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terça-feira, 6 de junho de 2017

O calote inevitável da Previdência*

Por Stephen Kanitz*

A Reforma da Previdência deveria ter ocorrido 30 anos atrás, mas nada foi feito.

No Governo FHC, Fernando Henrique Cardoso pediu ao economista André Lara Resende propor uma reforma copiando a solução chilena.

Ele voltou dizendo que nosso rombo da previdência (já) era impagável (em 1998), portanto nada feito, o jeito era ficar quieto e continuar a mentir para a população.

Deixaram o pepino para o Lula, e sobre isso já escrevi.

Rombo impagável é IMPAGÁVEL, minha gente.

Vocês podem não entender de Administração Responsável de Nações, mas deveriam entender de um bom português.

Não há como pagar os atuais aposentados, ponto final.

Muito menos os que pretendem se aposentar nos anos que vêm.

O calote vem aí, não por má fé, mas por falta de grana.

Tudo que vocês depositaram para suas futuras aposentadorias foi gasto saldando deficit dos governos.

Não é culpa da nova geração que nossos jornalistas econômicos esconderam isso o tempo todo.

Os economistas, são sempre eles, como Maílson da Nóbrega, Pedro Malan, Guido Mantega, Nelson Barbosa, Joaquim Levy, simplesmente usaram sua grana na surdina para cobrir deficit do governo, inclusive o da previdência.

O MBL, o movimento da nova geração, propõe uma reforma que eu achei mais do que generosa.

Eles propõem garantir uma renda mínima para todos os aposentados que foram lesados por estes famosos economistas.

Não precisavam, mas o fizeram a um enorme sacrifício geracional.

Minha geração calhorda deveria ter lhes deixado um legado, e não uma dívida atuarial.

Só isso já merecia o apoio de vocês, velhos bobos e lesados.

O resto do plano coloca as bases sólidas para o futuro.

Assistam o Kim, que dará maiores detalhes.

Apoiem, porque senão tem coisa pior vindo por aí.



segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Manifestações de 31 de Julho: Saldo e Balanço*

Por Paulo de Oliveira Enéas*

As manifestações realizadas nesse domingo reuniram centenas de milhares de pessoas em dezessete estados do país. Mais uma vez a capital paulista foi palco da maior manifestação, com dezenas de milhares de pessoas ocupando a Avenida Paulista, em um ato que teve uma característica bastante distinta das demais manifestações realizadas anteriormente: a pauta política de direita e de perfil mais conservador se fez mais presente, tanto nos discursos do vários oradores nos caminhões de som, quanto nos gestos e atitudes das pessoas no chão da avenida.

Cartazes e faixas dizendo não ao comunismo, discursos condenando as políticas públicas de esquerda, menções ao drama causado ao povo venezuelano pela ditadura socialista de Nicolas Maduro defendida e apoiada pela esquerda brasileira, se somaram à defesa da Lava Jato, aos pedidos de prisão de Lula além, é claro, da defesa da aprovação em definitivo do impeachment. Um grupo de estudantes, liderados por Tatiana Moreira Alvarez, produziu milhares de panfletos, além de cartazes e faixas, em defesa do Escola Sem Partido, que acabou por se tornar o tema quase que predominante em toda a manifestação e também presente em vários discursos.

Ainda que o público tenha sido menor do que aquele das manifestações anteriores, a manifestação desse domingo serviu para mostrar a disposição que existe em uma parcela da população em ir às ruas em defesa de pautas que vão muito além do impeachment. Pautas essas que têm um nítido viés conservador e de direita. Até porque, o impeachment é um processo político irreversível: não existe no horizonte a possibilidade de concretização de um cenário político em que o petismo volte a comandar o poder executivo, e por uma série de razões, como já havíamos afirmado nesse artigo aqui escrito há mais de dois meses.

Ás manifestações políticas devem e precisam continuar, pois não podemos permitir que as ruas voltem a ser monopólio da esquerda. Mas diante do novo quadro político que vai se abrir com a consolidação do impeachment, será necessário repensar o formato desses próximos atos, tanto no aspecto de organização quanto de definição de foco em termos de uma pauta. Mas não pode haver dúvidas quanto à natureza dessa pauta: trata-se de dar continuidade ao combate às políticas de esquerda, o que inclui hoje a defesa do Escola Sem Partido, o fim das urnas eletrônicas, o combate ao ativismo judiciário e à partidarização da suprema corte, o desaparelhamento do estado entre outros.

Por fim, a nota dissonante fica por conta do comportamento politicamente leviano e irresponsável que as lideranças do MBL tiveram ao longo da semana: além de promoverem o boicote e a sabotagem da manifestação usando da influência do grupo junto à grande imprensa, onde foram plantadas várias notícias falsas anunciando o suposto cancelamento do ato, alguns líderes do MBL resolveram aparecer na Manifestação da Avenida Paulista com o objetivo de capitalizar eleitoralmente junto ao público. Apesar de terem discursado no carro de som de um dos grupos, que inexplicavelmente resolveu ceder espaço para quem boicotou a manifestação, os dois dirigentes do MBL foram hostilizados por uma parte do público presente.

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