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quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Colégio Americano de Pediatria afirma: Ideologia de Gênero é prejudicial às crianças*

Michelle A. Cretella, M.D.¹
Paul McHugh, M.D.²
Quentin Van Meter, M.D.³

O Colégio Americano de Pediatria insta os educadores e legisladores a rejeitarem todas as políticas que condicionam as crianças a aceitarem como normal uma vida de representação química e cirúrgica do sexo oposto. Fatos - não ideologia - determinam a realidade.

1. A sexualidade humana é um traço binário biológico objetivo: "XY" e "XX" são marcadores genéticos de machos e fêmeas, respectivamente - não marcadores genéticos de uma doença.

A norma para a concepção humana é ser masculino ou feminino. A sexualidade humana é originalmente binária, com a finalidade óbvia de garantir a reprodução e a sobrevivência de nossa espécie. Este princípio é auto-evidente. Os distúrbios extremamente raros do desenvolvimento sexual (DSD's), incluindo mas não limitados à feminização testicular e hiperplasia adrenal congênita, são todos desvios medicamente identificáveis ​​da norma binária sexual e são reconhecidos como desordens de formação genética. Indivíduos com DSD's não constituem um terceiro sexo.

2. Ninguém nasce com um gênero. Todo mundo nasce com um sexo biológico. Gênero (uma consciência e sentido de si mesmo como homem ou mulher) é um conceito sociológico e psicológico; não é um conceito biológico.

Ninguém nasce com uma consciência de si mesmo como homem ou mulher; Essa consciência se desenvolve ao longo do tempo e, como todos os processos de desenvolvimento, pode ser provocado pelas percepções subjetivas, relações e experiências adversas da criança desde a infância. As pessoas que se identificam como "sentindo-se como do sexo oposto" ou "em algum lugar entre" não compreendem a um terceiro sexo. Eles permanecem homens ou mulheres, de acordo com o sexo com que foram biologicamente formados.

3. A crença de uma pessoa de que ele ou ela é algo que eles não são é, na melhor das hipóteses, um sinal de pensamento confuso.

Quando um menino biologicamente saudável acredita que é uma "menina", ou uma menina biologicamente saudável acredita que é um "menino", existe um problema psicológico objetivo que está na mente e não no corpo e que deve ser tratado como tal. Essas crianças sofrem de disforia de gênero. A Disforia de Gênero (GD), anteriormente classificada como Transtorno de Identidade de Gênero (GID), é um transtorno mental reconhecido na edição mais recente do Manual de Diagnóstico e Estatística da Associação Americana de Psiquiatria (DSM-V). As teorias psicodinâmicas e sociais de aprendizagem do GD/GID nunca foram refutadas.

4. A puberdade não é uma doença e os hormônios bloqueadores da puberdade podem ser perigosos.

Reversíveis ou não, os hormônios bloqueadores da puberdade induzem um estado de doença - a ausência de puberdade - e inibem o crescimento e a fertilidade em uma criança anteriormente biologicamente saudável.

5. De acordo com o DSM-V, até 98% de meninos e 88% de meninas confusos em relação ao próprio gênero acabam por aceitar o seu sexo biológico depois de passar naturalmente pela puberdade.

6. Crianças que usam bloqueadores da puberdade para personificar o sexo oposto necessitarão usar hormônios sexuais no final da adolescência. Os hormônios sexuais cruzados (testosterona e estrogênio) estão associados a perigosos riscos para a saúde, incluindo mas não se limitando a pressão alta, coágulos de sangue, acidente vascular cerebral e câncer.

7. As taxas de suicídio são vinte vezes maiores entre os adultos que utilizam hormônios sexuais cruzados e submetidos a cirurgia de reatribuição do sexo, mesmo na Suécia, que está entre os países de maior afirmação LGBQT.

Que pessoa compassiva e razoável condenaria as crianças a esse destino sabendo que, após a puberdade, 88% das meninas e 98% dos meninos acabariam por aceitar a realidade e alcançar um estado de saúde mental e física?

8. Condicionar as crianças a acreditarem que uma vida inteira de personificação química e cirúrgica do sexo oposto é normal e saudável é abuso infantil.

Endossar a discordância de gênero como normal via educação pública e políticas legais confundirá crianças e pais, levando mais crianças a procurarem "clínicas de gênero", onde receberão drogas bloqueadoras da puberdade. Isso, por sua vez, garante praticamente que eles "escolherão" uma vida de hormônios sexuais carcinogênicos e tóxicos, e provavelmente considerarão submeterem-se à mutilação cirúrgica desnecessária de suas partes saudáveis ​​do corpo ao chegarem à fase adulta.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Ideologia de Gênero: pensemos acima de tudo nas crianças*

Por João Luiz Mauad*

Antes da mais nada, gostaria de alertar para o fato de que o comentário abaixo não tem nada a ver com liberalismo, conservadorismo ou esquerdismo, mas com psicologia, sociologia, antropologia e biologia. Sim, eu sei que a ideologia de gênero é uma tese abraçada por alguns setores da esquerda, mas não é disso que pretende tratar esse texto.

O UOL publicou ontem [17 out. 2016] uma matéria [leia AQUI] em que destaca um casal e seu filho (ou filhx, como alguns gostam de dizer) de dois anos, criado de acordo com a mais estrita igualdade de gênero. Segundo a matéria,
"Mica tem dois anos e apenas os cuidadores, como os seus pais biológicos preferem ser tratados, sabem o seu sexo. Um dia, a criança sai com um vestido rosa cheio de babados e, no seguinte, com um bermudão azul. Fora o visual, nem mesmo o nome de Mica entrega seu gênero de nascimento, porque a educadora Mariana Vieira Carvalho, 29, escolheu um nome que soasse neutro. 
(…) 
Mariana, ao lado de Raul Almeida Carvalho, 31, decidiu que a neutralidade tinha de vir desde o nome de registro. “Foi difícil porque não há muitas opções contemporâneas. E a gente teve o cuidado de não colocar nenhum nome que pudesse causar um constrangimento futuro.”"
Para dar respaldo à matéria, a reportagem foi buscar a palavra do terapeuta sexual Breno Rosostolato, professor da Faculdade Santa Marcelina, em São Paulo. De acordo com o especialista, nomear uma criança com um termo que não entregue o sexo de nascimento ajuda a criar uma pessoa mais livre dos estereótipos de gênero, mas não é o bastante.
“A criança precisa ter condições de se representar do jeito que ela quiser e principalmente ter essa representação respeitada”.
O terapeuta diz ainda que, aos cinco anos, uma pessoa já tem compreensão de si para se dizer homem ou mulher. “E se a criança cresce em um ambiente que respeita essa expressão dela por um gênero, isso dá forças para enfrentar preconceitos. A criança eventualmente vai sofrer, mas com o apoio dos pais tudo se torna mais fácil”.

Ora, independentemente de qualquer argumento científico e do wishfull thinking dos experts, é inegável que (ainda) vivemos numa sociedade repleta de padrões e vinculada a um sem número de tradições. Viver fora desses padrões ou desrespeitar certas tradições pode ser muito difícil, até doloroso, eu diria, principalmente para as crianças, que ainda não desenvolveram defesas suficientes contra o preconceito – principalmente o preconceito oriundo da convivência com outras crianças, as quais ainda não desenvolveram freios que impeçam a discriminação escancarada.

Portanto, o que os pais daquela criança estão fazendo é uma violência contra seu filho/filha, não importa quão bem intencionados estejam – sim, eu me recuso a pensar que estejam fazendo isso com aquela criança apenas para obter seus 15 minutos de fama, como afirmam alguns.

No mais, pesquisas científicas sérias (não citadas nem de raspão na matéria) comprovam que as escolhas individuais relacionadas a profissões, brincadeiras, etc. são influenciadas principalmente por aspectos biológicos (genéticos e hormonais), além da cultura e da educação. Quem tiver interesse em aprofundar-se no tema, sugiro que comece assistindo a este documentário [assista AQUI], não por acaso produzido na Noruega, pátria mãe da chamada ideologia de gênero. Vale cada minuto.

Ademais, fica aqui o meu apelo: independentemente das suas certezas, pensem no sofrimento que vocês podem impor aos seus pequeninos quando resolverem educá-los muito fora dos padrões e tradições de determinado lugar.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

“Gênero”- Uma Nova e Perigosa Ideologia*

Entrevista com Dale O’Leary, especialista em ideologia de gênero*
Por Centro da Família Coração de Jesus*

Dale M. O'Leary
*28 jan. 1941 - atual
O último século foi o período de uma justa luta das mulheres contra os abusos, tratamento injusto e humilhantes estereótipos. Como resultado dessa luta foram as leis, que garantiram às mulheres o status de igualdade. Porém, na década de 70 do século passado, sobre o movimento feminista começaram a exercer uma forte pressão das ideologias radicais que propagavam uma nova e revolucionária visão do homem. Essas ideologias fizeram com que a luta pelos direitos iguais das mulheres se tornassem apenas um pretexto para combater a assim chamada “família tradicional” e a maternidade, e apoiar a promiscuidade sexual. Por isso, as diversas instituições convocadas pelos países, com o propósito de assegurar a igualdade entre homens e mulheres, servem mais à propagação de ideias radicais feministas, do que à defesa dos verdadeiros interesses das mulheres e da sociedade. Uma dessas ideologias e amplamente propagada é a ideologia de gênero (gender).

A AGENDA DE GÊNERO
Redefinindo a Igualdade

Clique AQUI para o download
do livro condensado.
Dale O’Leary é americana, de Rhode Island, autora do livro Gender Agenda: Redefining Equality (Agenda de Gênero – Redefinição da Igualdade); é mãe de quatro filhos e avó de doze netos, dirige a revista de internet The Factls.org, editada em Washington, D.C., que se dedica aos problemas da política social seja nos Estados Unidos, como no mundo. A revista é sustentada pela Fundação da Cultura da Vida (Catholic Family & Human Rights Institute). Publica também em seu blog What does the research really say? ...from the desk of Dale O'Leary. Atualmente vive na Flórida.


A Entrevista

Centro da Família Coração de Jesus - CFCJ.
Dale O'Leary - DL.

CFCJ – Quais foram os objetivos iniciais dos movimentos feministas no Ocidente?
DL – De modo geral, podemos dizer que, na segunda metade do século XX, as sociedades ocidentais lutavam para conciliar a igualdade entre o homem e a mulher, respeitando as suas diferenças biológicas. Nos anos 60, as mulheres protestavam contra as leis e os costumes que faziam com que fossem tratadas de forma diferente dos homens. Em resposta a esses protestos, os governos dos países aprovaram leis que garantiam às mulheres a igualdade. As mulheres sabiam aproveitá-las bem rapidamente – aumentou o número das mulheres estudantes nas instituições de ensino superior, com capacidades profissionais e ocupando altos cargos governamentais.
CFCJ – Por que num certo momento a luta pelos direitos iguais das mulheres se transformou em luta contra os homens e a família?
DL – Nos anos 70, ao movimento feminista juntaram-se os radicais que consideravam as mulheres como protótipo da “classe oprimida” e a família, com a “heterossexualidade obrigatória”- instrumento de opressão. Esse movimento filosófico teve origem em Friedrich Engels e na sua análise do surgimento da família. Em 1884, Engels escrevia: “Na história, como primeiro antagonismo é preciso reconhecer o antagonismo entre o homem e a mulher no matrimônio monogâmico e como principal opressão – opressão da mulher pelo homem”. Shulamith Firestone, no seu livro “The Dialectic of Sex (Dialética do gênero), publicado em 1970, modificando a ideia da luta de classes, convoca à “revolução das classes do gênero” (sex-class revolution): “Para eliminar as classes do gênero, a classe submissa (mulheres) deve revoltar-se e assumir o controle da reprodução." Isto significa que o objetivo da revolução feminista não é somente a eliminação dos privilégios dos homens, o que foi objetivo do movimento feminista, mas a eliminação das diferenças entre os sexos; as diferenças entre os sexos não terão mais nenhuma importância.
CFCJ – Isso explica por que esse novo feminismo se posicionou não somente contra os homens, mas também contra a maternidade?
DL – Segundo Firestone, a essência da opressão da mulher é a maternidade e a educação dos filhos. Os que apoiam essa posição acham que o aborto desejado, a anticoncepção, a total liberdade sexual, o trabalho das mulheres fora de casa e permanências das crianças em creches sustentadas pelo estado são condições necessárias para a libertação das mulheres. Nancy Chodorow no livro “The Reproduction of Mothering” afirma que enquanto as mulheres cumprirem a função educativo-zeladora, as crianças vão crescer percebendo a humanidade dividida em duas classes e – segundo ela – desiguais. Esta seria a causa da tolerância da “opressão de classes”.
CFCJ – Isto significa que as feministas radicais querem que as crianças vivam sem família?
DL – Sim. O novo feminismo quer eliminar a família biológica. Alison Jagger, no livro usado nos cursos para as mulheres, mostra qual deveria ser o resultado desejado da revolução das classes de gênero: a “eliminação da família biológica eliminará também a necessidade da opressão dos sexos. O homossexualismo masculino e feminino, como também as relações sexuais extramatrimoniais, não serão mais vistas na ótica liberal como opções alternativas." A própria “instituição” da convivência sexual, onde a mulher e o homem exercem papéis diferentes, desaparecerá. A humanidade poderá, então, voltar à sua natural, multifacial e perversa sexualidade.
CFCJ – Como surgiu a ideia e a expressão “gênero (gender)”?
DL – O problema diante do qual se encontraram as pessoas que promoviam a revolução contra a família, estava em como eliminar as “classes dos sexos” (sex classes), as quais são condicionadas pelas diferenças biológicas entre a mulher e o homem. A solução deste dilema foram as teses do Dr. Money, da John Hopkins University (Baltimore, EUA). Até os anos 50, a palavra “gender” era um termo gramatical e indicava se uma palavra é de gênero masculino, feminino ou neutro. Dr. Money começou a usá-lo num novo contexto e introduziu o termo “gender identity” – a “identidade do gênero”, para indicar se uma pessoa se sente homem ou mulher. Money achava que a identidade sexual – “gender identity” – depende do fato como a criança é educada, e, às vezes, é distinta da identidade biológica.
CFCJ – De que modo as feministas aproveitaram as teorias do Dr. Money?
DL – Kate Millet, no seu livro de 1969, “Sexual Politics” (Política sexual), escrevia: “Não existe diferença entre os sexos no momento do nascimento. A personalidade psicossexual é, portanto, algo apreendido depois do nascimento". Deste modo, a ideia de sexo (gênero) como uma criação social entrou nas teorias feministas. A ideologia de gênero fez com que a prioridade do movimento feminista deixasse de ser a luta política, que discriminava as mulheres, se tornou uma luta para combater ideias que evidenciavam as diferenças entre a mulher e o homem e acentuavam o principal papel da mulher na esfera educativo-zeladora.
CFCJ – As feministas recorriam frequentemente ao fórum das Nações Unidas para impor ao mundo as suas ideias radicais. Era assim também no caso da ideologia “gender”?
DL – Até 1990, nos documentos da ONU se acentuava a eliminação de todas as formas de discriminação contra as mulheres. Mas, nos anos 90 o problema “gender” ocupou a posição privilegiada. Num folder da agência INSTRAW, da ONU, intitulado “Gender Concepts”, a ideia “gender” é definida como “sistema de papéis e relações entre mulher e homem, que não é determinado biologicamente, mas depende do contexto social, político e econômico. Assim, como o sexo biológico é dado pela natureza, o gênero é um produto”. O grande problema é que, às vezes, as pessoas que usam o termo “gender” não são conscientes das suas raízes ideológicas.
CFCJ – Isso era perceptível durante algumas conferências mundiais da ONU, quando os delegados de vários países assinavam documentos, nos quais recorria o termo “gender”, sem saber o que ele significa exatamente e em que se diferencia do termo “sexo-gênero”.
DL – É verdade. Basta lembrar a Conferência Mundial da ONU dedicada à mulher, que aconteceu em Pequim, em 1995. No texto final, “Platform for Action” (Plataforma da ação), se lê: “Em muitos países, as diferenças entre realizações e ocupações dos homens e das mulheres continuam não sendo reconhecidas como consequências dos papeis de gênero criados pela sociedade, mas de imutáveis diferenças biológicas”.
CFCJ – É evidente que a diferença dos papéis dos homens e das mulheres é consequência das naturais diferenças biológicas! O homem não pode engravidar, não pode alimentar a criança com peito…
DL – É evidente que sim, mas da perspectiva da ideologia de gênero é inaceitável que a mulher possa escolher a maternidade como vocação primordial. Atestam isso as palavras de Simone de Beauvoir. Quando Betty Frieden perguntou a ela se as mulheres poderiam ter o direito de escolher ficar em casa e educar os filhos, a escritora respondeu: “As mulheres não deveriam ter esta possibilidade de escolha, porque, se esta possibilidade existisse realmente, um número demasiado de mulheres recorreriam a tal direito”.
CFCJ – São palavras muito significativas. Voltemos, ainda, à teoria do Dr. Money. Ela foi confirmada cientificamente?
DL – Quando a ideologia de gênero estava se tornando mais popular, as suas motivações teóricas se desfizeram. As teoria do Dr. Money foram desacreditadas pelas pesquisas científicas referentes ao desenvolvimento do cérebro. Os exames pré-natais demonstraram que, ainda antes de nascer, os cérebros do menino e da menina se diferenciam significativamente; isto tem influência no modo diferente de percepção dos movimentos, cores e formas. Isto causa por exemplo que, no menino, há uma “preparação biológica” para usar brinquedos masculinos e, nas meninas, dos brinquedos femininos. As mulheres, a começar pelo ventre materno, são dotadas de uma particular sensibilidade com outras pessoas, que é necessária no desempenho do papel de mãe.
CFCJ – Para que serve isso, se algumas feministas não querem reconhecer o papel especial da mulher na sociedade e ignoram as pesquisas que confirmam isso?
DL – Isso é um grande problema. Os cientistas que pesquisam as etapas iniciais do desenvolvimento da criança e do seu cérebro estão perplexos com o fato de que a importância dos laços entre a mãe e a criança é ignorada por aqueles que gostariam de ver a mulher apenas como força de trabalho, e as crianças nas creches.
CFCJ – A ideologia de gênero é partidária de uma nova definição do matrimônio, que incluiria também os casais do mesmo sexo. Nos últimos anos, apareceram muitas publicações nas quais se sugere que não existe nenhuma diferença significativa entre as crianças educadas pelos casais do mesmo sexo e os casais naturais. Os testes desse tipo merecem credibilidade?
DL – Aqueles que analisaram tais pesquisas consideraram-nas não válidas. Segundo a Prof. Lynna Wardle, “a maioria das pesquisas referentes à genitoriedade dos homossexuais apoia-se na documentação insuficiente do ponto de vista quantitativo, defeituosa quanto à metodologia e a análise (some of little more then anecdotal quality), e, em consequência, na fraca base empírica, para ser decisiva para uma política social”. Por um lado, muitas pesquisas confirmam, que a presença do pai e da mãe aumenta o bem-estar da criança. Patric Fagan da Heritage Foundation recolheu uma grande quantidade de provas que evidenciam a importância de possuir um pai e uma mãe que vivem juntos. Por outro lado, “as crianças criadas pela mãe solteira ou pais separados, são expostas ao maior risco de experiência da pobreza e dos abusos, problemas educacionais e sentimentais”. O futuro da sociedade depende das crianças, por isso, colocar o bem das crianças acima de tudo é o nosso dever.
CFCJ – Qual é a posição da Igreja [Católica] em relação à ideologia de gênero?
DL – A Igreja Católica não pode ser indiferente, quando, em nome do “bem” da mulher se agride a família, o matrimônio, a maternidade, a paternidade, a moral da vida sexual e vidas não nascidas. A Igreja [Católica] decididamente condena o tratamento abusivo das mulheres na família, mas a resposta aos maus-tratos não pode ser combater a família como tal! Quando a sociedade encoraja a convivência sexual fora do matrimônio, o aborto, o divórcio e a mentalidade anticonceptiva, as primeiras vítimas são as mulheres. A contínua luta das "classes de gênero" (sex-class strugle) não vão conduzir à autêntica libertação da mulher. Uma antropologia errada, que nega as diferenças entre os sexos, deixa as mulheres numa situação nada invejável: ou procuram imitar o comportamento masculino, ou perdem energia para transformar os homens em “pseudomulheres”. Grandes somas de dinheiro são gastas para lutar contra os naturais desejos da mulher de ser mãe. É óbvio que a ideologia de gênero conduz a um beco sem saída. A solidariedade entre o marido e a esposa em família, entre o homem e a mulher na sociedade é necessária para agir frutuosamente em prol de todos. Mulher que tem consciência das diferenças do sexo é livre e pode colaborar com os homens, sem risco de perder a própria identidade. O apoio ao matrimônio e à família, à paternidade e à maternidade não constitui, de modo algum, uma ameaça às leis, à dignidade e à fundamental igualdade das mulheres. Contudo, é sempre necessária a proteção da mulher contra os abusos e a injustiça, a distinção entre os sexos e os humilhantes estereótipos como também assegurar o direito das mulheres e dos homens à escolha de ocupações atípicas.
CFCJ – O que a Igreja [Católica] tem a dizer nessa importante disputa?
DL – João Paulo II repetia frequentemente que a alternativa para a luta de classes é a solidariedade. Alguém que é interessado a criar verdadeiramente uma sociedade a favor da mulher, encontrará a linha da atuação no livro “Amor e Responsabilidade”, do Cardeal Karol Wojtyla. A desaprovação por João Paulo II aos comportamentos em que se trata uma pessoa como objeto, com certeza é a favor das mulheres que são as primeiras vítimas do utilitarismo sexual e econômico. Uma colaboração frutífera entre mulheres e homens deve apoiar-se na verdade sobre a pessoa humana. Deus criou mulher e homem como dois sexos, diferentes mas iguais, instituiu o matrimônio e a família, como também as leis que orientam a moral; e Deus não pode ser injusto. Por isso, as mulheres não deveriam ter medo da cultura que sublinha e respeita as diferenças entre mulheres.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Um grande estudo derruba o credo LGBT com fatos científicos*

Por Jan Bentz*

O conjunto de mal-entendidos e mitos comuns utilizados pelo lobby LGBT para alimentar o estilo de vida homossexual e a teoria de gênero na sociedade e nas instituições rachou com a publicação de um relatório sobre a orientação sexual, saúde mental, conduta social e identidade de gênero.

Dr. Lawrence S. Mayer, bioestatístico e epidemiologista, e Dr. Paul R. McHugh, professor catedrático, no departamento de psiquiatria da Escola de Medicina da Universidade de Johns Hopkins, publicaram o fruto de sua empreitada no The New Atlantis. O relatório reúne a evidência de 200 estudos de caso. Os resultados puxam o tapete dos argumentos pseudocientíficos apregoados pelo lobby LGBT em relação à sexualidade nos Estados Unidos e no Mundo.

Mayer e McHugh integraram dados biológicos, psicológicos e sociais para criar uma compreensão ampla dos temas em questão. Enfocaram-se os problemas de saúde mental conectados ao estilo de vida gay, bem como as crianças que não se identificam com seus sexos biológicos.

A primeira seção do relatório lida com a orientação sexual. Ela explica que orientação sexual é uma característica humana biologicamente fixada. Essa verdade simples parece surpreendente em uma sociedade em que a teoria de gênero já fincou suas raízes. O estudo mostra mais evidência de que enquanto “fatores biológicos como genes e hormônios estão associados com comportamentos sexuais e atrações, não há explicações biológicas causais convincentes para a orientação sexual humana. Apesar de diferenças menores nas estruturas e atividade encefálicas entre indivíduos homossexuais e heterossexuais terem sido identificadas pelos pesquisadores, tais descobertas neurobiológicas não demonstram se essas diferenças são inatas ou se são resultado de fatores ambientais e psicológicos”.

Igualmente interessante é que pesquisadores descobriram que 80 por cento dos adolescentes do sexo masculino que se sentem inseguros em relação à sua sexualidade relatam que a atração pelo mesmo sexo não é mais experimentada quando chegam à fase adulta. Essa informação está em clara oposição ao argumento de que uma atração desordenada pelo mesmo sexo aponta necessariamente em direção à orientação sexual a qual a pessoa deva se entregar e seguir. Os estudos de caso mostram, ainda, que heterossexuais têm de duas a três vezes menos chance de ter experimentado abuso sexual na infância, em comparação àqueles que depois ‘se assumem’ como homossexuais.

A segunda parte do estudo lida com as questões de saúde mental e de estresse social que são comuns entre homossexuais. Ela mostra que a população não heterossexual tem um risco elevado de sofrer de uma variedade de problemas de saúde física e mental. Pessoas vivendo o estilo de vida homossexual têm uma chance e meia a mais de experimentar ansiedade; têm o dobro de risco de depressão, e 2,5 vezes o risco de suicídio. Os números são mais extremos para pessoas que são transgêneros: 41 por cento já teve uma tentativa de suicídio durante a vida, enquanto que a taxa para a população em geral nos Estados Unidos é abaixo de 5 por cento.

O estudo lança mais luzes sobre questões de identidade de gênero. “A hipótese de que a identidade de gênero é uma característica inata e fixa dos seres humanos que independe do sexo biológico — que a pessoa possa ser ‘um homem preso no corpo feminino’ ou ‘uma mulher presa no corpo masculino’ — não é sustentada pelas evidências científicas”.

Contrastando com a imagem costumeiramente apresentada pela mídia, apenas 0,6 por cento dos adultos americanos identifica-se com um gênero que não corresponda ao seu sexo biológico. Não há correlação entre a estrutura encefálica e identificações transgêneras. Portanto, não há nenhuma base neurobiológica para a identificação de gênero que transgrida o sexo biológico. Aqui, os números também são deprimentes: comparados com a população em geral, adultos que passaram pela cirurgia de mudança de sexo têm cinco vezes mais chance de tentar o suicídio. Além disso, “não há evidência de que todas as crianças que expressam pensamentos e comportamentos atípicos para seu gênero deveriam ser encorajadas a se tornar transgêneras”.

Os médicos queriam oferecer um cuidadoso resumo e uma “explicação mais atualizada de muitas das descobertas mais rigorosas” produzidas por sua pesquisa. Sua investigação incluiu o exame de um vasto corpo de literatura científica de diversas disciplinas, como foi dito na introdução. “Como a literatura relevante está cheia de definições ambíguas e inconsistentes, nós não apenas examinamos as evidências empíricas, mas também sondamos os problemas conceituais subjacentes. Este relatório, no entanto, não discute questões de moralidade ou de políticas: Nosso foco é o da evidência científica — o que ela mostra e o que ela não mostra.” A intenção era fornecer uma “estrutura compartilhada para o discurso esclarecido e inteligente em intercâmbios políticos, profissionais e científicos” e um alívio do “sofrimento e promover a saúde e a prosperidade humana”.

Para mais informação, veja o relatório Mayer & McHugh (2016)**.

domingo, 25 de setembro de 2016

Ideologia de Gênero - A farsa de uma teoria e a destruição de uma família, a Família Reimer*

Baseado no artigo "Ideologia de Gênero e a experiência fracassada do caso Reimer", publicado originalmente no Portal da Família*.

Brian Henry Reimer
(*22 ago. 1965 – 01º jul. 2002)
Bruce/Brenda/David Peter Reimer

(*22 ago. 1965 – 05 maio 2004)
A ideologia de gênero é o passo mais radical do feminismo, pois pretende eliminar as diferenças naturais e interpretar com base na cultura, não na biologia, a condição sexuada do homem e da mulher. A história dos irmãos Reimer serve de advertência do que pode acontecer quando ideólogos e cientistas se apaixonam por uma teoria e ignoram os fatos, a realidade e a natureza.

John William Money (1921-2006) foi um psicólogo da Johns Hopkins University, sexologista e autor de livros, especializado em pesquisas sobre identidade sexual, mudança de sexo e biologia do gênero. Sua influência foi decisiva para a criação da teoria da identidade de gênero. Ele acreditava que não era tanto a biologia que determinava se somos homens ou mulheres, mas a maneira como somos criados, e já a partir da década de sessenta tinha pretendido demonstrar que a sexualidade depende mais da educação do que dos genes.

John William Money
(*08 jul. 1921 – 07 jul. 2006)
Dr. John Money ficou famoso devido a uma polêmica, fracassada e vergonhosa experiência médica. As suas cobaias foram dois bebês gêmeos: Bruce e Brian Reimer. Um infeliz acidente com Bruce proporcionou a Money a oportunidade de transformar o corpo do bebê – por cirurgia plástica e com o consentimento dos pais – num corpo com aparência feminina.

Em 1965, na cidade de Winnipeg, Manitoba, no Canadá, Janet e John Reimer, um jovem casal de fazendeiros mal saído da adolescência deu à luz aos meninos Brian e Bruce, um par de gêmeos univitelinos. Com a idade de 6 meses, após seus pais se preocuparem com a maneira como ambos urinavam, os meninos foram diagnosticados com fimose. Com a idade de 8 meses eles foram encaminhados para uma cirurgia de circuncisão, tida como de rotina. Em 27 de abril de 1966, um urologista realizou a operação utilizando um equipamento elétrico de cauterização que apresentou problemas diversas vezes. Na última tentativa, o procedimento não saiu como o planejado e o pênis de Bruce ficou totalmente queimado. A família ficou arrasada. Nos anos 60 uma cirurgia plástica de reconstrução de pênis não era uma opção, então não havia nada a ser feito. Com relação ao irmão, os médicos optaram por não operar Brian, cuja fimose logo desapareceu, sem qualquer intervenção cirúrgica.

Janet Reimer (mãe) e os gêmeos
Alguns meses depois, os pais de Brian e Bruce viram na televisão uma entrevista com o Dr. John Money falando sobre as operações de mudança de sexo em transexuais, na qual ele dizia que os bebês nasciam “neutros” e teriam sua identidade definida como masculina ou feminina (identidade de gênero) exclusivamente em função da maneira pela qual são criados. Acreditando que tal ideia poderia ser apropriada para o problema do filho mutilado, procuraram aquele especialista que imediatamente se dispôs a atendê-los e indicou uma mudança cirúrgica de sexo. Ele e outros médicos que trabalhavam com crianças nascidas com genitália anormal acreditavam que um pênis não podia ser substituído, mas que uma vagina funcional poderia ser construída cirurgicamente, e que seria mais provável que Bruce tivesse uma mais bem sucedida maturação funcional sexual como uma menina do que como um menino.

Esses médicos convenceram os pais de David Reimer de que a cirurgia de mudança de sexo seria o melhor para o garoto, e, com a idade de 22 meses, uma orquidectomia foi realizada para remover seus testículos. Seu sexo foi redefinido, os pais foram instruídos a criar David como uma mulher, e foi-lhe posto o nome de "Brenda". O Dr. Money deu apoio psicológico para a cirurgia para a posterior reeducação sexual, e ele continuou a ver Reimer anualmente por cerca de dez anos, para consultas e para avaliar o resultado. Esta mudança foi considerada um caso de teste especialmente válido do conceito de aprendizagem social da identidade de gênero, por duas razões. Primeiro, o irmão gêmeo de Reimer, Brian, serviu de controle ideal, pois os dois não só compartilhavam genes e ambientes familiares, mas tinham compartilhado o ambiente intrauterino também. Segundo, esta tinha a fama de ser a primeira mudança e reconstrução realizada em um bebê do sexo masculino que não tinha anormalidade pré-natal ou pós-natal precoce de diferenciação sexual.

Os pais não sabiam, mas Money era conhecido como uma espécie de guru da sexualidade (se fazia chamar “missionário do sexo”) e defendia comportamentos sexuais ousados, como casamentos “abertos”, nos quais os cônjuges poderiam ter amantes com consentimento mútuo; estimulava o sexo grupal e bissexual, além de, em momentos mais extremados, parecer tolerar o incesto e a pedofilia.

O Dr. Money forçou os gêmeos a ensaiarem atos sexuais envolvendo "movimentos empurrando", com David desempenhando o papel sexual passivo. Quando criança, David Reimer dolorosamente lembrou-se de ter que de "ficar de quatro" com seu irmão, Brian Reimer, "por trás de sua bunda", com "sua virilha contra "suas" nádegas". Em outra posição sexual, o Dr. Money forçou David a ter suas "pernas abertas" com Brian por cima. O Dr. Money também forçou as crianças a tirarem suas roupas e se envolverem em "inspeções genitais". Em "pelo menos uma ocasião", o Dr. Money tirou uma "fotografia" das duas crianças fazendo essas atividades. A razão do Dr. Money para estes vários tratamentos era a sua crença de que "jogos sexuais infantis" eram "importantes para uma identidade de gênero adulta saudável".

O interesse de Money no caso não poderia ser maior. Como defendia a ideia de que as diferenças de comportamento entre os sexos eram decorrentes de fatores socioculturais e não biológicos (nature versus nurture) - tese aclamada pelas feministas de então -, a mutilação de Bruce oferecia-lhe uma excelente oportunidade de colocar à prova sua teoria. Havia, em sua opinião, a indicação para a mudança cirúrgica de sexo, os pais tratariam a criança conforme sua orientação e o experimento teria uma contraprova natural, pois havia um irmão gêmeo idêntico, univitelino, compartilhando o mesmo ambiente familiar e que serviria de controle. No eterno debate sobre natureza e educação, ia demonstrar que a educação é tudo. Simone de Beauvoir e Sartre já tinham feito triunfar a ideia de que é o ser humano quem goza de liberdade, não a natureza.

Família Reimer
Os Reimer seguiram ao pé da letra as instruções de Money, mas as coisas não correram conforme o previsto. Janet, a mãe, conta o que aconteceu quando tentou vestir Brenda com o seu primeiro vestido, pouco antes de fazer dois anos: "Tentou arrancá-lo, rasgá-lo. Lembro-me de que pensei: 'Meu Deus, ele sabe que é um menino e não quer vestir-se como uma menina!'"

“Brenda” também passou a ser rejeitado na escola, onde bem cedo manifestou estranhas “tendências lésbicas”, apesar dos hormônios que o faziam tomar.

Enquanto toda a família via aflita o fracasso da operação, no decorrer daqueles anos 70 Money proclamava aos quatro ventos que a sua experiência era um êxito rotundo. Num artigo publicado em Archives of Sexual Behaviour, escreveu: “O comportamento da menina é claramente o de uma menina ativa, bem diferente das formas masculinas do seu irmão gêmeo” e que “Os gêmeos estavam felizes em seus papeis estabelecidos: Brian era um menino forte e levado; ‘Brenda’, sua irmã', era uma doce menininha”.

Em função dessa experiência, Money ficou mais famoso. A revista Time, numa longa matéria, afirmava que “este caso constitui um apoio férreo à maior das batalhas pela libertação da mulher: o conceito de que as pautas convencionais sobre a conduta masculina e feminina podem ser alteradas”.

Nesse ínterim, os gêmeos eram obrigados a seguir periodicamente sessões de “psicoterapia” com Money. Segundo consta, tais sessões foram profundamente traumáticas para ambas as crianças. Nelas, possivelmente num esforço de estabelecer as diferenças de comportamento sexual entre homem e mulher, Money lhes mostrava fotos sexuais explícitas e teria feito as crianças despirem-se e encenarem posições de coito, com “Brenda” desempenhando o papel sexual passivo. Em "pelo menos uma ocasião", o Dr. Money tirou "fotografia" das duas crianças fazendo essas atividades. A razão do Dr. Money para estes vários tratamentos era a sua crença de que "jogos sexuais infantis" eram "importantes para uma identidade de gênero adulta saudável".

Enquanto isso, a mãe, que se sentia culpada e desorientada com a situação da “filha” entrou em depressão e, a certa altura, tentou o suicídio. O pai desenvolveu um alcoolismo grave e o irmão gêmeo Brian começara a usar drogas e a praticar atos de delinquência ao atingir a adolescência.

Quando o Dr. Money começou a pressionar a família para “Brenda” fazer uma cirurgia de construção de uma vagina, a família interrompeu as visitas de acompanhamento. Dos 22 meses de vida até seus primeiros anos como adolescente, “Brenda” urinou por meio de um orifício que cirurgiões fizeram em seu abdômen. Foi-lhe dado estrogênio durante a adolescência, para induzir o desenvolvimento das mamas. Destruída pelas intermináveis sessões psiquiátricas e pela medicação com estrogênio, com a idade de 13 anos, “Brenda” estava experimentando depressão suicida, e disse a seus pais que iria cometer suicídio se eles o fizessem ver o Dr. John Money novamente.

Não tendo mais contato com a família, visto que as visitas foram suspensas, o Dr. John Money não publicou mais nada sobre o caso. Mas também não informou ao público que a mudança não havia sido bem sucedida e continuou por muito tempo a permitir que as pessoas acreditassem que ela tinha sido bem sucedida.

Como inexplicavelmente deixou de publicar as evoluções do caso, o fato chamou a atenção de um pesquisador rival, Dr. Milton Diamond, da Universidade do Havaí, que procurou informações e reconstruiu a verdade sobre o mesmo, publicando-a num artigo em coautoria com Keith Sigmundson, nos Archives of Pediatrics and Adolescent Medicine.

A verdade descrita por Diamond era muito diferente da versão sustentada por Money. Desde os dois anos, “Brenda” rasgava suas roupas de menina e se recusava a brincar com bonecas, disputando com o irmão Bruce seus brinquedos. Na escola, era permanentemente hostilizada pelo comportamento masculinizado e pela insistência em urinar de pé. Queixava-se insistentemente aos pais por não se sentir como uma menina. Mantendo as orientações de Money, os pais diziam-lhe que era uma “fase” que logo superaria.

Não aguentando mais a situação, os pais consultaram um psiquiatra de sua cidade, que sugeriu dizer toda a verdade para “Brenda”. Em 1980, seu pai contou-lhe então a verdade, e isso teve um efeito profundo e transformador. Posteriormente, “Brenda/Bruce” disse: “De repente, tudo fazia sentido. Ficava claro por que me sentia daquela forma. Eu não estava louco”.

David Reimer e jane Fontaine
Casamento, em 22 set. 1990
“Brenda”, aos 14 anos, imediatamente se engajou numa busca do sexo perdido. Fez inúmeras cirurgias para fechar sua vagina artificial, recompor a genitália masculina com a implantação de próteses de pênis e testículos, retirar os seios crescidos a base de estrógenos, além de iniciar tratamentos hormonais para masculinizar sua musculatura. Significativamente, não retomou seu nome inicial escolhendo chamar-se “David”. Apesar de todas as cirurgias e da nova identidade masculina, mergulhara também numa séria depressão e tentou suicídio aos 20 anos. Mas em 22 de setembro de 1990, ele se casou com Jane Fontaine e se tornou o padrasto de três filhos.

Quando tinha 30 anos, David foi encontrado por Diamond, que, como dito acima, desconfiara do motivo que levara Money a interromper, sem maiores explicações, o relato de um caso que o reputava de tanto sucesso. Somente aí David soube que, até então, seu caso era mundialmente conhecido, e que tinha sido imortalizado como caso 'John/Joan', em artigos e livros de teoria médica e psicológica, atestando o 'sucesso' da teoria de Money, e estabelecendo os protocolos sobre como tratar crianças hermafroditas e pessoas que sofreram algum tipo de mutilação como a perda do pênis.

Indignado com tal impostura, David resolveu colaborar, dando origem ao trabalho que recolocou a verdade em circulação, engajando-se numa campanha para evitar que outros passassem pelos mesmos sofrimentos que ele tivera de suportar. O trabalho de Diamond foi largamente divulgado e chegou à grande mídia, jornais e televisões norte-americanos. Se não fosse pelo trabalho detetivesco de Diamond, tudo ficaria encoberto.

Biografia de David Reimer
Posteriormente, John Colapinto, redator da revista Rolling Stone, em conjunto com David escreveu sua biografia, que tomou o nome de As Nature made him - The Boy who was raised as a girl. Os lucros da publicação foram divididos meio-a-meio entre Colapinto e David. Tempos depois, David perderia em investimentos malsucedidos todas as suas economias advindas dos direitos autorais de sua biografia e de um futuro filme nela baseado (o estúdio Dreamworks, de Spielberg, desenvolve um projeto para futura realização).

Em 2002, o irmão gêmeo Brian, que sofria de esquizofrenia, suicidou-se com uma overdose de antidepressivos.

David nunca conseguiu superar o seu trauma. “Daria qualquer coisa para que um hipnotizador conseguisse apagar todas as recordações do meu passado. É uma tortura que não suporto. O que fizeram com o meu corpo não é tão grave como o que provocaram na minha mente”, tinha dito.

Em 2 de maio de 2004, sua esposa Jane, cansada do caráter soturno e melancólico do marido, após 14 anos de casamento, lhe disse que queria a separação. Na manhã de 5 de maio de 2004, David foi a uma mercearia, e cometeu suicídio dando um tiro na própria cabeça. Ele tinha 38 anos.

O Dr. John William Money continuou até o fim da vida como Professor Emeritus na Johns Hopkins University. Na época do suicídio de David Reimer, foi procurado pela imprensa mas não quis manifestar-se. Suas ideias sobre a Ideologia de Gênero continuam a ser divulgadas.

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