestre em letras e linguística (UFG) e
mestrando em estudos teológicos (SPRBC).


domingo, 25 de setembro de 2016

Ideologia de Gênero - A farsa de uma teoria e a destruição de uma família, a Família Reimer*

Baseado no artigo "Ideologia de Gênero e a experiência fracassada do caso Reimer", publicado originalmente no Portal da Família*.

Brian Henry Reimer
(*22 ago. 1965 – 01º jul. 2002)
Bruce/Brenda/David Peter Reimer

(*22 ago. 1965 – 05 maio 2004)
A ideologia de gênero é o passo mais radical do feminismo, pois pretende eliminar as diferenças naturais e interpretar com base na cultura, não na biologia, a condição sexuada do homem e da mulher. A história dos irmãos Reimer serve de advertência do que pode acontecer quando ideólogos e cientistas se apaixonam por uma teoria e ignoram os fatos, a realidade e a natureza.

John William Money (1921-2006) foi um psicólogo da Johns Hopkins University, sexologista e autor de livros, especializado em pesquisas sobre identidade sexual, mudança de sexo e biologia do gênero. Sua influência foi decisiva para a criação da teoria da identidade de gênero. Ele acreditava que não era tanto a biologia que determinava se somos homens ou mulheres, mas a maneira como somos criados, e já a partir da década de sessenta tinha pretendido demonstrar que a sexualidade depende mais da educação do que dos genes.

John William Money
(*08 jul. 1921 – 07 jul. 2006)
Dr. John Money ficou famoso devido a uma polêmica, fracassada e vergonhosa experiência médica. As suas cobaias foram dois bebês gêmeos: Bruce e Brian Reimer. Um infeliz acidente com Bruce proporcionou a Money a oportunidade de transformar o corpo do bebê – por cirurgia plástica e com o consentimento dos pais – num corpo com aparência feminina.

Em 1965, na cidade de Winnipeg, Manitoba, no Canadá, Janet e John Reimer, um jovem casal de fazendeiros mal saído da adolescência deu à luz aos meninos Brian e Bruce, um par de gêmeos univitelinos. Com a idade de 6 meses, após seus pais se preocuparem com a maneira como ambos urinavam, os meninos foram diagnosticados com fimose. Com a idade de 8 meses eles foram encaminhados para uma cirurgia de circuncisão, tida como de rotina. Em 27 de abril de 1966, um urologista realizou a operação utilizando um equipamento elétrico de cauterização que apresentou problemas diversas vezes. Na última tentativa, o procedimento não saiu como o planejado e o pênis de Bruce ficou totalmente queimado. A família ficou arrasada. Nos anos 60 uma cirurgia plástica de reconstrução de pênis não era uma opção, então não havia nada a ser feito. Com relação ao irmão, os médicos optaram por não operar Brian, cuja fimose logo desapareceu, sem qualquer intervenção cirúrgica.

Janet Reimer (mãe) e os gêmeos
Alguns meses depois, os pais de Brian e Bruce viram na televisão uma entrevista com o Dr. John Money falando sobre as operações de mudança de sexo em transexuais, na qual ele dizia que os bebês nasciam “neutros” e teriam sua identidade definida como masculina ou feminina (identidade de gênero) exclusivamente em função da maneira pela qual são criados. Acreditando que tal ideia poderia ser apropriada para o problema do filho mutilado, procuraram aquele especialista que imediatamente se dispôs a atendê-los e indicou uma mudança cirúrgica de sexo. Ele e outros médicos que trabalhavam com crianças nascidas com genitália anormal acreditavam que um pênis não podia ser substituído, mas que uma vagina funcional poderia ser construída cirurgicamente, e que seria mais provável que Bruce tivesse uma mais bem sucedida maturação funcional sexual como uma menina do que como um menino.

Esses médicos convenceram os pais de David Reimer de que a cirurgia de mudança de sexo seria o melhor para o garoto, e, com a idade de 22 meses, uma orquidectomia foi realizada para remover seus testículos. Seu sexo foi redefinido, os pais foram instruídos a criar David como uma mulher, e foi-lhe posto o nome de "Brenda". O Dr. Money deu apoio psicológico para a cirurgia para a posterior reeducação sexual, e ele continuou a ver Reimer anualmente por cerca de dez anos, para consultas e para avaliar o resultado. Esta mudança foi considerada um caso de teste especialmente válido do conceito de aprendizagem social da identidade de gênero, por duas razões. Primeiro, o irmão gêmeo de Reimer, Brian, serviu de controle ideal, pois os dois não só compartilhavam genes e ambientes familiares, mas tinham compartilhado o ambiente intrauterino também. Segundo, esta tinha a fama de ser a primeira mudança e reconstrução realizada em um bebê do sexo masculino que não tinha anormalidade pré-natal ou pós-natal precoce de diferenciação sexual.

Os pais não sabiam, mas Money era conhecido como uma espécie de guru da sexualidade (se fazia chamar “missionário do sexo”) e defendia comportamentos sexuais ousados, como casamentos “abertos”, nos quais os cônjuges poderiam ter amantes com consentimento mútuo; estimulava o sexo grupal e bissexual, além de, em momentos mais extremados, parecer tolerar o incesto e a pedofilia.

O Dr. Money forçou os gêmeos a ensaiarem atos sexuais envolvendo "movimentos empurrando", com David desempenhando o papel sexual passivo. Quando criança, David Reimer dolorosamente lembrou-se de ter que de "ficar de quatro" com seu irmão, Brian Reimer, "por trás de sua bunda", com "sua virilha contra "suas" nádegas". Em outra posição sexual, o Dr. Money forçou David a ter suas "pernas abertas" com Brian por cima. O Dr. Money também forçou as crianças a tirarem suas roupas e se envolverem em "inspeções genitais". Em "pelo menos uma ocasião", o Dr. Money tirou uma "fotografia" das duas crianças fazendo essas atividades. A razão do Dr. Money para estes vários tratamentos era a sua crença de que "jogos sexuais infantis" eram "importantes para uma identidade de gênero adulta saudável".

O interesse de Money no caso não poderia ser maior. Como defendia a ideia de que as diferenças de comportamento entre os sexos eram decorrentes de fatores socioculturais e não biológicos (nature versus nurture) - tese aclamada pelas feministas de então -, a mutilação de Bruce oferecia-lhe uma excelente oportunidade de colocar à prova sua teoria. Havia, em sua opinião, a indicação para a mudança cirúrgica de sexo, os pais tratariam a criança conforme sua orientação e o experimento teria uma contraprova natural, pois havia um irmão gêmeo idêntico, univitelino, compartilhando o mesmo ambiente familiar e que serviria de controle. No eterno debate sobre natureza e educação, ia demonstrar que a educação é tudo. Simone de Beauvoir e Sartre já tinham feito triunfar a ideia de que é o ser humano quem goza de liberdade, não a natureza.

Família Reimer
Os Reimer seguiram ao pé da letra as instruções de Money, mas as coisas não correram conforme o previsto. Janet, a mãe, conta o que aconteceu quando tentou vestir Brenda com o seu primeiro vestido, pouco antes de fazer dois anos: "Tentou arrancá-lo, rasgá-lo. Lembro-me de que pensei: 'Meu Deus, ele sabe que é um menino e não quer vestir-se como uma menina!'"

“Brenda” também passou a ser rejeitado na escola, onde bem cedo manifestou estranhas “tendências lésbicas”, apesar dos hormônios que o faziam tomar.

Enquanto toda a família via aflita o fracasso da operação, no decorrer daqueles anos 70 Money proclamava aos quatro ventos que a sua experiência era um êxito rotundo. Num artigo publicado em Archives of Sexual Behaviour, escreveu: “O comportamento da menina é claramente o de uma menina ativa, bem diferente das formas masculinas do seu irmão gêmeo” e que “Os gêmeos estavam felizes em seus papeis estabelecidos: Brian era um menino forte e levado; ‘Brenda’, sua irmã', era uma doce menininha”.

Em função dessa experiência, Money ficou mais famoso. A revista Time, numa longa matéria, afirmava que “este caso constitui um apoio férreo à maior das batalhas pela libertação da mulher: o conceito de que as pautas convencionais sobre a conduta masculina e feminina podem ser alteradas”.

Nesse ínterim, os gêmeos eram obrigados a seguir periodicamente sessões de “psicoterapia” com Money. Segundo consta, tais sessões foram profundamente traumáticas para ambas as crianças. Nelas, possivelmente num esforço de estabelecer as diferenças de comportamento sexual entre homem e mulher, Money lhes mostrava fotos sexuais explícitas e teria feito as crianças despirem-se e encenarem posições de coito, com “Brenda” desempenhando o papel sexual passivo. Em "pelo menos uma ocasião", o Dr. Money tirou "fotografia" das duas crianças fazendo essas atividades. A razão do Dr. Money para estes vários tratamentos era a sua crença de que "jogos sexuais infantis" eram "importantes para uma identidade de gênero adulta saudável".

Enquanto isso, a mãe, que se sentia culpada e desorientada com a situação da “filha” entrou em depressão e, a certa altura, tentou o suicídio. O pai desenvolveu um alcoolismo grave e o irmão gêmeo Brian começara a usar drogas e a praticar atos de delinquência ao atingir a adolescência.

Quando o Dr. Money começou a pressionar a família para “Brenda” fazer uma cirurgia de construção de uma vagina, a família interrompeu as visitas de acompanhamento. Dos 22 meses de vida até seus primeiros anos como adolescente, “Brenda” urinou por meio de um orifício que cirurgiões fizeram em seu abdômen. Foi-lhe dado estrogênio durante a adolescência, para induzir o desenvolvimento das mamas. Destruída pelas intermináveis sessões psiquiátricas e pela medicação com estrogênio, com a idade de 13 anos, “Brenda” estava experimentando depressão suicida, e disse a seus pais que iria cometer suicídio se eles o fizessem ver o Dr. John Money novamente.

Não tendo mais contato com a família, visto que as visitas foram suspensas, o Dr. John Money não publicou mais nada sobre o caso. Mas também não informou ao público que a mudança não havia sido bem sucedida e continuou por muito tempo a permitir que as pessoas acreditassem que ela tinha sido bem sucedida.

Como inexplicavelmente deixou de publicar as evoluções do caso, o fato chamou a atenção de um pesquisador rival, Dr. Milton Diamond, da Universidade do Havaí, que procurou informações e reconstruiu a verdade sobre o mesmo, publicando-a num artigo em coautoria com Keith Sigmundson, nos Archives of Pediatrics and Adolescent Medicine.

A verdade descrita por Diamond era muito diferente da versão sustentada por Money. Desde os dois anos, “Brenda” rasgava suas roupas de menina e se recusava a brincar com bonecas, disputando com o irmão Bruce seus brinquedos. Na escola, era permanentemente hostilizada pelo comportamento masculinizado e pela insistência em urinar de pé. Queixava-se insistentemente aos pais por não se sentir como uma menina. Mantendo as orientações de Money, os pais diziam-lhe que era uma “fase” que logo superaria.

Não aguentando mais a situação, os pais consultaram um psiquiatra de sua cidade, que sugeriu dizer toda a verdade para “Brenda”. Em 1980, seu pai contou-lhe então a verdade, e isso teve um efeito profundo e transformador. Posteriormente, “Brenda/Bruce” disse: “De repente, tudo fazia sentido. Ficava claro por que me sentia daquela forma. Eu não estava louco”.

David Reimer e jane Fontaine
Casamento, em 22 set. 1990
“Brenda”, aos 14 anos, imediatamente se engajou numa busca do sexo perdido. Fez inúmeras cirurgias para fechar sua vagina artificial, recompor a genitália masculina com a implantação de próteses de pênis e testículos, retirar os seios crescidos a base de estrógenos, além de iniciar tratamentos hormonais para masculinizar sua musculatura. Significativamente, não retomou seu nome inicial escolhendo chamar-se “David”. Apesar de todas as cirurgias e da nova identidade masculina, mergulhara também numa séria depressão e tentou suicídio aos 20 anos. Mas em 22 de setembro de 1990, ele se casou com Jane Fontaine e se tornou o padrasto de três filhos.

Quando tinha 30 anos, David foi encontrado por Diamond, que, como dito acima, desconfiara do motivo que levara Money a interromper, sem maiores explicações, o relato de um caso que o reputava de tanto sucesso. Somente aí David soube que, até então, seu caso era mundialmente conhecido, e que tinha sido imortalizado como caso 'John/Joan', em artigos e livros de teoria médica e psicológica, atestando o 'sucesso' da teoria de Money, e estabelecendo os protocolos sobre como tratar crianças hermafroditas e pessoas que sofreram algum tipo de mutilação como a perda do pênis.

Indignado com tal impostura, David resolveu colaborar, dando origem ao trabalho que recolocou a verdade em circulação, engajando-se numa campanha para evitar que outros passassem pelos mesmos sofrimentos que ele tivera de suportar. O trabalho de Diamond foi largamente divulgado e chegou à grande mídia, jornais e televisões norte-americanos. Se não fosse pelo trabalho detetivesco de Diamond, tudo ficaria encoberto.

Biografia de David Reimer
Posteriormente, John Colapinto, redator da revista Rolling Stone, em conjunto com David escreveu sua biografia, que tomou o nome de As Nature made him - The Boy who was raised as a girl. Os lucros da publicação foram divididos meio-a-meio entre Colapinto e David. Tempos depois, David perderia em investimentos malsucedidos todas as suas economias advindas dos direitos autorais de sua biografia e de um futuro filme nela baseado (o estúdio Dreamworks, de Spielberg, desenvolve um projeto para futura realização).

Em 2002, o irmão gêmeo Brian, que sofria de esquizofrenia, suicidou-se com uma overdose de antidepressivos.

David nunca conseguiu superar o seu trauma. “Daria qualquer coisa para que um hipnotizador conseguisse apagar todas as recordações do meu passado. É uma tortura que não suporto. O que fizeram com o meu corpo não é tão grave como o que provocaram na minha mente”, tinha dito.

Em 2 de maio de 2004, sua esposa Jane, cansada do caráter soturno e melancólico do marido, após 14 anos de casamento, lhe disse que queria a separação. Na manhã de 5 de maio de 2004, David foi a uma mercearia, e cometeu suicídio dando um tiro na própria cabeça. Ele tinha 38 anos.

O Dr. John William Money continuou até o fim da vida como Professor Emeritus na Johns Hopkins University. Na época do suicídio de David Reimer, foi procurado pela imprensa mas não quis manifestar-se. Suas ideias sobre a Ideologia de Gênero continuam a ser divulgadas.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Recado aos Apoiadores do Escola Sem Partido*

Por Stephen Kanitz*

Stephen Kanitz
Só existe uma forma de reduzir o poder autoritário do professor brasileiro.

Só existe uma forma de acabar com a doutrinação em favor de um estado forte, única forma que esses professores incompetentes podem sobreviver.

Professor que ensina não pode ser o mesmo que dá as notas para os seus próprios alunos.

Esse é um princípio fundamental de Administração.

E é incrível que ninguém saiba disso.

Que ninguém se preocupe em aprender esta ciência antes de sair implantando políticas públicas.

Pelo menos visite uma empresa antes de sair por aí.

Quem avalia os resultados de nós Administradores, nunca é o próprio Administrador que executa.

Quem nos avalia é um Contador, um Orçamentista, ou o Depto. de Planejamento.

Essa de “eu cumpri o currículo inteiro e os alunos tiraram nota dez, afirmo eu professor”, é balela da esquerda.

Nenhum professor meu jamais ensinou o currículo até o fim.

Professor não pode dizer o que vai cair na prova quando não cumpre o planejado.

A própria prova tem de ser redigida por outra pessoa que não o próprio professor.

O professor também não pode corrigir as provas dos seus alunos porque no fundo é o professor que está sendo avaliado, mais do que os alunos.

Tivemos cinco economistas nos últimos 25 anos no Ministério da Educação, e nenhum desses gênios estudou técnicas de avaliação e controle? Claro que não, estudaram juros e câmbio.

Tirar o poder do professor de dar notas é a única forma de permitir aos nossos filhos contra-argumentarem em sala de aula, sem receio de serem perseguidos na prova final.

Acabando com a ditadura do professor.

Para que entrar em lutas ideológicas com a esquerda, quando princípios elementares de administração resolveriam o problema?

Fica claro que a diretoria do Escola Sem Partido nunca consultou um único administrador, somente advogados para se orientar como se implanta uma ideia com sucesso.

Muito triste a nossa ignorância administrativa, e o quanto isto nos custa.

Quando vocês vão valorizar a profissão do Administrador?

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Uma sombra cruzou o olhar da professora*

Por Percival Puggina*

Professora Lisete Arelaro
Faculdade de Educação/USP
Enquanto seu interlocutor falava, ela o observava atentamente. Momentos antes o interrogara sobre se, sendo sociólogo, seria possível graduar-se sem conhecer as obras de Karl Marx, Max Weber e Émile Durkheim [intervalo de tempo do vídeo em 14:10-15:25].

Bem, o leitor deve estar se perguntando onde transcorria esse diálogo. Vamos a isso, então, antes de interpretarmos a sombra no olhar da professora. Era o programa Entre Aspas, transmitido pela Globo News na terça-feira 26 de julho. A jornalista Mônica Waldvogel convidara o sociólogo Thiago Cortes e a professora uspiana Lisete Arelaro para externarem opiniões a respeito do projeto Escola Sem Partido, concebido pelo movimento com o mesmo nome. O sociólogo falava pelo projeto e a professora em sentido contrário. O palpitante tema, como se sabe, mobiliza parcela da opinião pública nacional e se expressa assim: "Pode ou não a lei, deve ela ou não, impor limites à influência política, ideológica e partidária do professor da rede pública em sala de aula?". O movimento Escola Sem Partido e a Constituição Federal afirmam que sim. Os professores que estão industriosamente dedicados a essa tarefa sustentam que não.

O debate sobre o tema tem servido para formar pilhas e pilhas de relatos sobre demasias praticadas em todos os níveis do nosso sistema de ensino público e privado. De modo monocromático, os abusos incluem material didático mistificador, aulas panfletárias e conteúdos apresentados com o intuito de ocultar o conhecimento. Como salientou Olavo de Carvalho em recente artigo, é um tipo de ensino que procura manter, do contraditório, distância equivalente à que separa o diabo da cruz. Não satisfeito com a tapeação, chega às ridicularias. Há professores que, no estilo cubano, iniciam as aulas com proclamações políticas. Outros se permitem suspender as atividades para conduzir alunos a manifestações promovidas pela esquerda. E creiam - há um vídeo no YouYube! -, certa professora faz a turma dançar cantando uma besteira na qual Karl Marx é apresentado como mix de funkeiro, Gabriel Pensador e Marilena Chauí. Há quem deixe a vergonha no cabide da sala de professores.

A pedagoga da USP, porém, estava convencida de que a militância de seus colegas era o próprio pluralismo pedagógico e de que ensinar marxismo era a mais nobre e generosa tarefa a que um educador poderia se dedicar. Na sua perspectiva, por certo, os incontornáveis fracassos das experiências marxistas são consequências de um déficit de marxismo e se resolvem com mais Karl Marx.

Voltemos à cena descrita no início deste artigo. A professora perguntara ao sociólogo sobre a importância dos três autores que mencionara. Ele a confirmou e explicou, com limpidez, que o problema não estava em apresentá-los, mas em sonegar aos alunos o conhecimento e a própria existência de expoentes do pensamento não marxista, como Edmund Burke, Roger Scruton, Michael Oakeshott e Russell Kirk. Foi aí que - zaz! A professora franziu o cenho, sua fisionomia sombreou e acenderam-me as dúvidas. Também dela haviam ocultado esses autores? Ou, ao contrário, estava ela confirmando a si mesma que tais nomes deveriam ser impronunciáveis em sala de aula? Ou ainda: como sair dessa?


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